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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

BIFE DE CHORIZO COM TRIO DE MALBEC: COMBINAÇÃO PERFEITA.

Olá pessoal! Fazia um certo tempo que não tomava um vinho de Malbec - Côt, isso porque os italianos acabaram ocupando um bom espaço na minha vida esse ano e depois de Mendoza; tínhamos resolvido dar um tempo entre a gente. Pois é demorou, mas o dia chegou. Foi ontem e sem querer quando fui  convidado para comer um tradicioal bife de chorizo. Nada melhor do que um bom Malbec para harmonização. Sem combinarmos os vinhos, trouxemos o que deu na cabeça, e foram abertos sequencialmente um Punto Final 2005, seguido de um Achaval-Ferrer 2007 e pra terminar um  Don Nicanor 2005 da Nieto Senetiner.

Decantamos o Punto rapidamente só para se retirar as borras pois já estávamos sedentos, e mostrou-se um pouco fechado com aromas de ameixas no nariz e frutas vermelhas maduras numa coloração rubi granada. Denso, taninos não muito macios e alcoólico mostrava um herbáceo amargo como  fumo-tabaco que abafava um pouco a baunilha e cacau no fim de boca, provavelmente pela presença dos 6% de Cabernet franc no blend e pelo envelhecimento de garrafa. Foi harmonizado com as entradas de queijo brie, lascas de parmesão e  presunto pata negra. Talvez merecesse maior tempo de decanter ou mais juventude.

O Achaval Ferrer já veio bem mais "malbequiano", com coloração rubi intenso-violáceo e aromas frutados bem acentuados com ameixas, amoras e até uma cerejinha bem final quando na boca se misturava com a baunilha.O álcool aqui aparece menos com taninos macios apesar da idade mostrando chocolate, toque floral nítido de violeta, herbáceo leve e um pouco de pimenta com cravo no final. Belo retrogosto num Malbec jovem clássico equilibrado e muito bem feito que preparou caminho para....


Fechamos então com o Don Nicanor que no decanter mostrou um aroma de azeitonas pretas que veio acompanhado da mesma ameixa e frutas vermelhas maduras na taça. De coloração rubi , mostrava-se denso, taninos aveludados e também não se notava muito álcool. Gostoso sabor terroso tipo bosque, couro com baunilha discreta no final com balsâmico que juntavam bem no retrogosto muito agradável.Vinho da noite que harmonizou perfeitamente com os bifes grelhados, batendo muito bem com a suculência da carne e acidez com a gordura. Meu bife estava ao ponto e achei muito interessante a combinação da parte mais grelhada tostada da carne com vinho que acentuava os aromas mais terciários sumindo discreto amargor de ambos.

Pois é Bife de Chorizo é com Malbec!

Receita: sal grosso e grelha!!!

Abbracci a tutti !
Harmonizem seus vinhos com os amigos!!!

1 - Bodega Renacer
2 - Achaval-Ferrer.
3 - Nieto Senetiner.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

CHARDONNAY- DEGUSTAÇÃO ABS - SÃO CARLOS 13\08\2009




Nesta quinta feira tive a oportunidade de participar de mais uma agradável degustação de varietais da ABS de São Carlos. Foi escolhida a uva francesa Chardonnay, batizada pelos amantes do vinho por "rainha da uvas brancas". Pudemos distinguir nessa noite todo seu potencial de adaptação aos mais diversos "terroires".







Primitiva da Borgonha, essa uva difere-se da sua prima Pinot Noir por se adaptar muito bem na maioria dos lugares já cultivados (versatilidade) e aceitar muito bem os caprichos dos enólogos que se aventuram a produzir seus vinhos . Diferente de outras cepas brancas, pois aceita muito bem o descanso em carvalho; pode produzir tanto vinhos delicados com toques cítricos, minerais e ácidos como em sua terra natal ; e se apresentar com aromas de frutas tropicais, maior corpo e intensidade aromática como no novo mundo.


Aparece como estrela maior nos vinhos lendários de Chablis peculiar pela sua mineralidade, Côte Beaune como Corton-Charlemagne e Le Montrachet, Poully Fuissé , sozinha na Champagnes Blanc de Blancs e no pouco conhecido por aqui Beaujoulay branco.


Tem como características produzir vinhos com aromas de frutas como abacaxi, maçã verde, damasco , florais e, se for barricada; apresentar baunilha e tostados com lácteos-manteiga; óbviamente respeitando as nuances de cada terroir e produtor. Devido a essa sua maleabilidade e manipulação do processo de produção, pode-se perder muito da tipicidade dos vinhos produzidos pela Chardonnay gerando vinhos muito diferentes dos estilo borgonhês. Talvez seja a uva mais globalizada de todas.


Degustação foi presidida pelo sr. Mário Mucheroni e precedida por breve esplanação. Foram servidos seis vinhos sequenciais ás cegas , em taças I.S.O. na temperatura aproximada de 10 graus Celsius.


Vamos a eles.







1 - Salton Virtude 2008 - Salton - Bagé\Campanha - Brasil.

Vinho de coloração amarelo palha com toques verdeais no nariz mostrando frutas em calda como abacaxi e laranja com especiarias tipo cravo e canela. Faltou um tico de acidez talvez por uma fermentação malolática mais longa, não percebi mineralidade e influência da barrica com baunilha e manteiga bem discretos. Um vinho elegante e correto. Nosso canditato nacional se comportou muito bem nessa degustação; nos agradou muito e termos começado com ele foi uma grande sacada pois aguçou o paladar e raciocínio enológico. Não tivemos coragem de palpitar seguramente qual vinho seria, pois estava muito delicado e equilibrado sugestionando uma origem francesa.


2 - Bourgogne Couvent des Jacobins 2006 - A.O.C. Bourgogne - Maison Louis Jadot -Beaune FR.

O segundo vinho bem fresco e frutado mantendo sua elegância; apresentava coloração amarelo palha. Mais delicado e complexo que o nacional mostrando frutas maduras como pera e maçã verde com toques cítricos. Mineralidade já presente com maior influência das barricas sem exagero com baunilha e balas de caramelo. Seguia -se com tostado final e retrogosto agradável.
Sutil com toques florais melhor percebido pelas colegas mulheres. Bom equilíbrio de acidez.


3 - Gerovassiliou Chardonnay 2005 - Domaine Gerovassiliou - Epanomi - Greece.

Agora veio o greco para agitar a degustação. De cara percebemos que toda sua potência e mineralidade viria de um vinhedo nessa região. Amarelo ouro ,untuoso e frutas em calda como abacaxi e casca de laranja com mel e baunilha. Bom tostado com frutas secas como amêndoas ;brindado com mineralidade e acidez marcante. Foi de primeira: esse é o grego!






4 - Bom Vallon Chardonnay sur lie 2008 - De Westhof Estate - Robertson - África do Sul.


Esse talvez foi o vinho mais fácil da noite pela sua jovialidade e sem barrica; quando foi servido possuía no fundo do copo algumas bolhas residuais. Muito jovem e fresco com aromas de melão, maçã verde, kiwi e floral mais acentuado. Acidez bem acentuada por naõ ter fermentação malolática e gosto mineral\carvão\queimado no final de boca. Foi muito boa escolha pois assim pudemos conhecer a outra faceta da chardonnay sem passagem de barrica, mostrando assim que pode ser feito um grande vinho sem a necessidade de carvalho; gerando vinhos elegantes com bastante frescor. Grande sacada da noite. Esse é o sul africano!

5 - Amayna Chardonnay 2006 - D.O. Valle Leyda - Viña Garcés Silva - Chile.

Aí veio nosso amigo chileno com coloração amarelo palha\ouro bem intensa com aromas frutados já um pouco passados com laranja, damascos e para alguns lichia. De todos foi o que apresentou maior toque herbáceo com baunilha e mel presentes. Discreto amargor final não danificando seu retogosto que manteve-se agradável. Sentimos que para essa degustação estava já entrando em decadência, não podendo ser comparado em igualdade de condições com os outros.

6 - Catena Alta Chardonnay 2006 - Bodega Catena Zapata - Lujan de Cuyo - Argentina.

Grande vinho da Catena de coloração amarelo palha com verdeal,flores e muita fruta branca como maçã verde e melão que casou muito bem com sua acidez nos fazendo pensar em carambola. Barrica no ponto com baunilha\caramelo sem enjoar mantendo frescor até o final. Vinho muito bem equilibrado para quem gosta de fruta, baunilha e frescor na mesma taça sem exageros.



Concluindo o vinho mais votado por todos foi o grego da Domaine Gerovassiliou, seguido paradoxalmente pelo chileno Amayna. Ficaram empatados o nosso Salton que não fez feio frente ao francês e argentino que ficaram empatados em terceiro lugar. O sul africano amargou a lanterna porém para mim sua presença nessa degustação foi de fundamental importância e não denota de forma alguma ser um vinho simples.


Para saber mais:


1 - Salton.
2 - Louis Jadot.
3 - http://www.gerovassiliou.gr/
4 - http://www.dewetshof.com/
5 - http://www.vgs.cl/
6 - http://www.catenawines.com/
http://www.mistral.com.br/

sexta-feira, 3 de julho de 2009

DEGUSTAÇÃO VINHOS RUTINI - EMPÓRIO BASÍLICO \ ZAHIL IMPORTADORA - 01\07\2009






Ontem tive a oportunidade de participar de mais um evento organizado pelo Empório Basílico. Era uma quarta feira despretenciosa depois de um dia de consultório cheio; que se transformou numa noite bem agradável. Tratava-se de uma degustação da Bodega La Rural - Rutini que foi presidida por Bernardo Silveira diretor técnico da Zahil vinhos que compareceu ao evento a pedido da equipe do Basílico.


A história da vinícola começa na Itália do século 19, na província de Le Marche cidade de Ascoli Piceno, onde Francisco Rutini produzia vinhos para consumo de seus familiares e vizinhos. Seu filho Felipe Rutini tornou-se imigrante quando chegou ás américas e encontrou em Coquimbito, Maipu na província de Mendoza o lugar ideal para plantar suas primeiras videiras. A partir daí formaram-se os primeiros pilares para a construção de sua vinícoal chamada La Rural com os preceitos de labor et perseverantia. Em 1919 Don Felipe passou o comando dos negócios para seus herdeiros, que incrementaram a vinificação com novas variedades de uvas e compraram de novos solos como em Tupungato com altitude de 900 a 1500 metros e múltiplos microclimas.




Em 1994 foi adquirida por um grupo de investidores ,dentre eles Catena e Lynch , que trataram de modernizar sua instalações e aplicar nos vinhedos La Rural sua experiência acumulada na produção de vinhos de alta qualidade em Mendoza. Possuem 255 hectares de vinhedos incluindo Maipu, Rivadavia, La Consulta, Altamira e Tupungato.





Bom chega de papo. Foram degustados cinco vinhos a saber:



1 - Rutini Chardonnay 2006 - Belo vinho de cor amarelo palha, frutado com abacaxi, pêssego e melão maduros. Toque mineral presente, assim como mel-manteiga . Boa acidez num vinho que me agradou muito.




2 - Rutini Cabernet\Malbec 2005 - tinto de coloração rubi-granada com predominãncia de amoras e violetas. Especiarias como cravo, pimenta e frescor dado pela boa acidez e mentolado. Taninos equilibrados mas sobrou um pouco no álcool e sulfitos. Vinho mais calmo que seu sucessor 3.




3 - Rutini Cabernet\Syrah 2005 - Tinto encorpado e potente. Um pouco fechado no nariz com suas frutas escuras como ameixa e especiarias com cravo pimenta, tabaco e baunilha. Vinho com bastante estrutura e álcool que precisava um pouco de decantação ou acompanhado de uma carne.



4 - Rutini Malbec 2005 - tonalidade ruby - violáceo nos mostra este malbec elegante com frutas vermelhas lembrando amora, ameixa e violeta. Bem com seus taninos equilibrados e potente com acidez relevante. Segue o padrão dos vinhos Malbec de alta qualidade. Discordando dos demais achei bom custo benefício pela sua qualidade. É muito fácil fazer um malbec; o dífícil é diferenciá-lo.


5 - Rutini Antologia XVIII - Na tentativa de se criar vinhos com seus melhores lotes das melhores safras; este vinho feito pelo enólogo Mariano di Paola com cortes de 40% de cabernet sauvignon, 40% de malbec e 20% de merlot ;mostra todo o seu cuidado e competência na elaboração de vinhos. No estilo velho mundo, esta assemblage mostrou coloração violácea, bem denso e carnudo. Boa acidez com cereja e mirtilo em geléia e especiarias. Vai ganhar mais ainda com um pouco mais de envelhecimento na garrafa.


Geralmente as degustações de produtos da mesma vinícola me desanimam um pouco. Porque são servidos primeiros vinhos base pra depois degustar os melhores e talvez vc perder um pouco da acurácia gustativa e achar tudo muito bom. Engraçado, pois pude perceber hoje a preocupação desta vinícola com a qualidade e equilíbrio dos vinhos degustados mesmo nos seus vinhos menos requintados. Chardonnay e Syrah em bons vinhos.Pude tirar tb desta degustação é que nem só de malbec vive a Argentina, e que a a partir do momento que baixar a febre desta casta, possam colher novos frutos com outras uvas ; sem perderem a identidade malbequiana.

Un abraccio a tutti e salut!!!!!

Para saber mais:

http://www.rutiniwines.com/

http://www.vinhoszahil.com.br/loja.aspx

http://www.emporiobasilico.com.br/