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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

SEGUNDA DIVINO: ALMAVIVA 1997 COM BRUSCHETA.


Olá pessoal, ontem foi dia da última "Segunda Divino" do ano e para celebrarmos resolvemos abrir um ícone sul americano. A princípio seria um Clos Apalta daquele premiadão, mas minha consultora da Mistral pisou na bola esquecendo de pedir a garrafa antes que acabasse e ficamos sem. Mas não podíamos desistir da nossa idéia ou abrir um vinho do velho mundo, aí o Gil conseguiu com o pessoal da World Wine uma garrafa de nada menos que um  Almaviva 1997. Confesso que passei esse dia um pouco ansioso, mas tinha certeza que essa noite surpreenderia.

Cheguei na casa dele e já estava fazendo picadinho dos tomates para nossa tradicional bruscheta e o vinho já estava repousando na vertical por preferirmos não decantar. Até pensamos em cozinhar algo mais elaborado, mas hoje não queríamos trabalho!
Sacamos a rolha que estava em perfeito estado e mandamos pras taças (aquelas grandes de estimação que ele nunca põe na roda); onde mostrou uma coloração rubi intensa com tico de reflexos granada. Hoje vi um belo halo de maturação com lágrimas em bom número e vagarosas. No nariz meio fechadão com aquele aroma de ameixa preta e só.... mas na boca um pouco de cacau e taninos bem redondos com retrogosto potente num médio corpo.
Calma Betão vai abri...      Atacamos as "bruscas"!


Na segunda tomada já melhorou bastante mostrando aromas mais complexos de frutas maduras como cassis e cerejas com  couro novo. Na boca já aparecia aromas de bosque, cravo com pouca baunilha. Retrogosto bem longo e muitíssimo agradável mostrando ser um dos vinhos mais equilibrados que já provei. Envelheceu muito bem esses 12 anos  e creio que tenha capacidade de guentar mais uns cinco tranquilamente. Quando arejei na boca consegui perceber um herbáceo mentolado bem gostoso e o nariz do Gil sentiu algo mineral, toque defumado, mais groselhas e concordamos com as muitas pimentas. Chega que já ta ficando complexo demais!

Vinho de corpo chileno e alma francesa (bordalesa) feito de Cabernet Sauvignon 72%, Carmenère 23% e Cabernet Franc 5% com envelhecimento de 16 meses barricas francesas novas.

Bela maneira de se terminar o ano e se dependesse da gente esse vinho não tinha envelhecido tanto!

Abracci a tutti e as "bruscas" do Gil vão ganhar um post á parte!

1 - Viña Almaviva.
2 - World Wine.


Vida longa á Segunda Divino e bj pra Gi e Rê!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

DEGUSTAÇÃO ESPUMANTES E CHAMPAGNE A.B.S. SÃO CARLOS TABLADO DOS SABORES - 26\11\2009

Olá pessoal, quinta foi dia de degustação especial de espumantes  realizada no Restaurante Tablado dos Sabores localizado na Praça da Reitoria da UFSCAR. Aproveitando o clima quente e de festa por ser a última do ano, estes espumantes cairam muito bem.

Após os quatro primeiros brancos  Chef Duarte Jeronimo, na foto junto com Eustáquio nosso diretor administrativo, preparou um cardápio especial, mas antes vamos aos vinhos.





1 - Nedenburg Premiére Cuvée Brut - África do Sul.

Esse sulafricano foi feito de Cape riesling (45%), Chenin blanc (36%), Chardonnay (12%) e Colombar (5%) provenientes de Western Cape plantadas entre 1989 e 1994. Ao exame visual bela rosácea sobre um vinho amarelo palha com toques verdeais, com múltiplas e finas bolhas com aromasde frutas citricas  limão e abacaxi e toque de nozes bem suave. Boa acidez e refrescância no método Charmat.

2 - Blanc de Blancs Brut Viña Casablanca - Chile.

Feito de Chardonnay (92%) com Chenin blanc (8%)  este espumante de coloração amarelo palha apresenta como aromas minerais seu primeiro ataque com boa cremosidade e algum sabor fermentado final como casca de pão. Pouca fruta citrica como limão siciliano  que abriram um pouco mais no final. Acidez bem agradável.

3 - Cava don Roman Brut - Espanha.

Primeiro champenoise da noite feito de Parellada, Macabeo, Xarello por uma cooperativa de Pénedes, mostrando claramente a diferença entre os métodos tradicional e charmat na produção de espumantes
Logo no visual percebe-se uma rica mousse ao redor da taça com múltiplas e finas bolhas. Aromas de fermentação como casca de pão e fermento associado a frutas secas como nozes e amêndoas. Frutas já eram mais maduras como abacaxi e maracujá que completavam boa refrescância ao paladar. Bela Cava.

4 - Champagne Deutz Brut Classic - França.

Nossa champagne noite foi feita com todas as uvas permitidas na denominação (Chardonnay, Pinot noir e Pinot meunier) em um terço de cada na proporção, com mais de sessenta vinhos base diferentes. De cor amarelo palha; no nariz apresentando aromas de frutas secas e cítricas com baunilha no final. Bela perlage com aroma de pão fresco, tostado, nozes e amêndoas. As frutas são mais maduras como abacaxi, laranja e maracujá na maior mousse e final mais agradável de todos.Vinho da noite!

5 - Espumante Bruto 3B Filipa Pato  - Portugal.

Este português da Bairrada foi feito pelo método tradicional por Filipa Pato. Baga  tinta em 70 % foi responsável pela estrutura; e a branca Bical em 30%  colaborou com a acidez e cremosidade. Bela coroa de espumas em base rosa-salmão com aromas florais tipo rosas e frutas cítricas associadas a toque mineral bem discreto. O seu terceiro B faz alusão á região da Bairrada, pois essa  não pode vir grafado em seus rótulos por não fazer parte da denominação. Teve como entrada  uma surpresa feita especialmente para ocasião; de manga grelhada com uma sopa fria típica portuguesa com pepino, pimentão, tomate que estava delicioso e refrescante. Par perfeito! No meu ponto de vista ficou em terceiro lugar, mas cresceu com o prato.


PratoPrincipal: Risoto de Frutos do Mar com Cogumelos Portobello, Duo de Pargo Vermelho, Salmão e Camarão.


Para acompanhar o jantar foram servidos os espumantes Rondinée Brut e Rosé produzidos pela Cave Hermann, parceria da Decanter que fez o vinho base e Vinícola Aurora que os  "espumatizou"  ou "charmatizou". O espumante Rosé apresentava discreto açúcar residual num vinho com aromas de frutas tropicais e rosas; e o branco estava mais redondo e refrescante característicos da Serra Gaúcha. Como foram servidos juntos com as refeições; permito degustá-los e opinar numa outra oportunidade.
 
Sobremesa: Figos Assados, Coalhada Seca, Mel de Alecrim e Sorvete de Creme.


Para saber mais: 
 
1 - Nederburg.
5 - Deutz 


Importadora Casa Flora.






P.S.: Tava tão bom que esqueci de tirar as fotos da garrafas abertas, e já começava a contemplar o que está por vir no próximo ano!



Abracci a tutti!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

PROMOÇÃO ALMAVIVA 2005: LEVE 2 E PAGUE 1 !


ISSO É QUE É PROMOÇÃO DE MACHO.

POIS É, O GIL MATA A COBRA E MOSTRA O PAU!





PENA QUE JÁ COMPRARAM TUDO, NÃO DEU TEMPO E TAMBÉM FIQUEI NA SAUDADE!

PREÇO DE HOJE É R$ 471,80  

ABRAÇO A TODOS E MUITO GRATO PELA PREFERÊNCIA!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

SEGUNDA DIVINO! ODFJELL CABERNET FRANC.


Olá pessoal, nessa segunda na nossa confraria familiar abrimos um Orzada Cabernet franc 2004 da vinícola chileno - norueguesa Odfjell; famosa por produzir vinhos de alta qualidade e usar termos náuticos em seus rótulos. Já havia tomado alguns Cabernet francs franceses como os do Yannick Amirault no Vale do Loire, que achei naquela época um pouco difíceis de beber pela jovialidade e taninos muito duros precisando de um bom prato ou envelhecimento.
Segunda não foi diferente pois era um vinho de coloração rubi pouco granada que no nariz mostrou amora e ameixa madura. Na boca boa acidez, muitos taninos ainda jovens com pimenta e especiarias. Médio corpo bem estruturado com longa persistência,  porém muito alcoólico e tânico. Deixamos de lado decantando quietinho enquanto terminávamos nossa taças com a pizza. Voltamos a ele e mesmo assim mantinha sobra de álcool e taninos duros com amargor final devido toque herbáceo excessivo contrastando com gostosa baunilha e cacau. Bom vinho que manteve minhas expectativas indo bem com as redondas de quatro queijos e calabresa, mas no pós prandial sozinho ficou sobrando. No meu ponto de vista em comparação aos Orzada Carmenére e ao Aliara; ficou um pouco para tráz, mas creio que isso deva mudar em  5 anos de garrafa pois tem potencial de bom envelhecimento.

Vamos tomar os Aliaras do Gil enquanto isso!!!

Abracci a tutti!

Sobre o vinho Odfjell vineyards.

Importadora World Wine.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

SEGUNDA DIVINO! DON MELCHOR 1997 - QUANDO ABRIR NOSSOS VINHOS DE GUARDA


Essa é nossa principal dúvida, quando um vinho está no auge?

Quando e com quem abrir?

Felizmente essa segunda feira eu não hesitei; e abri com as pessoas certas!

Don Melchor 1997 - 12 anos nos separavam e agora estávamos alí, pertos, contemplativos. Lembrei-me do meu ano de médico aviador em Taubáte, meus grandes amigos e irmãos de faculdade  cada qual servindo um  em uma região do Brasil, da vontade de iniciar na cirurgia plástica, daquela internet de antes, morte da Diane, meu primeiro carro . Engraçado que não imaginaria estar na presença destas pessoas que realmente me fazem feliz hoje.

Sem stress retiramos a rolha que parecia que foi colocada ontem mesmo  e decantamos por uma hora. Primeira taça foi com grana padano, "provolone holandês" bem  defumado com frutas secas.  E na segunda com um bom prato de pasta.

Vinho de coloração rubi-granada límpido, com belo halo de maturação e muitas lágrimas. Ao nariz primeiro se apresentou com frutas negras tipo ameixa secas  e figos um pouco fechado. Na boca sentiu-se primeiro bem aveludado com taninos redondos preenchendo todo o palato suavemente que depois; mostrou-se aroma e terciários de folhas úmidas de bosque não frescas lembrando um pouco húmus, couro ou charuto e algo balsâmico com discreto amargor. Acrescentou-se belo café e cacau amargo com cravo. Tivemos dificuldade em definir esse herbácio e na segunda passada  notamos floral como crisântemo no nariz e ainda associado com a ameixa. Apesar da idade a acidez ainda se mantinha com níveis agradáveis e o que mais me impressionou foi o retrogosto suave e duradouro.


Belo vinho que harmonizamos com um penne all funghi com tiras de filet mignon no creme de leite; que no nosso ponto de vista caiu muito bem com a gordura, consistência da carne e do creme e aquele gosto meio aromático-terroso do funghi.

Gostaria de imaginá-lo um pouco mais jovem....Assim como gostaria de ter cometido mais erros.

Arrependimento?

Nunca!

Portanto abram seus vinhos; porquê eles podem viver mais do que nós......

Belíssima noite.

Para saber mais:

Don Melchor  por Concha y Toro.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

SAUVIGNON BLANC - A.B.S. SÃO CARLOS 24\09\2009


Dando continuidade á nossa série didática de varietais, o tema de degustação sa semana passada foi  Sauvignon blanc. Trata-se de uma uva branca originária do sudoeste da França, cujo nome vem das palavras "sauvage" de selvagem e "blanc" . Assim como sua prima tinta a Cabernet sauvignon, possui a característica de produzir excelentes monovarietais como os Sancerre e Poully-fumé no Vale do Loire e os de Marlborough na Nova Zelândia , e também fazer parte de cortes de vinhos lendários como o doce Sauternes e o seco Graves juntos com a uva Sémillon em Bourdeaux . Em contrapartida, não aceita bem o carvalho apesar da tentativa norte americana de fazê-la barricada como a Chardonnay; criando numa jogada de marketing dos Mondavi o Fumé-Blanc sugerindo toque mineral e tostado. A sauvignon é de uma videira muito vigorosa que gosta de muito do clima frio; tendo sua floração tardia e amadurecimento de bagas precoce. Por isso necessita de muito cuidado do vinhateiro na poda e tempo certo de colheita para se obter frutos maduros com teor de açúcar e acidez corretos, evitando caráter herbáceo agressivo e pouca intensidade aromática. Dependendo do seu terroir e modo de vinificação pode evoluir para vinhos austeros, ácidos e herbáceos como no Loire ou intensamente frutados como na Nova Zelândia (Marlborough). Podemos encontrar bons vinhos ainda na Califórnia (Nappa Valley), Africa do Sul (Stellenbosch), Chile (Valle de Casablanca), Itália (Lombardia , Friuli e Toscana), Argentina e Brasil.

Os vinhos de sauvignon são muito típicos e facilmente reconhecidos em degustações ás cegas. Apresentam geralmente aromas herbáceos mais pronunciados como grama cortada e folhas frescas de groselhas, aspargos em latas e a groselha branca ou gooseberry (parecida com a nossa goiaba); podendo encontrar aromas de frutas cítricas e tropicais em exemplares do novo mundo. No vale do Loire apresentam aromas minerais e de pedra de isqueiro o que explica a denominação fumé. Na Nova Zelândia além da maior intensidade, produz aroma de frutas tropicais como manga e maracujá. São descritos ainda na sauvignon xixi de gato, feijões verdes, almíscar e urtiga.

Harmoniza-se muito bem com pratos á base de peixe e frutos do mar, ostras, chévre, sushi-sashimi e com aperitivos.

Após breve aula ministrada pelo sr. Mario Mucheroni foram degustados seis vinhos ás cegas, servidos em taças I.S.O. na temperatura média de 10 graus Celsius.

Vamos a eles:



1 - Fleur du Cap Unfiltered Sauvignon Blanc 2008 – Distell Limited Stellenbosch - África do Sul.

Coloração amarelo palha com reflexos verdeais, mostrando primeiro o toque herbáceo como grama cortada e pimenta verde. O citrico começou a aparecer associado a flor branca, com boa acidez e sobra de álcool que não compromenteu. Sugestionava a goiaba branca e frutas tropicais numa segunda passada no nariz.

2 - Amayna Sauvignon Blanc 2008 – Viña Garces Silva – San Antonio – Chile.

Coloração amarelo palha com reflexos verdeais, sendo que achei estranho que o primeiro aroma que me veio foi de milho muito fugaz, seguido de maçã verde, limão siciliano e seu herbáceo já era menos acentuado me lembrando um pouco de capim cidreira ou menta. Mostrou mineralidade  e boa refrencância e certa untuosidade.

3 - Isabel Estate Sauvignon Blanc 2007 - Isabel Estate - Malborough - Nova Zelândia.

Coloração amarelo palha com boa intensidadde aromática já mostrando a tal da goiaba branca e herbáceo firme que não identifiquei (manjericão talvez). Bom mineral que associado á bela acidez mostrava uma agulhada boa no final de boca. Odores de suor e floral  discretos numa segunda passada com frutas tropicais (manga) apesar da boa intensidade de aromas.

4 - Sàfiro 2007 - Jacopo Biondi-Santi – Castello di Montepó - Toscana – Itália.

Coloração amarelo palha apresentado aromas de média intensidade com frutas maduras como abacaxi, maçã verde e toque herbáceo menos acentuado. Boa acidez com toque mineral pouco presente mostrando-se um vinho bem refrescante. Faltou um pouco de corpo e persistência em relação aos franceses.


5 - Château Reynon 2007 - Denis Dubordieau Domaines - Bordeaux – França.

Coloração amarelo palha mostrando forte e agradável herbáceo como manjericão e mato cortado associado a frutas maduras como abacaxi, melão e pêssego. Xixi de gato mais característicos com boa mineralidade. Acidez no ponto. Muito equilibrado e complexo e persistente...

6 - Les Griottes Pouilly-Fumé 2006 – Pascal Jolivet - Loire – França.

Coloração amarelo palha com reflexos dourados com frutas em calda como abacaxi, laranja acompanhado de amêndoas e nozes. Mostrou-se um vinho bem complexo com belo corpo e acidez; com menos  herbáceo e mais mineral tipo isqueiro se comparado com o 5. Persistente...



Talvez essa tenha sido uma das melhores degustações que já participei pela qualidade e características individuais de cada vinho. Pode nos mostrar realmente o que é a sauvignon blanc e como se consegue produzir bons vinhos com métodos tradicionais sem a necessidade de uma intervenção muito grande do produtor como no caso dos franceses. Realmente pude comprovar que a França (Loire e Bordeaux) e Nova Zelândia apresentam os melhores resultados, apesar de distintos, com a sauvignon.

Para saber mais:






terça-feira, 18 de agosto de 2009

CHARDONNAY- DEGUSTAÇÃO ABS - SÃO CARLOS 13\08\2009




Nesta quinta feira tive a oportunidade de participar de mais uma agradável degustação de varietais da ABS de São Carlos. Foi escolhida a uva francesa Chardonnay, batizada pelos amantes do vinho por "rainha da uvas brancas". Pudemos distinguir nessa noite todo seu potencial de adaptação aos mais diversos "terroires".







Primitiva da Borgonha, essa uva difere-se da sua prima Pinot Noir por se adaptar muito bem na maioria dos lugares já cultivados (versatilidade) e aceitar muito bem os caprichos dos enólogos que se aventuram a produzir seus vinhos . Diferente de outras cepas brancas, pois aceita muito bem o descanso em carvalho; pode produzir tanto vinhos delicados com toques cítricos, minerais e ácidos como em sua terra natal ; e se apresentar com aromas de frutas tropicais, maior corpo e intensidade aromática como no novo mundo.


Aparece como estrela maior nos vinhos lendários de Chablis peculiar pela sua mineralidade, Côte Beaune como Corton-Charlemagne e Le Montrachet, Poully Fuissé , sozinha na Champagnes Blanc de Blancs e no pouco conhecido por aqui Beaujoulay branco.


Tem como características produzir vinhos com aromas de frutas como abacaxi, maçã verde, damasco , florais e, se for barricada; apresentar baunilha e tostados com lácteos-manteiga; óbviamente respeitando as nuances de cada terroir e produtor. Devido a essa sua maleabilidade e manipulação do processo de produção, pode-se perder muito da tipicidade dos vinhos produzidos pela Chardonnay gerando vinhos muito diferentes dos estilo borgonhês. Talvez seja a uva mais globalizada de todas.


Degustação foi presidida pelo sr. Mário Mucheroni e precedida por breve esplanação. Foram servidos seis vinhos sequenciais ás cegas , em taças I.S.O. na temperatura aproximada de 10 graus Celsius.


Vamos a eles.







1 - Salton Virtude 2008 - Salton - Bagé\Campanha - Brasil.

Vinho de coloração amarelo palha com toques verdeais no nariz mostrando frutas em calda como abacaxi e laranja com especiarias tipo cravo e canela. Faltou um tico de acidez talvez por uma fermentação malolática mais longa, não percebi mineralidade e influência da barrica com baunilha e manteiga bem discretos. Um vinho elegante e correto. Nosso canditato nacional se comportou muito bem nessa degustação; nos agradou muito e termos começado com ele foi uma grande sacada pois aguçou o paladar e raciocínio enológico. Não tivemos coragem de palpitar seguramente qual vinho seria, pois estava muito delicado e equilibrado sugestionando uma origem francesa.


2 - Bourgogne Couvent des Jacobins 2006 - A.O.C. Bourgogne - Maison Louis Jadot -Beaune FR.

O segundo vinho bem fresco e frutado mantendo sua elegância; apresentava coloração amarelo palha. Mais delicado e complexo que o nacional mostrando frutas maduras como pera e maçã verde com toques cítricos. Mineralidade já presente com maior influência das barricas sem exagero com baunilha e balas de caramelo. Seguia -se com tostado final e retrogosto agradável.
Sutil com toques florais melhor percebido pelas colegas mulheres. Bom equilíbrio de acidez.


3 - Gerovassiliou Chardonnay 2005 - Domaine Gerovassiliou - Epanomi - Greece.

Agora veio o greco para agitar a degustação. De cara percebemos que toda sua potência e mineralidade viria de um vinhedo nessa região. Amarelo ouro ,untuoso e frutas em calda como abacaxi e casca de laranja com mel e baunilha. Bom tostado com frutas secas como amêndoas ;brindado com mineralidade e acidez marcante. Foi de primeira: esse é o grego!






4 - Bom Vallon Chardonnay sur lie 2008 - De Westhof Estate - Robertson - África do Sul.


Esse talvez foi o vinho mais fácil da noite pela sua jovialidade e sem barrica; quando foi servido possuía no fundo do copo algumas bolhas residuais. Muito jovem e fresco com aromas de melão, maçã verde, kiwi e floral mais acentuado. Acidez bem acentuada por naõ ter fermentação malolática e gosto mineral\carvão\queimado no final de boca. Foi muito boa escolha pois assim pudemos conhecer a outra faceta da chardonnay sem passagem de barrica, mostrando assim que pode ser feito um grande vinho sem a necessidade de carvalho; gerando vinhos elegantes com bastante frescor. Grande sacada da noite. Esse é o sul africano!

5 - Amayna Chardonnay 2006 - D.O. Valle Leyda - Viña Garcés Silva - Chile.

Aí veio nosso amigo chileno com coloração amarelo palha\ouro bem intensa com aromas frutados já um pouco passados com laranja, damascos e para alguns lichia. De todos foi o que apresentou maior toque herbáceo com baunilha e mel presentes. Discreto amargor final não danificando seu retogosto que manteve-se agradável. Sentimos que para essa degustação estava já entrando em decadência, não podendo ser comparado em igualdade de condições com os outros.

6 - Catena Alta Chardonnay 2006 - Bodega Catena Zapata - Lujan de Cuyo - Argentina.

Grande vinho da Catena de coloração amarelo palha com verdeal,flores e muita fruta branca como maçã verde e melão que casou muito bem com sua acidez nos fazendo pensar em carambola. Barrica no ponto com baunilha\caramelo sem enjoar mantendo frescor até o final. Vinho muito bem equilibrado para quem gosta de fruta, baunilha e frescor na mesma taça sem exageros.



Concluindo o vinho mais votado por todos foi o grego da Domaine Gerovassiliou, seguido paradoxalmente pelo chileno Amayna. Ficaram empatados o nosso Salton que não fez feio frente ao francês e argentino que ficaram empatados em terceiro lugar. O sul africano amargou a lanterna porém para mim sua presença nessa degustação foi de fundamental importância e não denota de forma alguma ser um vinho simples.


Para saber mais:


1 - Salton.
2 - Louis Jadot.
3 - http://www.gerovassiliou.gr/
4 - http://www.dewetshof.com/
5 - http://www.vgs.cl/
6 - http://www.catenawines.com/
http://www.mistral.com.br/

terça-feira, 11 de agosto de 2009

DE VOLTA DO RIO - DEGUSTAÇÃO CONFRARIA DOS MALAS - 29 DE JULHO DE 2009

Olá pessoal e que me desculpem os confrades mas estava meio atarefado em virtude do movimento de julho emendado com o 28 Congresso Carioca de Cirurgia Plástica. Apesar de ter ficado longe de vcs e degustar mais cerveja do que vinho, tive a oportunidade de fazer novos amigos e agrupar uma infindável quantidade de temas para novos posts..

Nessa minha viagem de cunho científico pude dar minhas escapadas e conhecer alguns lugares pitorescos da Barra ao Leblon, escoltado pelo mais novo amigo - ala Marcão. Pude ter realmente a idéia de como é ser um carioca e entender o "carioca way of life". Meus próximos posts terão sobre a viagem e seus dintornos.

E posso lhes garantir que o Rio de Janeiro continua lindo.......

Para não ficar em falta com os colegas da confraria, vai aí os nossos últimos vinhos degustados antes da viagem:


O primeiro vinho da noite foi o espumante rosé gaúcho de Flores da Cunha; Luiz Argenta feito assemblage pouco usual das uvas cabernet sauvignon, franc e merlot pelo método Charmat. Apresentou uma coloração rosa -cereja porém não pude perceber seu pérlage inicial pois cheguei bem atrasado. Os outros confrades me garantirem que apresentava-se intenso no início com boa espuma e bolhas finas para médias. Aromas um pouco fechados com predomínio de maçã e de fermento\pão. Infelizmente não posso avaliá-lo pois já não estava na temperatura ideal. Todos os demais aprovaram.

http://www.luizargenta.com.br/








A seguir veio mais um bom vinho desse criterioso enólogo Thierry Villard com o seu tinto L'assemblage Grand Vin 2005; cujo próprio nome já nos antevê uma mistura de cabernet sauvignon que deu corpo e toque herbáceo, syrah com fruta jovem e potência . Já a Petit verdot (cor) e merlot (arremate) que não consegui identificar sua real contribuição. De coloração rubi intensa com toques violáceos, apresentou aromas frutados de amora, cerejas e mirtilos com boa presença de pimenta e herbáceo mato cortado- menta bem acentuado. Bom corpo e estrutura equilibrada com taninos bem macios. Uma boa compra.


http://www.villard.cl/









Pra terminar a noite , foi escolhido um Pinot Noir Neozelandês Frammingham vintage 2006 da região de Malborough. Vinho de coloração rubi com grande intensiadade aromática com cerejas, morango e framboesa, médio corpo e taninos bem agradáveis . Fácil de beber e de se degustar em comparação com outros do genero que já provei. Achei pouca interferência da madeira com baunilha e especiarias terminando o bouquet. Tb aprovado.

http://www.framingham.co.nz/









Bom por hoje é só e esperem pelos novos posts


ABBRACCI!!!

domingo, 5 de julho de 2009

Menu Amigo - Tagliatelle Paglia e Feno al Ragu di Braciola da Lelé - 04\07\2009



O primeiro "Menu Amigo" do blog; espaço onde nossos colegas podem colocar suas receitas, era para ser na verdade de um papardelle ao ragu de cinghiale ou melhor javali. Mas em virtude de vários compromissos individuais abortamos este ragu e mantivemos a idéia de se fazer a pasta caseira com um molho mais caseiro ainda: macarrão com molho de bracciola. Acho que poucos pratos de origem italiana carregam tanto nossa identidade genética como este. Lembro-me de minha avó com minhas "tias" preparando essas massas caseiras aos domingos; levando horas a fio num trabalho muito divertido. Feita originalmente com coxão duro ou patinho, este corte sobrevive a um grande tempo de cozimento e transfere ao molho seu sabor e corpo singulares tanto da carne como seu recheio. Miguleluccio ficou encarregado do preparo da massa "in loco" e já trouxe o molho apurado de casa. Já a bracciola ele fez questão de manter segredo quanto a sua duvidosa origem.


Estavam presentes Nelsom, Miguel e seu filho Rafael, Bob, Cecato, Silvio e Humberto.


Em muitas regiôes da Itália, principalmente de Roma em diante, se entende por “braciola” a bisteca da carne com osso, ou seja , um tipo de corte da carne muito semelhante ao da bistecca alla fiorentina. Já a braciola para os italianos do sul, é o "involtine" para os do norte: rolinho de carne que "envolve" um recheio teoricamente mais gostoso, que se pode preparar de múltiplos modos e com diversos tipos de carne e recheios. É uma receita tipica de inverno e das festas de "Il Carnevale" ou simplesmente para ser servido aos domingos. Te lembras de algo? O que confirma realmente ser uma receita sulina da Campagnia - Nápoli é a caracteristica típica de fazê-la cozida no molho de tomate (al sugo) em fogo baixíssimo por 4 a 6 horas. Massas que mais combinam são o orecchiette, qualquer massa longa (espaguete por ex.) ou um bom nhoque da batatas. Na verdade pode-se usar sua criatividade utilizando vários tipos de carne e recheios omitindo ou acrescentando ingredientes. Dependendo das região italiana pode ser feita de vitelo mais ao norte ou de porco/javali na toscana; com molho encorpado ou mais suave e delicado.



Miguel e Nelson conferindo a pasta.


Vamus lá.

ingredientes para a tradicional braciola napoletana.

  • 8 bifes de coxão duro (patinho)
  • 8 pedaços de bacon longos e finos
  • 8 filetes de cenoura cortadas no comprimento
  • 8 vagens
  • 8 fatias de mussarela
  • 8 fatias de pimentão
  • 8 cebolinhas

Modo de Preparo para 500 mg de massa.

Espalme um bife e preencha com os ingredientes acima lado a lado e enrole como se fosse um rocambole. Para que não se abram durante sua longa jornada no molho, fixe as estremidades com palito de dente e um no centro. Pode-se amarrar com barbante ao invés do palito; dá mais trabalho primeiro pra amarrar e depois desenrolar no prato. Avisa os trogloditas pra tirar os palitos com cuidado antes de comer e ponha um número fixo de 3 palitos inteiros por peça.

Ecco!!! la braciola ou involtino

E o ragu?

Primeiro doure as "braciolas" numa panela grande com azeite suficiente.

Acrescente cerca de 1 litro de molho de tomate al sugo de sua preferência e deixe cozinhar em fogo baixo até que as braciolas estejem realmente macias ao toque com um garfo e o molho apurado ao seu gosto. Se o molho secar demais antes da carne estar pronta pode-de acrescentar mais água ou caldo de carne. Cuidado para o molho não queimar no fundo da panela tb!!!! Tem gente que faz na pressão mas não aconselho.

Gosto de servi-las numa travessa de vidro grande, com bastante massa al dente e coloco o molho e as braciolas por cima. Tem mais cara de vó e de domingo. Polvilhe com bastante parmesão ralado na hora e abra um bom vinho tinto italiano de médio corpo que pode ser um rosso de montalcino, chianti ou aglianico .

Tintos que foram abertos :



1 - Le Monache 2006 - Monferrato Rosso - Piemonte - Michele Chiarlo .O Le Monache é um corte da uva Barbera 70%, típica da região, com as francesas Merlot 10% e Cabernet Sauvignon 20%, fermentado e afinado em aço a fim de preservar ao máximo a sensação de fruta fresca e a delicadeza.
http://www.chiarlo.it/italiano/vini/le_monache/scheda_vino.htm

2 - Mont Gras Quatro Reserva 2003 - Vale Conchággua - Chile. Foi o primeiro vinho que comprei depois do curso básico da A.B.S em 2005 . São quatro uvas entre elas cabernet sauvignon, syrah, carmenére e merlot. Na primeira garrafa que abri em 2005 estava muito jovem e tânico, diferente de hoje que estava redondo com frutas maduras e especiarias - creio que está no seu auge. Pena que já tomei todas....
http://www.montgras.cl/english/home.htm

3 - La Segreta 2005 - IGT Sicilia -Planeta . Mais um bom vinho dessa inovadora vinícola Planeta. Assemblage de 50% Nero D'Avola, 25% Merlot, 20% Syrah e 5% Cabernet Franc. Vinho com boa acidez e frutado em calda. Compatibilizou bem com o prato, mas achei um pouco cozido; não sei se foi o calor da Sicília.....
http://www.planeta.it/home.htm
Gostaria de agradecer tb ao Nelsom pela sua corriqueira cordialidade e carinho na arte de receber os amigos em sua propriedade; e pela sua máquina elétrica de fazer pasta caseira importada diretamente do free shop do Paraguay. Sem ela esse almoço não seria possível. Creio neste momento que Miguel com sua experiência acumulada na área; está transformando essa pasticcera numa boa máquina de fazer churros, fios de ovos ou caldo de cana.

Buon apetito!!!!!!!!

domingo, 7 de junho de 2009

PINOT NOIR - DEGUSTAÇÃO ABS - SÃO CARLOS

Nesta quinta feira 04\06\2009 tive a oportunidade de participar de uma degustação de vinhos da uva Pinot Noir promovida pela ABS - São Carlos , seguido por um jantar de harmonização. A pinot é conhecida por ser uma uva que produz vinhos de pouco corpo e com grande intensidade aromática , que dificilmente se adapta e consegue gerar vinhos de alta complexidade como em sua terra natal: a Borgonha. Nessa degustação pudemos analisar e entender melhor o comportamento desta casta em seis "terroirs" diferentes, mostrando-nos toda as suas características dentro e fora de casa.

Após aula sobre o tema deu-se inicio a degustação ás cegas ,que foi presidida pelo sr Mário Mucheroni , e os vinhos foram servidos a temperatura aproximada de 14 graus Celsius em taças ISO sem decantação prévia. Vamos a eles:



1 - Spatbourgunder Kleines Holzfass 2007 - Eugen Muller - Alemanha.

2 -Bourgogne Les Champs d'Argent 2006 - AOC Bourgogne - J. Cacheux- Beaune - França.

3 - Franz Haas Pinot Nero DOC Alto Adige 2004 - Itália.

4 - Quinta da Neve Q Pinot Noir 2006 - São Joaquim - Brasil.

5 - Terranoble Reserva Pinot Noir 2007 - DO Casablanca Valley - Chile.

6 - J. Lohr Crosspoint Pinot Noir 2006 - San Jose - CA - Estados Unidos.






Nosso primero desafio foi descobrir quais eram os do velho e do novo mundo. Os tres primeiros eram europeus com aromas mais delicados, mais equilibrados e pouco encorpados, sendo que os do novo mundo eram mais encorpados, intensos e um pouco mais alcoólicos.

O alemão mostrou-se límpido com coloração rubi e bastante fruta madura como cereja, morango e um pouco groselha , porém sem passagem por barris de carvalho. O mais jovem e frutado de todos com pouca evolução.

O segundo vinho de coloração rubi granada mostrou-se bem evoluido com aromas de couro e sous bois, fruta madura e retrogosto agradável e duradouro. Pouco mais encorpado que o alemão.

Pinot Nero também rubi granada , com aromas terciários mais evidentes com couro, caça, chocolate , café e ao nosso ponto de vista, já estava na descendente confirmando sua safra 2004.

Começamos os do novo mundo com o catarinense bom de frutas com cereja, groselha e framboesa , pouca baunilha, acidez e corpo mostrando um bom equilíbrio para um Pinot Noir nacional. Bom custo benefício que agradou a todos.
Nosso colega chileno mostrou-se encorpado e pouco frutado. Ao meu ponto de vista sobrou no álcool. Desagradou-me sua acidez marcante e um toque herbáceo exagerado, talvez por uma colheita precoce.

Veio depois o tanque de guerra norte-americano rubi -granado com seus 14,5% de álcool, aromas de cereja, morango e groselha, belo corpo com taninos presentes e saudáveis bem ao gosto de nossos colegas yankees. Gostei muito!
Ao término da degustação, foi servido um belo jantar: Beef Bourguignon com arroz branco e batatas coradas e de sobremesa merengue de morango. Teve também uma salada refrescante....







ABRACCIO!!!!!!!