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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

DEGUSTAÇÃO VINHOS JEAN LEON - MIGUEL TORRES - A.B.S. SÃO PAULO.

Jean Leon entre atores no La Scala.
Olá pessoal! Tudo bom?!

Aproveitando que estava em S.P., dei uma passadinha na matriz para participar de mais uma degustação de vinhos espanhóis. Dirigida pela enóloga Mireia, filha do produtor Miguel Torres, pudemos provar qual a real influência do terroir de Pénedes sobre as uvas internacionais Chardonnay, Merlot e Cabernet, sem a inserção de uvas espanholas no corte.



Primeiro assistimos a um vídeo institucional que narra as peripécias de Jean Léon desde sua saída em 1941 de sua cidade Santander, passando por Barcelona e Paris, até seu destino final: Hollywood. Trabalhando no famoso restaurante Villa Capri, conheceu atores e atrizes como Natalie Wood, Grace Kelly, Lana Turner, Judy Garland, Debbie Reynolds, e finalmente  James Dean com quem iniciou seu projeto: o restaurante "La Scala". Rapidamente La Scala se tornou um clássico de Hollywood; ponto de encontro e de glamour da meca do cinema .

 Jean León e seu restaurante chegaram ultrapassar sua fama e se tornaram personagens de best sellers de ficção de amor e luxo, destacando os escritos por Jackie Collins e Judith Krantz. Muito conhecido no circuito enogastronômico por seu conhecimento sobre vinhos, sentiu a necessidade de produzir o vinho perfeito, a seu gosto e decidiu procurar o terroir ideal para realização de seu projeto: criar um vinho com seu nome.  Nascia a vinícola Jean Léon que em Penedes, com cepas compradas de Château Lafitte-Rothschild, La Lagune e Corton Charlemagne.

Vamos aos vinhos, todos D.O. Pago Penédes:


1 - Jean Leon Chardonnay 2010.
Um Chardonnay muito elegante que me impressionou pela acidez e frutas, notas de tostado e barrica presente porem suave. Belo frescor e untuosidade e depois de um tempo na taca abriu aroma floral bem agradavel. 

2 - Jean Leon Merlot 2010. 
Sua coloração era bem intensa de rubi com aromas tostados iniciais que depois abriram espaço para frutas negras maduras,violeta e no final um pouco de aromas terrosos e café. Belo custo beneficio e perfeito para gastronomia.


3 - Jean Leon Cabernet Sauvignon Reserva 2005. 
Esperava um pouco mais deste Cabernet que abriu com aromas mentolados para depois vir o frutado tipico bem maduro . Bom corpo com um meio de boca um pouco vago e final curto, taninos jovens porem bem resolvidos,  provavelmente pelo verão quente deste ano segundo.

4 - Jean Leon Cabernet Sauvignon Gran Reserva 2001 - Vinya La Scala. 
Toda garrafa que possue uma obra de arte no seu rotulo mereceatencao e respeito, ainda mais quando pintado pela mae da enologa e teve inspiracao na " transformacao". Como todo bom espanhol, mostrou perfeita integracao entre fruta e barrica (25meses de carvalho frances novo) mantendo acidez denotando frescor .Com dez anos mostrava maturidade na fruta negra, que depois chamaram aromas lacteos, especiarias, café, sous bois com final balsâmico terminando um longo e agradável retrogosto. Vinho bem resolvido a comprovar pelos seus taninos e pronto para o consumo. Impressinados com a bela acidez deste vinho, a enologa nos confessou que a fermentacao malolatica era realmente induzida após cerca de 20 dias  de sur lie com bacterias selecionadas e interrompida no ponto certo, justificando aromas e acidez. Classe e elegancia resumem este vinho.

Espero que tenham gostado e

Abbracci a tutti!


Quem traz é a Devinum 021 - 2215 4966.

domingo, 4 de abril de 2010

CONFRARIA DOS MALA - 31\03\2010.

Olá pessoal, tudo bem?

Deixa eu botar a ordem na casa porquê já faz uma semana que não escrevo um parágrafo e meus posts estão acumulando. Nossa confraria se reuniu para brindar o calor com dois brancos monovarietais; um de Vermentino e outro de Riesling. Então sem mais delongas vamos a eles, enquanto os aromas de um ragú alla bolognese no fogo para a lasagna verde de amanhã estão me instigando:

1 - Occhio a Vento 2008 - Vermentino Maremma Toscana Igt I.G.T. - Rocca delle Macie - Itália.

Primeira vez que degusto um vinho feito de 100% da uva Vermentino, que geralmente apenas complementa outros cortes ou produs vinhos típicos na Ligúria junto com as Bosco e Albarola; e sinceramente me agradou. Jovem, ácida e fresca mostrou aqueles aromas de frutas cítricas, mentolado, florais e pimenta branca, sendo bem leve e refrescante. Como apenas 10% passou em barrica, sente-se muito pouco sua influência


2 - Clos Mathis Riesling 2006 - Apellacion Alsace Controlée - Domaine Ostertag - França.

Bom Riesling típico oriundo de um único vinhedo  Clos Mathis, que a partir de 1998 passou a cultivo biodinâmico de seus vinhedos gerando a primeira amostra deste vinho em 2000. Aromas de frutas maduras como abacaxi com damasco e mel em boa acidez. Petróleo e querosene típico da casta que não me impressionaram; talvez por estar muito jovem ainda e pagando um preço alto por ser biodinâmico.






3 - Tributo Cabernet Sauvignon 2007 - Caliterra - Valle Colchágua - Chile.

Tudo o que se espera de um bom Cabernet chileno (91% de Cabernet, 6% de Carmenére e 3% de Petit verdot) o Tributo possue; bem estruturado com aromas intensos de ameixas, floral de violeta e licor de cacau. Herbáceo típico de pimentão verde e balsâmico final com retrogosto bem abradável e persistente com aromas terrosos bem discretos nos seus 14% de álcool. Taninos ainda jovens num vinho sem frescura.

Bom, deixa eu dar uma mexida no ragú!

Abbracci a Tutti!

quarta-feira, 17 de março de 2010

RIQUEZA E DIVERSIDADE DE VINHOS BRANCOS PORTUGUESES A.B.S. SÃO CARLOS - 11/03/2010

Olá pessoal! Tudo bom?

Portugal é um país de vinicultura muito expressiva nos vinhos tintos, mas seus os brancos tem alcançado níveis de qualidade reconhecidos internacionalmente. Desde os Alvarinhos, passando pelos cortes tradicionais do Douro e do Alentejo, até os brancos da Bairrada, encontramos vinhos que apresentam uma gama aromática muito ampla. Foram escolhidos especialmente cinco vinhos de regiões diferentes para comemorar o Dia Internacional da Mulher. Após breve introdução de Mário Mucheroni, demos início á degustação com comentários do chef e enólogo português Jerônimo Duarte.

Vamos aos vinhos:

1 - Rolan Alvarinho Colheita Selecionada 2007 - Rolan Explorações Vitivinícolas - Minho.

Feito com 100%  de Alvarinho, ficou 5 semanas em inox "sobre as lias" para ganhar em aromas e complexidade sem ver barricas. Mostrou-se muito fresco com aromas de frutas cítricas como limão siciliano e toque mentolado exelente para ser degustado numa piscina ou para entradas de frutos do mar.

2 - Quinta do Saes Reserva Branco 2006 - Dão D.O.C. - Quinta da Pellada - Serra da Estrela.

Corte típico do Dão com Encruzado e Cercial mostrou-se também bem aromático com notas cítricas de lima e algumas frutas secas. Toque herbáceo e aroma típico de "alho cozido" da Cercial. Mineralidade mais intensa com retrogosto frutado e untuoso.


3 - Vinha Formal Branco 2006 - Vinho Regional Beiras - Luis Pato - Anadia - Bairrada.

No melhor branco de L.Pato , a uva Bical foi fermentada em pipas Allier novas  por 12 meses sendo que os 6 iniciais foram "sobre as lias" com trasfegas frequentes. Aroma floral branco com jasmim abre o nariz com fruta madura que difere da boca; onde  mostra untuoso com aromas de bala de leite, pimenta branca e especiarias sendo que apenas a acidez e mineralidade nos faz lembrar o frescor da impressão olfativa. Fino, complexo e elegante. 

4 - Redoma Branco 2008 - Douro D.O.C. - Niepoort Wines - Douro.

Irmão mais novo do Redoma Branco Reserva mostra toda a sua linhagem em "vinhas velhas", com cortes de Codega, Rabigato, Donzelinho, Viosinho e Arinto. fermentado em barricas de carvalho mostra no nariz primeiramente côco branco a pela primeira vez senti aniz característico da Donzelinho. Mantém frutas cítricas com bela acidez e mineralidade derivada do solo xistoso prolongando seu  frescor.


5 - Pêra Manca Branco 2007 -  Alentejo D.O.C. - Fundação Eugênio Almeida - Évora - Alentejo.

Grande vinho fermentado parte em inox e em carvalho francês com batonagens frequentes, passando posteriormente por 10 a 12 meses em barrricas. Feito de Antão Vaz e de Arinto que lhe concede a acidez mostrou-se frutado com aromas de frutas cítricas, frutas secas e na boca untuoso com bala de mel. Bastante frescor e mineralidade num vinho complexo, porém concordamos todos que um pouco mais de garrafa iria lhe cair muito bem.

Bem didática, essa degustação pôde nos mostrar todo o potencial Lusitano na vinificação de brancos com grande variedade de uvas autóctones e terroir. Com notória  complexidade, apresentaram-se  frescos, aromáticos e muito equilíbrados com um toque de mineralidade e untuosidade.

 A foto ao lado segue como um apelo particular  para ser iniciada a campanha pela a versão tinta dessa degustação. Após a degustação, foi servido um jantar harmonizando com tradicional bacalhau ao forno.

Crédito das fotos Do Douro e do Dão  para Mário Mucheroni durante a viagem da A.B.S. a Portugal no ano de 2006.

Vinhos 1 e 5 da Adega Alentejana e 2, 3 e 4 Mistral.

Abracci a tutti!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

DIVERSIDADE E ENOGASTRONOMIA I - DEGUSTAÇÃO A.B.S. SÃO CARLOS 11\02\2010.

Olá pessoal. tudo bom?

Dessa vez foram escolhidos seis vinhos de varietais diferentes que apresentassem grandes diversidade de aromas e sabores. Intensos, encorpados e frutados eles foram perfeitos para treinar nossos sentidos.

Vamos lá:

1 - Nedenburg Manor House Sauvignon Blanc 2008 - 13,5 % - Stellenbosch - África do Sul.

Nosso primeiro branco pode ser definido em duas palavras: acidez e herbáceo. Frutado com limão siciliano e a típica goiaba tornando-o bem amplo com florais e refrescante.

2 - Bleasdale Holdfast Chardonnay 2008 - 14%- Laghorn Creek - Austrália.

  Esse branco sem barrica era pura fruta branca como pêra e melão e na boca bem untuoso. Àcido e jovem; para mim os aromas estavam fechados no nariz que depois abriam na boca e no retrogosto.


3 - Mas des Aveylans Cuvée Prestige Syrah 2005 - 14 % - Bellegard - França.

 Primeiro tinto com aromas de frutas negras e tipo amoras e cassis com especiarias tipo aniz estrelado. Bom corpo e taninos pouco evoluídos e toque tostado bem evidente com discretíssimo amargor final.

4 - Specialties Malbec West Andes 2008 - 14,5 % - Vale Cachapoal - Chile.

Achei bem interessante esse Malbec que pulou o muro do quintal de casa (Cordilheira dos Andes) e foi dar frutos no Chile. Violáceo puro, sem halo de maturação com aromas de frutas em compota negras e floral com violetas. Gostosa baunilha que associado ao côco e taninos jovens liberam uma sensação de final de boca bem plena e duradoura.


5 - Vila Santa Trincadeira 2006 - 14,5 % - Estremoz - Portugal.

Aromas amplos de frutas vermelhas com taninos ainda jovens porém muitos agradáveis e acidez marcante. Médio corpo com baunilha no ponto com toque herbáceo agradável e trufas. Boa indicação para enocompatibilização com carnes assadas e cordeiro.



6 - Luccarelli Primitivo di Manduria 2006 - 14,5 % - Salento - Itália.

 Para mim o melhor vinho da noite concentrado, encorpado e rico de aromas frutados como geléia de frutas vermelhas. Taninos bem macios e evoluídos apesar da idade, com sabores de licor de cacau, cravo, pimenta e mentolado com final bem longo e prazeiroso.

Bela noite que terminou com filé  que deveria ser provado com 3 molhos diferentes e vinhos, mas o primeiro molho tava tão bom que.....
 
Para saber mais:
 
1 - Distell Limited.
2 - Bleasdale Vineyards.
3 - SCAE Chatêau de Aveylans.
4 - Viña Santa Carolina.
5 - João Portugal Ramos Vinhos.
6 - Feudi San Marzano.
7 - Casa Flora.

Abracci a tutti!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

DEGUSTAÇÃO R. LOPEZ DE HEREDIA - VIÑA TONDONIA A.B.S. SÃO CARLOS.

Olá pessoa! tudo bem?

Começamos muito bem nossas atividade da A.B.S. São Carlos de 2010.   E não foi apenas uma degustação, foi uma aula de história e de vinho. Tivemos a Espanha como país, Rioja como região e simplesmente a R.Lopez de Heredia  - Vinã Tondonia como vinícola. A cultura do vinho em Rioja começou no final do século XV a partir da retomada da região pelos cristãos que construiram monastérios  para abrigar e dar suporte aos peregrinos cristãos em viagem á Santiago de Compostela onde está o túmulo do apóstolo Tiago. Deve sua modernização aos comerciantes franceses, que para suprirem o mercado interno após  a devastaçã de seus vinhedos pela phyloxera, começaram supervisionar e importar os produtos espanhóis a partir de 1840.

Foi classificada com D.O.Ca. (Denominación de Origen Calificada) em 1991,  e tem como uvas permitidas a nativa e principal Tempranillo, a Garnacha frequentemente adicionada á Tempranillo para dar maior corpo aos vinhos de corte, a Mazuelo (Cariñena ou Carignan) e a Graciano, sendo que a última contribui bastante para o aroma do vinho. Das brancas temos a Viúra conhecida tamém como Macabeu e a Malvasia que confere aroma de mel aos vinhos.

Tudo começou com o imigrante chileno filho de bascos; Don Rafael  que viajou para a Espanha com 14 anos a fim de completar seus estudos com os jesuítas. Seus familiares militavam na guerra civil , porém no lado errado e tiveram que exilar-se  para a região da Borgonha. Lá aprendeu as mais modernas técnicas de vinificação resumidas no modo de fermentação e envelhecimento em barricas de carvalho. Após a tempestade passar, retornou para Rioja onde fundou em 1877 a R. Lopes de Heredia, gerida hoje pelos seu netos seguindo a risca  sua cartilha.
Os 170 hectares de A R. Lopez de Heredia  estão situadas  num terroir privilegiado cortada pelo rio Ebro em solo argilo-calcário, protegido de ventos fortes chuvosos vindos do Atlântico e pela Serra da Cantábria ao norte e oeste  na Rioja Alta, cidade de Haro capital da província. Segue na contramão da vinicultura moderna que  apela para vinhos extremamente frutados, estruturados, tânicos e alcoólicos; acreditando que o caráter de seus vinhos está no meticuloso cuidado de vinhedos antigos com baixo rendimento e  colheita de frutos no ápice de amadurecimento  e com  envelhecimento lento em carvalho como há 130 anos.

 Produz á  moda antiga bordalesa com fermentação em grandes barris de carvalho de várias origens  com mais de 100 anos que possuem no seu interior, aderido ás paredes placas de tartarato que abrigam as primitivas leveduras necessárias á sua fermentaçao, como uma colônia de corais, não necessitando assim da adição de fungos. Depois é trasfegado para barris 225 litros de carvalho americano com média de 15 anos de idade para microxigenação e estabilização, para serem engarrafados e vagarosamente educados em 3000 m2 de galerias a 11 metros de profundidade sem nunca verem inox. Acreditam que  essa "crianza"  lenta em carvalho é que transfere a personalidade e características típicas do vinhos de R. Lopez  de Heredia, gerando vinhos aromáticos e de sabores únicos com inconfundível toque abaunilhado. Nesse processo o vinho não sofre filtração, é apenas trasfegado e clarificado com ovos frescos selecionados. Trata-se de um processo mais custoso que metodo tradicional, com uma produção de apenas 700.000 garrafas ano.

Vamos aos vinhos:

1 - Viña Gravonia Crianza Blanco 1998.

Vinho mais jovem feito de Viura (100%) passado em barrica por 4 anos, submetido a 2 trasfegas por ano e clarificado com claras de ovos frescos. Coloração amarelo palha com aromas de  amêndoas e frutas em calda como abacaxi  com bela acidez e bala de caramelo mantendo ainda frescor impressionante  de vinho jovem com leve mineralidade.

2 - Viña Tondonia Gran Reserva Blanco 1987.

Feito de Viura (90%) e Malvasía (10%) com nove anos de barrica com 2 trasfegas por anos e e clariificado com claras de ovos frescos. Vinho de 12% de alcool de coloração amarelo com toques dourados com aromas tostados de frutas secas como amêndoas e  nozes, manteiga de início e cheiro de silo como milho e frutas como laranja em compota associado a mineralidade com discreto amargor final que não compromete. A Malvasia apresenta um toque de mel ao vinho, e nos dá a impressão de algo parecido com Botritis tipo um Sauternes.


Primeiro tinto da noite tendo como uva de base a Tempranillo (65%) acompanhada das Garnacho (25%), Mazuelo y Graciano.Teve sua crianza em barrica por 3 anos, submetido a 2 trasfegas por ano e clarificado sem filtrar.Vinho mais jovem da noite de coloração rubi com toques granada de médio corpo, com aromas de frutas negras como ameixa, amoras e framboesas, com toque baunilhado bem suave, especiarias como aniz estrelado e retrogosto sincero com taninos adstringentes e macios com pimenta no final. Vinho muito bom para acompanhar um belo prato de carne ou degustá-lo simplesmente

4 - Viña Tondonia Reserva Tinto 1999.

Agora o negócio começa a ficar mais sério como nossoTempanillo (75%), Garnacho (15%), Graciano e Mazuelo (10%) envelhecidos 5 anos e meio em barricas com 2 trasfegas por ano e clarificado sem filtrar.
Apenas 12,5 % de álcool num vinho de coloração rubi granada algo mais encorpado que o crianza mostrando  aroma delicado de frutas vermelhas maduras com aroma de canela e cravo com taninos bem delicados e macios e um retrogosto muito fino e abrangente.

5 - Viña Tondonia Gran Reserva Tinto 1987 .

 Essa é a grande jóia da vinícola que só é produzida em grandes safras e  mostra o  melhor que o terroir de Rioja pode produzir. Mesmo corte Riojano de Tempranillo (70%), Garnacho (20%), Mazuelo e Graciano que permanece seus 8 anos de envelhecimento com 2 trasfegas anuais e também clarificados; não filtrados antes da garrafa por onde permanecem por mais 6 anos antes de irem para as lojas.

Vinho de coloração rubi granada com aromas de frutas vermelhas maduras, toques terrosos, trufas e especiarias. Muito delicado na boca, retrogosto suave persistente com taninos muito evoluídos.

São vinhos muito finos e elegantes conservados nos poucos 12 a 13%  de álcool, e do meu pontos de vista por passarem por  grande tempo em barricas distintas de carvalho, acabam absorvendo e acumulando nuances que somente a idade de cada barrica pode oferecer. Essa sequência de tintos pôde mostrar a presença muito delicada da fruta que ganhava matizes diferentes dos tostados e baunilha com o envelhecimento do vinho, tornando-os mais complexos.

Esses vinhos realmente fazem parte de um capítulo á parte do livro dos grandes vinhos e nos mostram uma visão fiel de como era a vitivinicultura  a 130 anos atrás, dando extrema atenção ao terroir e cuidado quase que maternal aos seu vinhos na crianza. Ignorou a modernidade para privilegiar a tradição na produção de seus vinhos.

Pela primeira vez me senti muito abaixo de um vinho, não derrotado mas estimulado e foi um divisor de águas na minha vida enológica.

Vou comprar uma garrafa do Gran Reserva Tinto, colocar na  adega e abrir somente quando ela achar que eu já estou pronto para bebê-la....
 
Para saber mais:

1  - R. Lopez de Heredia.
 
2 - Vinci Vinhos

3 - Rioja wines.

4 - El Rioja.

P.S: Vejam o cuidado com o lacre  feito de uma material plástico muito similar áquelas ceras antigas e a tela de metal que abraça e envolve a garrafa: tradição antiga usada para evitar que hajam violações e falsificações.

Abbraccia tutti!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

DEGUSTAÇÃO ESPUMANTES E CHAMPAGNE A.B.S. SÃO CARLOS TABLADO DOS SABORES - 26\11\2009

Olá pessoal, quinta foi dia de degustação especial de espumantes  realizada no Restaurante Tablado dos Sabores localizado na Praça da Reitoria da UFSCAR. Aproveitando o clima quente e de festa por ser a última do ano, estes espumantes cairam muito bem.

Após os quatro primeiros brancos  Chef Duarte Jeronimo, na foto junto com Eustáquio nosso diretor administrativo, preparou um cardápio especial, mas antes vamos aos vinhos.





1 - Nedenburg Premiére Cuvée Brut - África do Sul.

Esse sulafricano foi feito de Cape riesling (45%), Chenin blanc (36%), Chardonnay (12%) e Colombar (5%) provenientes de Western Cape plantadas entre 1989 e 1994. Ao exame visual bela rosácea sobre um vinho amarelo palha com toques verdeais, com múltiplas e finas bolhas com aromasde frutas citricas  limão e abacaxi e toque de nozes bem suave. Boa acidez e refrescância no método Charmat.

2 - Blanc de Blancs Brut Viña Casablanca - Chile.

Feito de Chardonnay (92%) com Chenin blanc (8%)  este espumante de coloração amarelo palha apresenta como aromas minerais seu primeiro ataque com boa cremosidade e algum sabor fermentado final como casca de pão. Pouca fruta citrica como limão siciliano  que abriram um pouco mais no final. Acidez bem agradável.

3 - Cava don Roman Brut - Espanha.

Primeiro champenoise da noite feito de Parellada, Macabeo, Xarello por uma cooperativa de Pénedes, mostrando claramente a diferença entre os métodos tradicional e charmat na produção de espumantes
Logo no visual percebe-se uma rica mousse ao redor da taça com múltiplas e finas bolhas. Aromas de fermentação como casca de pão e fermento associado a frutas secas como nozes e amêndoas. Frutas já eram mais maduras como abacaxi e maracujá que completavam boa refrescância ao paladar. Bela Cava.

4 - Champagne Deutz Brut Classic - França.

Nossa champagne noite foi feita com todas as uvas permitidas na denominação (Chardonnay, Pinot noir e Pinot meunier) em um terço de cada na proporção, com mais de sessenta vinhos base diferentes. De cor amarelo palha; no nariz apresentando aromas de frutas secas e cítricas com baunilha no final. Bela perlage com aroma de pão fresco, tostado, nozes e amêndoas. As frutas são mais maduras como abacaxi, laranja e maracujá na maior mousse e final mais agradável de todos.Vinho da noite!

5 - Espumante Bruto 3B Filipa Pato  - Portugal.

Este português da Bairrada foi feito pelo método tradicional por Filipa Pato. Baga  tinta em 70 % foi responsável pela estrutura; e a branca Bical em 30%  colaborou com a acidez e cremosidade. Bela coroa de espumas em base rosa-salmão com aromas florais tipo rosas e frutas cítricas associadas a toque mineral bem discreto. O seu terceiro B faz alusão á região da Bairrada, pois essa  não pode vir grafado em seus rótulos por não fazer parte da denominação. Teve como entrada  uma surpresa feita especialmente para ocasião; de manga grelhada com uma sopa fria típica portuguesa com pepino, pimentão, tomate que estava delicioso e refrescante. Par perfeito! No meu ponto de vista ficou em terceiro lugar, mas cresceu com o prato.


PratoPrincipal: Risoto de Frutos do Mar com Cogumelos Portobello, Duo de Pargo Vermelho, Salmão e Camarão.


Para acompanhar o jantar foram servidos os espumantes Rondinée Brut e Rosé produzidos pela Cave Hermann, parceria da Decanter que fez o vinho base e Vinícola Aurora que os  "espumatizou"  ou "charmatizou". O espumante Rosé apresentava discreto açúcar residual num vinho com aromas de frutas tropicais e rosas; e o branco estava mais redondo e refrescante característicos da Serra Gaúcha. Como foram servidos juntos com as refeições; permito degustá-los e opinar numa outra oportunidade.
 
Sobremesa: Figos Assados, Coalhada Seca, Mel de Alecrim e Sorvete de Creme.


Para saber mais: 
 
1 - Nederburg.
5 - Deutz 


Importadora Casa Flora.






P.S.: Tava tão bom que esqueci de tirar as fotos da garrafas abertas, e já começava a contemplar o que está por vir no próximo ano!



Abracci a tutti!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

SEGUNDA DIVINO! ODFJELL CABERNET FRANC.


Olá pessoal, nessa segunda na nossa confraria familiar abrimos um Orzada Cabernet franc 2004 da vinícola chileno - norueguesa Odfjell; famosa por produzir vinhos de alta qualidade e usar termos náuticos em seus rótulos. Já havia tomado alguns Cabernet francs franceses como os do Yannick Amirault no Vale do Loire, que achei naquela época um pouco difíceis de beber pela jovialidade e taninos muito duros precisando de um bom prato ou envelhecimento.
Segunda não foi diferente pois era um vinho de coloração rubi pouco granada que no nariz mostrou amora e ameixa madura. Na boca boa acidez, muitos taninos ainda jovens com pimenta e especiarias. Médio corpo bem estruturado com longa persistência,  porém muito alcoólico e tânico. Deixamos de lado decantando quietinho enquanto terminávamos nossa taças com a pizza. Voltamos a ele e mesmo assim mantinha sobra de álcool e taninos duros com amargor final devido toque herbáceo excessivo contrastando com gostosa baunilha e cacau. Bom vinho que manteve minhas expectativas indo bem com as redondas de quatro queijos e calabresa, mas no pós prandial sozinho ficou sobrando. No meu ponto de vista em comparação aos Orzada Carmenére e ao Aliara; ficou um pouco para tráz, mas creio que isso deva mudar em  5 anos de garrafa pois tem potencial de bom envelhecimento.

Vamos tomar os Aliaras do Gil enquanto isso!!!

Abracci a tutti!

Sobre o vinho Odfjell vineyards.

Importadora World Wine.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

DEGUSTAÇÃO ESPECIAL FINAL DE ANO CONFRARIA DOS MALAS - 13\11\2009

Olá amigos! Como de costume, nossa confraria se reune a cada  seis meses para a degustação de vinhos especiais. Esse ano por motivos de agenda, caiu numa sexta feira treze diferente da nossa habitual quinta. Ao contrário da especial de inverno onde tomamos vinhos mais encorpados, escolhemos para aproveitar a estação mais quente dois brancos e um tinto que foram eles:


1 - Clos de Sainte Hune 2002 - Maison Trinbach - Alsácia - França.
 
Este riesling é o mais famoso vinho da familia alsaciana Trimbach, que produz na região desde 1626. Seus vinhos são fermentados em tanques de aço inoxidável sob temperatura controlada e não sofrem fermentação malo-lática, nem passam por amadurecimento em madeira. Vinho de coloração amarelo dourado, apresenta de cara no nariz um aroma mineral intenso como líquido de isqueiro ou querosene. Suas frutas eram maduras e mel, que  lembravam damasco ou pêssego. Bela corpo e acidez que denotava longa refrescância acompanhado do bálsamo eucalipto. Caráter frutado menos persistente que o mineral, que se manteve marcante por toda a degustação.
Segundo Jancis Robinson e Hugh Johnson trata-se do melhor Riesling do mundo, e necessita de pelo menos sete anos para atingir seu auge.

2 - Meursault Blagny 1er Cru  2002 - Domaine Le Roy - A. O. Mersault - Côte de Beaune - França.


Vinho produzido apenas de Chardonnay na Borgonha, Blagny se encontra na divisa entre Meursault e Puligny-Montrachet  que mistura um pouco os estilos das duas denominações, ambas do mais alto nível para vinhos brancos. Um amarelo palha que mostra primeiramente aromas de frutas secas no nariz como nozes e amêndoas abrindo progressivamente para frutas frescas tipo pêssego branco, maçã verde e abacaxi. Na boca mantém presença de fruta fresca e ácida, com mentolado que me confunde com  herbáceo de grama fresca ou manjericão. Peraí que tem baunilhado caramelo e manteiga  no final sem exageros, com pouca mineralidade frente á fruta. Complexo e excitante.

3 - Clos-Vougeot Grand Cru Vieilles Vignes 2006 - Château de La Tour - Bourgogne - Côte De Nuits - França.

Esta  cuvée Vieilles Vignes vem se  igualando, de acordo com a crítica francesa, aos melhores resultados do Domaine de la Romanée Conti, num estilo bastante semelhante. Bom, tudo indicava que esse era o vinho da noite. Estes 750 ml foram  decantados por 1 hora e servidos mililitricamente em sete taças =

107,14285714285714285714285 ml /taça

e...... vinho de coloração ruby granada intenso, que mostra primeiro de tudo fruta em geléia, mas muiiiita geléia como cassis, agroselhas e tudo mais. Aromas terrosos e de folhas em decomposição que, disseram que era bosque e concordo. Médio corpo com tangível  maciez e textura com bastante taninos bem envolventes e maduros de pimenta como especiaria principal e cravo. Aromas de trufas, couro novo com retrogosto de persistência longuíssima e agradável. Fiquei realmente muito impressionado com a qualidade dos taninos deste vinho; daí provavelmente venha sua longevidade. Engraçado que apesar de tudo; o que se sobressai ainda é a fruta. Chega, mais nada a declarar sobre este maravilhoso Pinot Noir.

4 - Vin Santo del Chianti Rufina 2001 - Fattoria di Basciano - Chianti Rufina - Toscana - Itália .


Nosso saboroso sobremesa; feito de uvas Trebbiano e Malvasia apassificadas, ficou meio perdido no meio de tantas estrelas . Porém, se encontrou quando ao lado de seu principal e tradicional companheiro: os cantucci. Ele realmente perde um pouco em relação aos Marsala, Reciotto e Pantelleria como vinho de sobremesa e meditação. Algumas más linguas dizem que serve só pra amolecer os imastigáveis biscoitinhos! Porca tróia! Característica cor dourada ao ambar, apresenta aromas de frutas em calda, passificadas com cravo e canela. Amêndoas e mel fazem parte e por si só já harmonizam com os biscoitos.

Na foto retirada da Animal Planet Italiana, podemos ver um exemplar rústico da Siracusa radicado em Araraquara mostrando como seus ancestrais primitivos degustavam "vinsanto con i cantucci". Note  o modo delicado como segura o biscoito entre os dedos e o "biquinho" característico tipo Fernado Soler.

Os vinhos...





 
e suas importadoras:

1 e 2  para Zahil.

3 e 4  para Decanter.

Em Araraquara no  Empório Basílico.

Biquinho característico Fernando Soler.

Abbracci a tutti e bebam seus vinhos!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

DEGUSTAÇÃO ESPECIAL BURMESTER - ADEGA ALENTEJANA - GRAN RESERVA VINHOS 10\11\2009.



Ontem tive o privilégio de participar de uma degustação de vinhos portugueses da Vinícola Burmester; que realizou-se na Gran Reserva organizada por nossos amigos Clóvis e Elena. Estiveram presentes neste evento, além da tradicional patota da A.B.S., Manuel Chical proprietário da Adega Alentejana e de José Carbalo diretor de exportação da Burmester para América Latina.

Começamos primeiro por uma prova de azeites Eugenio Almeida, que pra ser sincero com vocês foi a minha primeira vez. Com Manuel Chical aprendemos peculiaridades sobre a produção e "tipos" de comercialização do mesmo, e garanto a vocês...... A partir de agora só azeite virgem extra envasado na origem.

Palestra sobre vinhos foi presidida por José, mas tinha algo de diferente... Um português com sotaque espanhol?! Como assim? Na verdade a empresa possue capital espanhol e seu representante comercial também era, como no! Bem simpático com seu portunhol, José passou  um pouco das características da região e dos vinhos tipo: " Douro tien nuove años de inberno e  tres messes de inferno!".
Vamos aos vinhos :



1 - Taveda Tinto 2006:

Vinho feito com um monte de uva portuguesa de nome composto que começa com a letra "T". Jovem de coloração ruby bem intensa, mostrava aromático com frutas vermelhas maduras como cereja e morango, floral como rosas e um pouco de aniz - toque  herbáceo. Discreta baunilha, taninos leves e macios com 12,5 % de alcool que terminam esse vinho. Pode-se harmonizar com massas leves e até como primeiro da noite. Tem seu nome derivado de dois afluentes do Douro que se unem: Távora e Tedo.

2 - Casa Burmester Reserva Tinto 2005.


Também feito com monte de "T" acima sem a Tinta Cão, porém de caráter totalmente distinto.Mais austero de coloração ruby granada de médias lágrimas com aromas de frutas vermelhas mais fechadas. Na boca taninos menos  macios e maior acidez mostrando um vinho com vocação para comida. Boa persistência com madeira e especiarias como cravo e bastante pimenta final. Retrogosto bem agradável . Bateu muito bem com os embutidos mais pesados e com o escondidinho.

A foto ficou meio artística, mas harmonizamos perfeitamente com um embutido de Porco Preto  português trazido pela Alentejana com sabor intenso de carne de porco e defumados com cravo e pimentões. Esse suíno consume cerca de 10 Kg de bolota por dia - o fruto seco com formato cilíndrico das azinheiras e sobreiros. Criado solto no campo, com alimentação natural, anda mais de 10 Km por dia dando um sabor especial. Preciso de mais desses.
 

 

Agora os portos que foram harmonizados com bolachas portuguesas de figo, chocolate e amanteigados.


3 - Burmester Branco Extra Seco.

Esse vai merecer post á parte, aguardem surpresa!!!!!!!!



4 - Burmester L.B.V. 2005.

Primeiro dos  Porto de Tinta barroca e Touriga Franca, coloração Ruby bem intenso com aromas de frutas vermelhas associado a cacau, chocolate e baunilha. Especiarias e pimentas com beloe doce retrogosto.

5 - Burmester Jockey Club Reserva.

Vinho de coloração alaranjada com aromas bem característicos de frutas secas, calda de laranja e frutas tropicais e passas. Associado a caramelo e baunilha com presença de especiarias e frutas secas como amêndoas. Contemplativo, caiu muito bem com uma bolacha portuguesa de figo que era uma loucura.

Bela noite e a parte final de degustação foi realmente ás cegas, segundo José Carbalo pelo apagon!!!

Um abraço a todos e parabéns ao casal Clóvis e Elena pelo evento!

1 -  Burmester.


3 -  Gran Reserva Vinhos e Azeites.
       Rua São Sebastião, 1971 – Centro
       Fone (16) 3374.2028

4 -  Sogevinus.

Foto da degustação ás cegas e abbracci a tutti!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

DEGUSTAÇÃO ÁS CEGAS DE 4 ICONES DO PORTO - IMPERDÍVEL.

Pois é gente, certas coisas acontecem na vida da gente sem explicação. Já tinha acontecido quase de tudo

na minha vida de enoapreciador, mas não esperava que um dia seria agraciado com uma noite como

essa. Estava entre amigos e pude participar na verdadeira degustação ás cegas de vinho do Porto.


Vejam:






Estava numa evento da Adega Alentejana  e graças ao Apagão de terça-feira , tive minha primeira degustação realmente ás cegas!!!!

Desculpem a brincadeira amigos, é só pra descontrair!!!

 Não podia perder a piada e amanhã cedo posto a original.

Abracci a tutti e boa semana!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

ZINFANDEL - QUE UVA É ESSA?

Sempre tive vontade de provar os vinhos feitos com a Zinfandel, mas como sempre tinha uma uva na frente acabava sempre deixando pra depois. Bom foi dessa vez por sugestão do meu personal wine consultor, o Rodrigo do Basílico, comentou que tinha duas boas garrafas no estoque, já tinha provado e estavam muito boas.

Intrigava-me  aquele mistério sobre um vinho do novo mundo feito a partir de uma casta norte americana, de nome meio alemão e genéticamente italiana. Será que no momento da partição geológica do grande continente único de Gondwana; metade das "primitivas" parreiras ficaram com a  Itália e Croácia e o restante foram morar na América. Sei lá, mas o grandes entendedores dizem que estudos ampelográficos recentes mostraram se tratar  geneticamente das mesma plantas Primitivo na Puglia, Zinfandel na California e a mãe de todas Crljenak Kaštelanski, apesar de produzirem vinhos em tese distintos. Ganhou notoriedade na Califórnia onde produz brancos, rosés e seus melhores exemplares tintos caracterizados por intenso aromas frutados tipo raspberry, blackberry, especiarias com carvalho numa graduação alcoólica de 15%.

Tomei o Smith Bench Zinfandel 2005 da vinícola Wente. Localizada no histórico Livermore Valley; é a vinícola familiar mais antiga em atividade comemorando agora 125 anos de fundação. Este vinho é um blend de 89% de Zinfandel com 11 % de Barbera; que foram colhidas e  vinificadas em separado com maturação em carvalho francês e americano.Mostrou se um vinho de coloração rubi granada intensa e denso com muitas lágrimas. Odores primário de frutas negras como ameixa e geléia de cassis com especiarias (pimenta e cravo) terminado num retrogosto agradável de baunilha  e cacau. Acidez presente, encorpado e carnuuudo; porém sobrou um pouco de açúcar.  Gostei   muito dele pois associa tudo de bom que um vinho precisa ter sem exageros.

 Acompanha muito bem uma refeição de pasta condimentada ou carne e pode; se sobrar, continuar tomando depois sozinho....

Achei um vinho um pouco óbvio para uma degustação, pois é muito fácil de beber e não aguça muito os nossos aromas "terciários". Democrático; torna-se excelente pedida para ser servido entre amigos que gostam de vinho numa boa mesa ou para aqueles que querem se iniciar.

Satisfação garantida e a próxima garrafa será degustada em igualdade de condições com um Primitivo.

Zinfandel Robert Mondavi 2005
Para saber mais:

1 - Wente Vineyards. com foto do vinhedo.

2 - Vinhos do mundo.

3 - Empório Basílico.

Abracci a tutti!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

DEGUSTAÇÃO VINHOS DO VÊNETO / MASI PARTE 1 - A.B.S. SÃO CARLOS 08/10/2009

Olá pessoal, dessa vez nosso tour em volta ao mundo vinícola teve como destino a Itália, mais precisamente o Vêneto famoso por suas paisagens, Radicchio, Romeu e Julieta, Teatro di Verona, Veneza e lógico pelo seus vinhos. A história desta região começa com a expansão do império romano, que quando conquistada, passou a ser chamada de Vêneto, nome extraído do povo que alí habitava: os venetti. Durante muito tempo foi rota comercial da antiguidade a partirdo império Bizantino, por onde passavam influências trazidas do oriente transformando-se em importante pólo cultural e de desenvolvimento do noroeste da Itália. Apresenta como capital política Veneza, mas quando o assunto é vinho; ela  muda-se em abril para Verona onde acontece anualmente a maior feira de vinho italiana a Vinitaly.
Bem o nosso Vêneto de hoje encontra-se geograficamente privilegiada pelo maravilhoso lago di Garda á oeste, aos pés dos Alpes Italianos em direção ao Mar Adriático; tendo como centro a cidade de Verona com  múltiplos microclimas; que fazem desta região uma grande concentração de DOCs.

Degustamos nessa noite seis vinhos de um dois mais importantes produtores; que se encontra no coração da região de Valpolicella: a Azienda Agrícola Masi. Todos os vinhos foram servido em temperatura ideal, em taças I.S.O.  precedidos de uma aula sobre o tema ministrada pelo sr. Mario Mucheroni e assitimos a vídeos institucionais sobre os vinhos.

Primeiro aos brancos e tintos leves:

1 - Levarie Soave Classico Superiore DOC 2007.



O Soave Clássico DOC é sem dúvida o branco mais famoso fora da Itália, e é feito nas colinas da cidade que lhe dá o nome: Soave e Monteforte d`Alpone. A sua uva principal é a Garganega de provável origem grega, mas também é  vinificada com a Trebiano dando  brancos leves e frescos com frutas cítricas. Limitada parte de sua  produção é resevada para a vinificação em  Recioto di Soave: doce alcoólico e bastante aromático.


Este vinho foi feito 85%  de Garganega (fruta) e Trebbiano di Soave (estrutura)  proveniente de vinhedos localizados na histórica área do Soave Classico, com 20% do volume total afinado em barricas de carvalho e estimativa de guarda de 2 anos.

Vinho de coloração amarelo palha com toques verdeais com aromas de maçã verde, abacaxi e limão siciliano. Na boca mostra belo frescor, equilíbrio com toque de amêndoas bem discreto.

2 - Masianco Pinot Grigio Verduzzo delle Venezie IGT 2007.

Este vinho  "Masi bianco" é feito com  duas uvas autóctones; pinot grigio com  verduzzo, que foram colhidas e vinificadas separadamente. A Pinot  foi colhida em agosto e vinificada imediatamente em inox para garantir frescor e intensidade aromatica. Já a Verduzzo foi colhida tardiamente no  final de setembro com  apassimento natural dos cachos em estantes (fruttai) por 3 semanas; seguido da fermentação dessas  uvas passificadas  (mesmo processo do Amarone e dos Reciotos).  Fez affinamento  de 3 meses em barrica de carvalho; que lhe conferiram maior corpo, cremosidade e elegância. Da união das caracteristicas intrínsecas desses dois cortes, nasce um superveneziano apelidado de "Campofiorin bianco", apesar de não ter sofrido dupla fermentação , com estimativa de guarda de 3 a 5 anos.

Vinho de coloração amarelo palha que no nariz mostrou aromas intensos de frutas maduras como abacaxi, damasco, pêssego e frutas secas como nozes e amêndoas. Frescor e corpo  associados num vinho que tem na sua acidez equilibrada e fruta madura seu grande trunfo sem se importar com os 13% de álcool. Limão cítrico final com discreto amargor residual agradável sem sobra de açúcar e dificil análise sensorial.


3 - Frescaripa Bardolino Classico DOC 2007.

A cidade de Bardolino, situada ás margens orientais do lago de Garda, homenageia essa DOC de  tintos leves e frutados típicos para o verão. È  feito com as mesma uvas de seu vizinhos Valpolicellas (Corvina, Rondinella e Molinara),  porém sob a influência das brisas vindas do lago, tornam-se frutados (cereja), menos encorpados, com boa acidez e podem ser lançados muitos jovens ao mercado como o Bardolino Novello (imitando o Beaujolais Nouveau)  ou Chiarettos rosés muito populares para os "dias de calor".

Vinho de coloração rubi-cereja com aromas intensos e maduros de cerejas e groselha. Pouco corpo com taninos bem finos e delicados onde se sobressaem baunilha com discreto amargor final e bálsamo. Lembra uma geléia bem fresca, pouco ácida e algumas especiarias como cravo e pimenta.

4 - Bonacosta Valpolicella Classico DOC 2007.

È na região primitava do Valpolicella Clássico que se obtém os melhores resultados com as uvas veroneses, produzindo vinhos frutados e com maior corpo e ideal para servir com massas e carnes leves. Seu nome deriva do latim "val - polis - cellae", ou seja, vale das múltiplas vinícolas  e como definiu Hemingway : È cordiale come la casa di un fratello.

Coloração rubi intensa com aromas predominantes de cereja, framboesa e amora num vinho de médio corpo e taninos afinados. Baunilha com café e especiarias (cravo e canela) complementam final com discreto amargor. Acidez e taninos convidativos a um prato simples de massa com carnes vermelhas  grelhadas mal passadas ou no ponto. Estimativa de guarda de 3 anos.

 Essa degustação veio  derrubar  defintivamente aquela sobra de preconceito que eu tinha sobre os vinhos valpolicellas; que era salva pela forte reputação dos amarones. Na verdade percebi que esses  vinhos são muito sutis e delicados; podendo perder parte da sua natureza na viagem até o Brasil e nas estantes dos supermercados donde provei meus primeiros bardolinos, valpolicellas e soaves de produção industrial. Requer cuidado no seu armazenamento e devem ser consumidos ainda jovens.

Quem nunca comprou vinho em supermercado que atire a primeira rolha!

Os vinhos  Campofiorin Ripasso 2006 e Costasera Amarone della Valpolicella Classico 2005, que também fizeram parte desta noite, merecem atenção especial e por isso serão descritos em outro post.

Abbracci a tutti e nos vemos na Califórnia dia 22 de outubro!

Para saber mais: