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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

DEGUSTAÇÃO VINHOS JEAN LEON - MIGUEL TORRES - A.B.S. SÃO PAULO.

Jean Leon entre atores no La Scala.
Olá pessoal! Tudo bom?!

Aproveitando que estava em S.P., dei uma passadinha na matriz para participar de mais uma degustação de vinhos espanhóis. Dirigida pela enóloga Mireia, filha do produtor Miguel Torres, pudemos provar qual a real influência do terroir de Pénedes sobre as uvas internacionais Chardonnay, Merlot e Cabernet, sem a inserção de uvas espanholas no corte.



Primeiro assistimos a um vídeo institucional que narra as peripécias de Jean Léon desde sua saída em 1941 de sua cidade Santander, passando por Barcelona e Paris, até seu destino final: Hollywood. Trabalhando no famoso restaurante Villa Capri, conheceu atores e atrizes como Natalie Wood, Grace Kelly, Lana Turner, Judy Garland, Debbie Reynolds, e finalmente  James Dean com quem iniciou seu projeto: o restaurante "La Scala". Rapidamente La Scala se tornou um clássico de Hollywood; ponto de encontro e de glamour da meca do cinema .

 Jean León e seu restaurante chegaram ultrapassar sua fama e se tornaram personagens de best sellers de ficção de amor e luxo, destacando os escritos por Jackie Collins e Judith Krantz. Muito conhecido no circuito enogastronômico por seu conhecimento sobre vinhos, sentiu a necessidade de produzir o vinho perfeito, a seu gosto e decidiu procurar o terroir ideal para realização de seu projeto: criar um vinho com seu nome.  Nascia a vinícola Jean Léon que em Penedes, com cepas compradas de Château Lafitte-Rothschild, La Lagune e Corton Charlemagne.

Vamos aos vinhos, todos D.O. Pago Penédes:


1 - Jean Leon Chardonnay 2010.
Um Chardonnay muito elegante que me impressionou pela acidez e frutas, notas de tostado e barrica presente porem suave. Belo frescor e untuosidade e depois de um tempo na taca abriu aroma floral bem agradavel. 

2 - Jean Leon Merlot 2010. 
Sua coloração era bem intensa de rubi com aromas tostados iniciais que depois abriram espaço para frutas negras maduras,violeta e no final um pouco de aromas terrosos e café. Belo custo beneficio e perfeito para gastronomia.


3 - Jean Leon Cabernet Sauvignon Reserva 2005. 
Esperava um pouco mais deste Cabernet que abriu com aromas mentolados para depois vir o frutado tipico bem maduro . Bom corpo com um meio de boca um pouco vago e final curto, taninos jovens porem bem resolvidos,  provavelmente pelo verão quente deste ano segundo.

4 - Jean Leon Cabernet Sauvignon Gran Reserva 2001 - Vinya La Scala. 
Toda garrafa que possue uma obra de arte no seu rotulo mereceatencao e respeito, ainda mais quando pintado pela mae da enologa e teve inspiracao na " transformacao". Como todo bom espanhol, mostrou perfeita integracao entre fruta e barrica (25meses de carvalho frances novo) mantendo acidez denotando frescor .Com dez anos mostrava maturidade na fruta negra, que depois chamaram aromas lacteos, especiarias, café, sous bois com final balsâmico terminando um longo e agradável retrogosto. Vinho bem resolvido a comprovar pelos seus taninos e pronto para o consumo. Impressinados com a bela acidez deste vinho, a enologa nos confessou que a fermentacao malolatica era realmente induzida após cerca de 20 dias  de sur lie com bacterias selecionadas e interrompida no ponto certo, justificando aromas e acidez. Classe e elegancia resumem este vinho.

Espero que tenham gostado e

Abbracci a tutti!


Quem traz é a Devinum 021 - 2215 4966.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

RIQUEZA E DIVERSIDADE DE VINHOS TINTOS PORTUGUESES A.B.S. SÃO CARLOS - 08/04/2010

Olá pessoal, tudo bom?

Quinta-feira realizamos uma degustação especial com vinhos tintos de Portugal. Foi a versão tinta da última com vinhos de diversas regiões, com variedades tradicionais porém de características diferentes, com destaque para o vinho alentejano.

 Vamos a eles:


1 - Vinha da Nora Reserva 2005 - Quinta do Monte d"Oiro - Vinho Regional de Lisboa - Alenquer.

Nosso primeiro vinho tem a as vinhas oriundas dos M. Chapoutiner feito com Syrah (95%) e Cinsault pelo enólogo José Bento dos Santos.  Mostrou fruta madura com um fundo de especiarias. Estão presentes sutilmente as notas de chocolate, pimentas e húmus características da casta Syrah com médio corpo e acidez estimulante.

2 - Termeão Pássaro Branco 2005 - DOC Bairrada - Campolargo - Anadia.

Manuel dos Santos planejou esse vinho com Touriga Nacional, Cabernet e Castelao Nacional macio de taninos e aromatico com frutas vermelhas maduras, balsâmico e  bala de caramelo. Especiarias presentes num vinho bem gastronômico.

3 - Quinta do Carmo Reserva 2004 - Vinho Regional Alentejano - Quinta do Carmo e  D. B. Rothschild - Alentejo.

Vinho mais aristocrático e elegante da noite com frutas em compota como ameixa e cereja com couro novo, terrosos e floral como violeta gerado pela mistura deAragonez, Cabernet sauvignon e Syrah. Muito macio na boca com retrogosto bem agradável que merecia mais tempo para ser compreendido melhor.


4 - Quinta de Ponte Pedrinha Reserva 2004 - DOC Dão - Quinta da Ponte Pedrinha - Serra da Estrela.

 Para mim a melhor surpresa da noite num vinho muito aromático e equilibrado com vinhas em Viseu próximo á Serra da Estrela. Coloração rubi bem intensa que no nariz mostrou um belo aroma balsâmico característico da região, que somado com as frutas como cereja em calda e mineralidade me deixou pasmo. Ótimo custo benefício num ótimo vinho que só um terroir como esse pode produzir

5 - Meandro do Vale Meão 2007 - DOC Douro - Quinta do Vale Meão - Vila Nova de Foz Coa.

Este vinho feito de Touriga N., Tinta roriz, Touriga francesa estagiou no segundo uso dos barris do principal  Vale Meão, cujas uvas eram vendidas para a produção do mítico Barca Velha. Começou em 1877 com Dona Antónia Adelaide Ferreira que comprou os terrenos  no Douro Superior e, com a ajuda dos galegos, construiu sua propriedade no Vale Meão pouco acima das vinhas do Barca Velha. Hoje seus descendentes, Família Olazabal, passaram a produzir seus próprios vinhos apelidados de Barca Nova.

Vinho rubi bem violáceo, jovem e frutado com cassis e cereja lotado de especiarias como canela e aniz. Encorpado sem passar no álcool apresenta retrogosto duradouro que completam toque de baunilha bem agradável com bala de caramelo.
O jantar foi acompanhado do vinho da Tapada 2005, um vinho da Herdade dos Coelheiros, com um
Lombo Assado com Calda de Laranja que estava divino!

Vinhos trazidos pela Mistral.

Abbracci a tutti!

quarta-feira, 17 de março de 2010

RIQUEZA E DIVERSIDADE DE VINHOS BRANCOS PORTUGUESES A.B.S. SÃO CARLOS - 11/03/2010

Olá pessoal! Tudo bom?

Portugal é um país de vinicultura muito expressiva nos vinhos tintos, mas seus os brancos tem alcançado níveis de qualidade reconhecidos internacionalmente. Desde os Alvarinhos, passando pelos cortes tradicionais do Douro e do Alentejo, até os brancos da Bairrada, encontramos vinhos que apresentam uma gama aromática muito ampla. Foram escolhidos especialmente cinco vinhos de regiões diferentes para comemorar o Dia Internacional da Mulher. Após breve introdução de Mário Mucheroni, demos início á degustação com comentários do chef e enólogo português Jerônimo Duarte.

Vamos aos vinhos:

1 - Rolan Alvarinho Colheita Selecionada 2007 - Rolan Explorações Vitivinícolas - Minho.

Feito com 100%  de Alvarinho, ficou 5 semanas em inox "sobre as lias" para ganhar em aromas e complexidade sem ver barricas. Mostrou-se muito fresco com aromas de frutas cítricas como limão siciliano e toque mentolado exelente para ser degustado numa piscina ou para entradas de frutos do mar.

2 - Quinta do Saes Reserva Branco 2006 - Dão D.O.C. - Quinta da Pellada - Serra da Estrela.

Corte típico do Dão com Encruzado e Cercial mostrou-se também bem aromático com notas cítricas de lima e algumas frutas secas. Toque herbáceo e aroma típico de "alho cozido" da Cercial. Mineralidade mais intensa com retrogosto frutado e untuoso.


3 - Vinha Formal Branco 2006 - Vinho Regional Beiras - Luis Pato - Anadia - Bairrada.

No melhor branco de L.Pato , a uva Bical foi fermentada em pipas Allier novas  por 12 meses sendo que os 6 iniciais foram "sobre as lias" com trasfegas frequentes. Aroma floral branco com jasmim abre o nariz com fruta madura que difere da boca; onde  mostra untuoso com aromas de bala de leite, pimenta branca e especiarias sendo que apenas a acidez e mineralidade nos faz lembrar o frescor da impressão olfativa. Fino, complexo e elegante. 

4 - Redoma Branco 2008 - Douro D.O.C. - Niepoort Wines - Douro.

Irmão mais novo do Redoma Branco Reserva mostra toda a sua linhagem em "vinhas velhas", com cortes de Codega, Rabigato, Donzelinho, Viosinho e Arinto. fermentado em barricas de carvalho mostra no nariz primeiramente côco branco a pela primeira vez senti aniz característico da Donzelinho. Mantém frutas cítricas com bela acidez e mineralidade derivada do solo xistoso prolongando seu  frescor.


5 - Pêra Manca Branco 2007 -  Alentejo D.O.C. - Fundação Eugênio Almeida - Évora - Alentejo.

Grande vinho fermentado parte em inox e em carvalho francês com batonagens frequentes, passando posteriormente por 10 a 12 meses em barrricas. Feito de Antão Vaz e de Arinto que lhe concede a acidez mostrou-se frutado com aromas de frutas cítricas, frutas secas e na boca untuoso com bala de mel. Bastante frescor e mineralidade num vinho complexo, porém concordamos todos que um pouco mais de garrafa iria lhe cair muito bem.

Bem didática, essa degustação pôde nos mostrar todo o potencial Lusitano na vinificação de brancos com grande variedade de uvas autóctones e terroir. Com notória  complexidade, apresentaram-se  frescos, aromáticos e muito equilíbrados com um toque de mineralidade e untuosidade.

 A foto ao lado segue como um apelo particular  para ser iniciada a campanha pela a versão tinta dessa degustação. Após a degustação, foi servido um jantar harmonizando com tradicional bacalhau ao forno.

Crédito das fotos Do Douro e do Dão  para Mário Mucheroni durante a viagem da A.B.S. a Portugal no ano de 2006.

Vinhos 1 e 5 da Adega Alentejana e 2, 3 e 4 Mistral.

Abracci a tutti!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

DIVERSIDADE E ENOGASTRONOMIA I - DEGUSTAÇÃO A.B.S. SÃO CARLOS 11\02\2010.

Olá pessoal. tudo bom?

Dessa vez foram escolhidos seis vinhos de varietais diferentes que apresentassem grandes diversidade de aromas e sabores. Intensos, encorpados e frutados eles foram perfeitos para treinar nossos sentidos.

Vamos lá:

1 - Nedenburg Manor House Sauvignon Blanc 2008 - 13,5 % - Stellenbosch - África do Sul.

Nosso primeiro branco pode ser definido em duas palavras: acidez e herbáceo. Frutado com limão siciliano e a típica goiaba tornando-o bem amplo com florais e refrescante.

2 - Bleasdale Holdfast Chardonnay 2008 - 14%- Laghorn Creek - Austrália.

  Esse branco sem barrica era pura fruta branca como pêra e melão e na boca bem untuoso. Àcido e jovem; para mim os aromas estavam fechados no nariz que depois abriam na boca e no retrogosto.


3 - Mas des Aveylans Cuvée Prestige Syrah 2005 - 14 % - Bellegard - França.

 Primeiro tinto com aromas de frutas negras e tipo amoras e cassis com especiarias tipo aniz estrelado. Bom corpo e taninos pouco evoluídos e toque tostado bem evidente com discretíssimo amargor final.

4 - Specialties Malbec West Andes 2008 - 14,5 % - Vale Cachapoal - Chile.

Achei bem interessante esse Malbec que pulou o muro do quintal de casa (Cordilheira dos Andes) e foi dar frutos no Chile. Violáceo puro, sem halo de maturação com aromas de frutas em compota negras e floral com violetas. Gostosa baunilha que associado ao côco e taninos jovens liberam uma sensação de final de boca bem plena e duradoura.


5 - Vila Santa Trincadeira 2006 - 14,5 % - Estremoz - Portugal.

Aromas amplos de frutas vermelhas com taninos ainda jovens porém muitos agradáveis e acidez marcante. Médio corpo com baunilha no ponto com toque herbáceo agradável e trufas. Boa indicação para enocompatibilização com carnes assadas e cordeiro.



6 - Luccarelli Primitivo di Manduria 2006 - 14,5 % - Salento - Itália.

 Para mim o melhor vinho da noite concentrado, encorpado e rico de aromas frutados como geléia de frutas vermelhas. Taninos bem macios e evoluídos apesar da idade, com sabores de licor de cacau, cravo, pimenta e mentolado com final bem longo e prazeiroso.

Bela noite que terminou com filé  que deveria ser provado com 3 molhos diferentes e vinhos, mas o primeiro molho tava tão bom que.....
 
Para saber mais:
 
1 - Distell Limited.
2 - Bleasdale Vineyards.
3 - SCAE Chatêau de Aveylans.
4 - Viña Santa Carolina.
5 - João Portugal Ramos Vinhos.
6 - Feudi San Marzano.
7 - Casa Flora.

Abracci a tutti!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

DEGUSTAÇÃO R. LOPEZ DE HEREDIA - VIÑA TONDONIA A.B.S. SÃO CARLOS.

Olá pessoa! tudo bem?

Começamos muito bem nossas atividade da A.B.S. São Carlos de 2010.   E não foi apenas uma degustação, foi uma aula de história e de vinho. Tivemos a Espanha como país, Rioja como região e simplesmente a R.Lopez de Heredia  - Vinã Tondonia como vinícola. A cultura do vinho em Rioja começou no final do século XV a partir da retomada da região pelos cristãos que construiram monastérios  para abrigar e dar suporte aos peregrinos cristãos em viagem á Santiago de Compostela onde está o túmulo do apóstolo Tiago. Deve sua modernização aos comerciantes franceses, que para suprirem o mercado interno após  a devastaçã de seus vinhedos pela phyloxera, começaram supervisionar e importar os produtos espanhóis a partir de 1840.

Foi classificada com D.O.Ca. (Denominación de Origen Calificada) em 1991,  e tem como uvas permitidas a nativa e principal Tempranillo, a Garnacha frequentemente adicionada á Tempranillo para dar maior corpo aos vinhos de corte, a Mazuelo (Cariñena ou Carignan) e a Graciano, sendo que a última contribui bastante para o aroma do vinho. Das brancas temos a Viúra conhecida tamém como Macabeu e a Malvasia que confere aroma de mel aos vinhos.

Tudo começou com o imigrante chileno filho de bascos; Don Rafael  que viajou para a Espanha com 14 anos a fim de completar seus estudos com os jesuítas. Seus familiares militavam na guerra civil , porém no lado errado e tiveram que exilar-se  para a região da Borgonha. Lá aprendeu as mais modernas técnicas de vinificação resumidas no modo de fermentação e envelhecimento em barricas de carvalho. Após a tempestade passar, retornou para Rioja onde fundou em 1877 a R. Lopes de Heredia, gerida hoje pelos seu netos seguindo a risca  sua cartilha.
Os 170 hectares de A R. Lopez de Heredia  estão situadas  num terroir privilegiado cortada pelo rio Ebro em solo argilo-calcário, protegido de ventos fortes chuvosos vindos do Atlântico e pela Serra da Cantábria ao norte e oeste  na Rioja Alta, cidade de Haro capital da província. Segue na contramão da vinicultura moderna que  apela para vinhos extremamente frutados, estruturados, tânicos e alcoólicos; acreditando que o caráter de seus vinhos está no meticuloso cuidado de vinhedos antigos com baixo rendimento e  colheita de frutos no ápice de amadurecimento  e com  envelhecimento lento em carvalho como há 130 anos.

 Produz á  moda antiga bordalesa com fermentação em grandes barris de carvalho de várias origens  com mais de 100 anos que possuem no seu interior, aderido ás paredes placas de tartarato que abrigam as primitivas leveduras necessárias á sua fermentaçao, como uma colônia de corais, não necessitando assim da adição de fungos. Depois é trasfegado para barris 225 litros de carvalho americano com média de 15 anos de idade para microxigenação e estabilização, para serem engarrafados e vagarosamente educados em 3000 m2 de galerias a 11 metros de profundidade sem nunca verem inox. Acreditam que  essa "crianza"  lenta em carvalho é que transfere a personalidade e características típicas do vinhos de R. Lopez  de Heredia, gerando vinhos aromáticos e de sabores únicos com inconfundível toque abaunilhado. Nesse processo o vinho não sofre filtração, é apenas trasfegado e clarificado com ovos frescos selecionados. Trata-se de um processo mais custoso que metodo tradicional, com uma produção de apenas 700.000 garrafas ano.

Vamos aos vinhos:

1 - Viña Gravonia Crianza Blanco 1998.

Vinho mais jovem feito de Viura (100%) passado em barrica por 4 anos, submetido a 2 trasfegas por ano e clarificado com claras de ovos frescos. Coloração amarelo palha com aromas de  amêndoas e frutas em calda como abacaxi  com bela acidez e bala de caramelo mantendo ainda frescor impressionante  de vinho jovem com leve mineralidade.

2 - Viña Tondonia Gran Reserva Blanco 1987.

Feito de Viura (90%) e Malvasía (10%) com nove anos de barrica com 2 trasfegas por anos e e clariificado com claras de ovos frescos. Vinho de 12% de alcool de coloração amarelo com toques dourados com aromas tostados de frutas secas como amêndoas e  nozes, manteiga de início e cheiro de silo como milho e frutas como laranja em compota associado a mineralidade com discreto amargor final que não compromete. A Malvasia apresenta um toque de mel ao vinho, e nos dá a impressão de algo parecido com Botritis tipo um Sauternes.


Primeiro tinto da noite tendo como uva de base a Tempranillo (65%) acompanhada das Garnacho (25%), Mazuelo y Graciano.Teve sua crianza em barrica por 3 anos, submetido a 2 trasfegas por ano e clarificado sem filtrar.Vinho mais jovem da noite de coloração rubi com toques granada de médio corpo, com aromas de frutas negras como ameixa, amoras e framboesas, com toque baunilhado bem suave, especiarias como aniz estrelado e retrogosto sincero com taninos adstringentes e macios com pimenta no final. Vinho muito bom para acompanhar um belo prato de carne ou degustá-lo simplesmente

4 - Viña Tondonia Reserva Tinto 1999.

Agora o negócio começa a ficar mais sério como nossoTempanillo (75%), Garnacho (15%), Graciano e Mazuelo (10%) envelhecidos 5 anos e meio em barricas com 2 trasfegas por ano e clarificado sem filtrar.
Apenas 12,5 % de álcool num vinho de coloração rubi granada algo mais encorpado que o crianza mostrando  aroma delicado de frutas vermelhas maduras com aroma de canela e cravo com taninos bem delicados e macios e um retrogosto muito fino e abrangente.

5 - Viña Tondonia Gran Reserva Tinto 1987 .

 Essa é a grande jóia da vinícola que só é produzida em grandes safras e  mostra o  melhor que o terroir de Rioja pode produzir. Mesmo corte Riojano de Tempranillo (70%), Garnacho (20%), Mazuelo e Graciano que permanece seus 8 anos de envelhecimento com 2 trasfegas anuais e também clarificados; não filtrados antes da garrafa por onde permanecem por mais 6 anos antes de irem para as lojas.

Vinho de coloração rubi granada com aromas de frutas vermelhas maduras, toques terrosos, trufas e especiarias. Muito delicado na boca, retrogosto suave persistente com taninos muito evoluídos.

São vinhos muito finos e elegantes conservados nos poucos 12 a 13%  de álcool, e do meu pontos de vista por passarem por  grande tempo em barricas distintas de carvalho, acabam absorvendo e acumulando nuances que somente a idade de cada barrica pode oferecer. Essa sequência de tintos pôde mostrar a presença muito delicada da fruta que ganhava matizes diferentes dos tostados e baunilha com o envelhecimento do vinho, tornando-os mais complexos.

Esses vinhos realmente fazem parte de um capítulo á parte do livro dos grandes vinhos e nos mostram uma visão fiel de como era a vitivinicultura  a 130 anos atrás, dando extrema atenção ao terroir e cuidado quase que maternal aos seu vinhos na crianza. Ignorou a modernidade para privilegiar a tradição na produção de seus vinhos.

Pela primeira vez me senti muito abaixo de um vinho, não derrotado mas estimulado e foi um divisor de águas na minha vida enológica.

Vou comprar uma garrafa do Gran Reserva Tinto, colocar na  adega e abrir somente quando ela achar que eu já estou pronto para bebê-la....
 
Para saber mais:

1  - R. Lopez de Heredia.
 
2 - Vinci Vinhos

3 - Rioja wines.

4 - El Rioja.

P.S: Vejam o cuidado com o lacre  feito de uma material plástico muito similar áquelas ceras antigas e a tela de metal que abraça e envolve a garrafa: tradição antiga usada para evitar que hajam violações e falsificações.

Abbraccia tutti!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

CAUSOS ENOLÓGICOS - SURREALIDADE NA LOJA DE R$ 1,99 VINHO VERDE PORTUGUÊS ALMEIDA ROCHA 1995 (UPDATED EM 28/01/2010 PARA NÃO VIRAR ESTÓRIA DE PESCADOR)

Olá amigos, tudo bom!

O post aí debaixo sobre a traição do vinho estragado na coluna da Alexandra Corvo fez o maior sucesso, inclusive na Itália onde recebi dois comentários! Meu colega Mário Mucheroni da A.B.S. de São Carlos fez um comentário muito legal e vai num caminho totalmente diferente daquela minha experiência! Portanto inauguro com um "causo" dele á parte; que tem conteúdo suficiente para ser publicado em qualquer periódico sobre vinho.

Vão lá e degustem!.

Caro Roberto

Li sobre o vinho branco da Campania em seu blog. Na enocultura, aprendemos nos instantes mais inesperados. Veja o que me aconteceu: estava numa destas lojas de 1,99 comprando presentes para os horríveis eventos de "inimigos secretos" que tive que participar. Achei, veja o fato surreal, caixas de um vinho verde português Almeida Rocha engarrafados em 1995, que deveriam ser consumidos dentro de 1 ano. Custavam R$ 3,99 cada. Comprei 1 caixa com 6 garrafas para brincar. Para minha surpresa encontrei 2 inacreditáveis garrafas. Os vinhos de 4 garrafas estavam mortos, mas 2 garrafas guardavam uma preciosidade. Vinhos com boa acidez, aromas de frutas tropicais, mel, cera de abelha, marzipan, avelãs, um certo toque de madeirizado, com maravilhosos 9% de álcool, que resistiram ao tempo e principalmente aos maus cuidados. Não eram o mesmo vinho que teríamos tomado em 1995, mas acredito que os que resistiram ficaram melhores, mais ricos em nuances aromáticas. Qual o segredo? A rolha! Nas garrafas com vinhos ainda potáveis as rolhas ofereciam resistência à abertura. Nas outras, com pequena pressão com os dedos as rolhas afundavam. Uma boa dica para testar vinhos velhos, com cuidado.


Abraço

Mario
 
Quem tiver seu causo ou história interessante sobre vinho, mande pra mim qua a gente compartilha!
 
Ou venha pra nossa A.B.S. e conte pessoalmente!

http://www.abs-saocarlos.com.br/
 
A foto mostra o Vinho Gravonia Branco  Reserva 1997 da nossa última degustação sendo aberta com todo cuidado pelo autor da mensagem, só para aguçar um pouco.
 
Abracci a tutti!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

JANTAR DE CONFRATERNIZAÇÃO DA A.B.S. SÃO CARLOS RESTAURANTE CHEZ MARCEL 10\12\2009

Olá pessoal, antes de tudo gostaria de desejar um ótimo Natal pra todo mundo e dizer que este post está guardado nos rascunhos há pelo menos duas semanas por absoluta falta de tempo. Pode parecer absurdo mas até pra tomar vinho ficou difícil, e por isso mesmo vou postar sobre a festa de final de ano da A.B.S. antes de perder o timing. Como a noite pedia descontração, larguei o laptop em casa mas não a máquina! Portanto hoje vamos só de fotos que valem mais que mil palavras.



Vamos lá, quinta foi dia de festa e confraternização! A casa estava lotada e pela primeira vez no ano a estrela da noite não eram os vinhos e seus produtores; celebrávamos a amizade. Brindamos com o Espumante Salton Reserva Ouro gentilmente oferecido pela parceria da Salton com a loja Gran Reserva, e para o jantar, cada casal leva seu vinho.Todos estavam presentes no Chez Marcel, e o jantar ficou a cargo do Chef  Bart  que propôs:

Entradas:




 Espetinhos de camarões com molho de amendoim.



Aspargos com molho cremoso de alho-poró e queijo roquefort.


Pratos Principais:




Pescada amarela com molho cremoso de moustarde à l’estragon.




Filet-Mignon ao molho minute.

Sobremesa:


 
 Crême Brulée au Grand Marnier et Zests d’ Oranges.

Não poderíamos ter encerrado melhor nossas atividades do ano de 2009 e aproveito para deixar um Feliz Natal e um abraço especial a todos aqueles que trabalharam em nossos encontros.

Abbracci a tutti e nos vemos dia 21de janeiro na Rioja.

Restaurante Chez Marcel.
Rua Lions Club, 40 São Carlos tel: 016 3361-4602.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

DEGUSTAÇÃO ESPUMANTES E CHAMPAGNE A.B.S. SÃO CARLOS TABLADO DOS SABORES - 26\11\2009

Olá pessoal, quinta foi dia de degustação especial de espumantes  realizada no Restaurante Tablado dos Sabores localizado na Praça da Reitoria da UFSCAR. Aproveitando o clima quente e de festa por ser a última do ano, estes espumantes cairam muito bem.

Após os quatro primeiros brancos  Chef Duarte Jeronimo, na foto junto com Eustáquio nosso diretor administrativo, preparou um cardápio especial, mas antes vamos aos vinhos.





1 - Nedenburg Premiére Cuvée Brut - África do Sul.

Esse sulafricano foi feito de Cape riesling (45%), Chenin blanc (36%), Chardonnay (12%) e Colombar (5%) provenientes de Western Cape plantadas entre 1989 e 1994. Ao exame visual bela rosácea sobre um vinho amarelo palha com toques verdeais, com múltiplas e finas bolhas com aromasde frutas citricas  limão e abacaxi e toque de nozes bem suave. Boa acidez e refrescância no método Charmat.

2 - Blanc de Blancs Brut Viña Casablanca - Chile.

Feito de Chardonnay (92%) com Chenin blanc (8%)  este espumante de coloração amarelo palha apresenta como aromas minerais seu primeiro ataque com boa cremosidade e algum sabor fermentado final como casca de pão. Pouca fruta citrica como limão siciliano  que abriram um pouco mais no final. Acidez bem agradável.

3 - Cava don Roman Brut - Espanha.

Primeiro champenoise da noite feito de Parellada, Macabeo, Xarello por uma cooperativa de Pénedes, mostrando claramente a diferença entre os métodos tradicional e charmat na produção de espumantes
Logo no visual percebe-se uma rica mousse ao redor da taça com múltiplas e finas bolhas. Aromas de fermentação como casca de pão e fermento associado a frutas secas como nozes e amêndoas. Frutas já eram mais maduras como abacaxi e maracujá que completavam boa refrescância ao paladar. Bela Cava.

4 - Champagne Deutz Brut Classic - França.

Nossa champagne noite foi feita com todas as uvas permitidas na denominação (Chardonnay, Pinot noir e Pinot meunier) em um terço de cada na proporção, com mais de sessenta vinhos base diferentes. De cor amarelo palha; no nariz apresentando aromas de frutas secas e cítricas com baunilha no final. Bela perlage com aroma de pão fresco, tostado, nozes e amêndoas. As frutas são mais maduras como abacaxi, laranja e maracujá na maior mousse e final mais agradável de todos.Vinho da noite!

5 - Espumante Bruto 3B Filipa Pato  - Portugal.

Este português da Bairrada foi feito pelo método tradicional por Filipa Pato. Baga  tinta em 70 % foi responsável pela estrutura; e a branca Bical em 30%  colaborou com a acidez e cremosidade. Bela coroa de espumas em base rosa-salmão com aromas florais tipo rosas e frutas cítricas associadas a toque mineral bem discreto. O seu terceiro B faz alusão á região da Bairrada, pois essa  não pode vir grafado em seus rótulos por não fazer parte da denominação. Teve como entrada  uma surpresa feita especialmente para ocasião; de manga grelhada com uma sopa fria típica portuguesa com pepino, pimentão, tomate que estava delicioso e refrescante. Par perfeito! No meu ponto de vista ficou em terceiro lugar, mas cresceu com o prato.


PratoPrincipal: Risoto de Frutos do Mar com Cogumelos Portobello, Duo de Pargo Vermelho, Salmão e Camarão.


Para acompanhar o jantar foram servidos os espumantes Rondinée Brut e Rosé produzidos pela Cave Hermann, parceria da Decanter que fez o vinho base e Vinícola Aurora que os  "espumatizou"  ou "charmatizou". O espumante Rosé apresentava discreto açúcar residual num vinho com aromas de frutas tropicais e rosas; e o branco estava mais redondo e refrescante característicos da Serra Gaúcha. Como foram servidos juntos com as refeições; permito degustá-los e opinar numa outra oportunidade.
 
Sobremesa: Figos Assados, Coalhada Seca, Mel de Alecrim e Sorvete de Creme.


Para saber mais: 
 
1 - Nederburg.
5 - Deutz 


Importadora Casa Flora.






P.S.: Tava tão bom que esqueci de tirar as fotos da garrafas abertas, e já começava a contemplar o que está por vir no próximo ano!



Abracci a tutti!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

DEGUSTAÇÃO VINHOS DO VÊNETO / MASI PARTE 1 - A.B.S. SÃO CARLOS 08/10/2009

Olá pessoal, dessa vez nosso tour em volta ao mundo vinícola teve como destino a Itália, mais precisamente o Vêneto famoso por suas paisagens, Radicchio, Romeu e Julieta, Teatro di Verona, Veneza e lógico pelo seus vinhos. A história desta região começa com a expansão do império romano, que quando conquistada, passou a ser chamada de Vêneto, nome extraído do povo que alí habitava: os venetti. Durante muito tempo foi rota comercial da antiguidade a partirdo império Bizantino, por onde passavam influências trazidas do oriente transformando-se em importante pólo cultural e de desenvolvimento do noroeste da Itália. Apresenta como capital política Veneza, mas quando o assunto é vinho; ela  muda-se em abril para Verona onde acontece anualmente a maior feira de vinho italiana a Vinitaly.
Bem o nosso Vêneto de hoje encontra-se geograficamente privilegiada pelo maravilhoso lago di Garda á oeste, aos pés dos Alpes Italianos em direção ao Mar Adriático; tendo como centro a cidade de Verona com  múltiplos microclimas; que fazem desta região uma grande concentração de DOCs.

Degustamos nessa noite seis vinhos de um dois mais importantes produtores; que se encontra no coração da região de Valpolicella: a Azienda Agrícola Masi. Todos os vinhos foram servido em temperatura ideal, em taças I.S.O.  precedidos de uma aula sobre o tema ministrada pelo sr. Mario Mucheroni e assitimos a vídeos institucionais sobre os vinhos.

Primeiro aos brancos e tintos leves:

1 - Levarie Soave Classico Superiore DOC 2007.



O Soave Clássico DOC é sem dúvida o branco mais famoso fora da Itália, e é feito nas colinas da cidade que lhe dá o nome: Soave e Monteforte d`Alpone. A sua uva principal é a Garganega de provável origem grega, mas também é  vinificada com a Trebiano dando  brancos leves e frescos com frutas cítricas. Limitada parte de sua  produção é resevada para a vinificação em  Recioto di Soave: doce alcoólico e bastante aromático.


Este vinho foi feito 85%  de Garganega (fruta) e Trebbiano di Soave (estrutura)  proveniente de vinhedos localizados na histórica área do Soave Classico, com 20% do volume total afinado em barricas de carvalho e estimativa de guarda de 2 anos.

Vinho de coloração amarelo palha com toques verdeais com aromas de maçã verde, abacaxi e limão siciliano. Na boca mostra belo frescor, equilíbrio com toque de amêndoas bem discreto.

2 - Masianco Pinot Grigio Verduzzo delle Venezie IGT 2007.

Este vinho  "Masi bianco" é feito com  duas uvas autóctones; pinot grigio com  verduzzo, que foram colhidas e vinificadas separadamente. A Pinot  foi colhida em agosto e vinificada imediatamente em inox para garantir frescor e intensidade aromatica. Já a Verduzzo foi colhida tardiamente no  final de setembro com  apassimento natural dos cachos em estantes (fruttai) por 3 semanas; seguido da fermentação dessas  uvas passificadas  (mesmo processo do Amarone e dos Reciotos).  Fez affinamento  de 3 meses em barrica de carvalho; que lhe conferiram maior corpo, cremosidade e elegância. Da união das caracteristicas intrínsecas desses dois cortes, nasce um superveneziano apelidado de "Campofiorin bianco", apesar de não ter sofrido dupla fermentação , com estimativa de guarda de 3 a 5 anos.

Vinho de coloração amarelo palha que no nariz mostrou aromas intensos de frutas maduras como abacaxi, damasco, pêssego e frutas secas como nozes e amêndoas. Frescor e corpo  associados num vinho que tem na sua acidez equilibrada e fruta madura seu grande trunfo sem se importar com os 13% de álcool. Limão cítrico final com discreto amargor residual agradável sem sobra de açúcar e dificil análise sensorial.


3 - Frescaripa Bardolino Classico DOC 2007.

A cidade de Bardolino, situada ás margens orientais do lago de Garda, homenageia essa DOC de  tintos leves e frutados típicos para o verão. È  feito com as mesma uvas de seu vizinhos Valpolicellas (Corvina, Rondinella e Molinara),  porém sob a influência das brisas vindas do lago, tornam-se frutados (cereja), menos encorpados, com boa acidez e podem ser lançados muitos jovens ao mercado como o Bardolino Novello (imitando o Beaujolais Nouveau)  ou Chiarettos rosés muito populares para os "dias de calor".

Vinho de coloração rubi-cereja com aromas intensos e maduros de cerejas e groselha. Pouco corpo com taninos bem finos e delicados onde se sobressaem baunilha com discreto amargor final e bálsamo. Lembra uma geléia bem fresca, pouco ácida e algumas especiarias como cravo e pimenta.

4 - Bonacosta Valpolicella Classico DOC 2007.

È na região primitava do Valpolicella Clássico que se obtém os melhores resultados com as uvas veroneses, produzindo vinhos frutados e com maior corpo e ideal para servir com massas e carnes leves. Seu nome deriva do latim "val - polis - cellae", ou seja, vale das múltiplas vinícolas  e como definiu Hemingway : È cordiale come la casa di un fratello.

Coloração rubi intensa com aromas predominantes de cereja, framboesa e amora num vinho de médio corpo e taninos afinados. Baunilha com café e especiarias (cravo e canela) complementam final com discreto amargor. Acidez e taninos convidativos a um prato simples de massa com carnes vermelhas  grelhadas mal passadas ou no ponto. Estimativa de guarda de 3 anos.

 Essa degustação veio  derrubar  defintivamente aquela sobra de preconceito que eu tinha sobre os vinhos valpolicellas; que era salva pela forte reputação dos amarones. Na verdade percebi que esses  vinhos são muito sutis e delicados; podendo perder parte da sua natureza na viagem até o Brasil e nas estantes dos supermercados donde provei meus primeiros bardolinos, valpolicellas e soaves de produção industrial. Requer cuidado no seu armazenamento e devem ser consumidos ainda jovens.

Quem nunca comprou vinho em supermercado que atire a primeira rolha!

Os vinhos  Campofiorin Ripasso 2006 e Costasera Amarone della Valpolicella Classico 2005, que também fizeram parte desta noite, merecem atenção especial e por isso serão descritos em outro post.

Abbracci a tutti e nos vemos na Califórnia dia 22 de outubro!

Para saber mais:


quarta-feira, 30 de setembro de 2009

SAUVIGNON BLANC - A.B.S. SÃO CARLOS 24\09\2009


Dando continuidade á nossa série didática de varietais, o tema de degustação sa semana passada foi  Sauvignon blanc. Trata-se de uma uva branca originária do sudoeste da França, cujo nome vem das palavras "sauvage" de selvagem e "blanc" . Assim como sua prima tinta a Cabernet sauvignon, possui a característica de produzir excelentes monovarietais como os Sancerre e Poully-fumé no Vale do Loire e os de Marlborough na Nova Zelândia , e também fazer parte de cortes de vinhos lendários como o doce Sauternes e o seco Graves juntos com a uva Sémillon em Bourdeaux . Em contrapartida, não aceita bem o carvalho apesar da tentativa norte americana de fazê-la barricada como a Chardonnay; criando numa jogada de marketing dos Mondavi o Fumé-Blanc sugerindo toque mineral e tostado. A sauvignon é de uma videira muito vigorosa que gosta de muito do clima frio; tendo sua floração tardia e amadurecimento de bagas precoce. Por isso necessita de muito cuidado do vinhateiro na poda e tempo certo de colheita para se obter frutos maduros com teor de açúcar e acidez corretos, evitando caráter herbáceo agressivo e pouca intensidade aromática. Dependendo do seu terroir e modo de vinificação pode evoluir para vinhos austeros, ácidos e herbáceos como no Loire ou intensamente frutados como na Nova Zelândia (Marlborough). Podemos encontrar bons vinhos ainda na Califórnia (Nappa Valley), Africa do Sul (Stellenbosch), Chile (Valle de Casablanca), Itália (Lombardia , Friuli e Toscana), Argentina e Brasil.

Os vinhos de sauvignon são muito típicos e facilmente reconhecidos em degustações ás cegas. Apresentam geralmente aromas herbáceos mais pronunciados como grama cortada e folhas frescas de groselhas, aspargos em latas e a groselha branca ou gooseberry (parecida com a nossa goiaba); podendo encontrar aromas de frutas cítricas e tropicais em exemplares do novo mundo. No vale do Loire apresentam aromas minerais e de pedra de isqueiro o que explica a denominação fumé. Na Nova Zelândia além da maior intensidade, produz aroma de frutas tropicais como manga e maracujá. São descritos ainda na sauvignon xixi de gato, feijões verdes, almíscar e urtiga.

Harmoniza-se muito bem com pratos á base de peixe e frutos do mar, ostras, chévre, sushi-sashimi e com aperitivos.

Após breve aula ministrada pelo sr. Mario Mucheroni foram degustados seis vinhos ás cegas, servidos em taças I.S.O. na temperatura média de 10 graus Celsius.

Vamos a eles:



1 - Fleur du Cap Unfiltered Sauvignon Blanc 2008 – Distell Limited Stellenbosch - África do Sul.

Coloração amarelo palha com reflexos verdeais, mostrando primeiro o toque herbáceo como grama cortada e pimenta verde. O citrico começou a aparecer associado a flor branca, com boa acidez e sobra de álcool que não compromenteu. Sugestionava a goiaba branca e frutas tropicais numa segunda passada no nariz.

2 - Amayna Sauvignon Blanc 2008 – Viña Garces Silva – San Antonio – Chile.

Coloração amarelo palha com reflexos verdeais, sendo que achei estranho que o primeiro aroma que me veio foi de milho muito fugaz, seguido de maçã verde, limão siciliano e seu herbáceo já era menos acentuado me lembrando um pouco de capim cidreira ou menta. Mostrou mineralidade  e boa refrencância e certa untuosidade.

3 - Isabel Estate Sauvignon Blanc 2007 - Isabel Estate - Malborough - Nova Zelândia.

Coloração amarelo palha com boa intensidadde aromática já mostrando a tal da goiaba branca e herbáceo firme que não identifiquei (manjericão talvez). Bom mineral que associado á bela acidez mostrava uma agulhada boa no final de boca. Odores de suor e floral  discretos numa segunda passada com frutas tropicais (manga) apesar da boa intensidade de aromas.

4 - Sàfiro 2007 - Jacopo Biondi-Santi – Castello di Montepó - Toscana – Itália.

Coloração amarelo palha apresentado aromas de média intensidade com frutas maduras como abacaxi, maçã verde e toque herbáceo menos acentuado. Boa acidez com toque mineral pouco presente mostrando-se um vinho bem refrescante. Faltou um pouco de corpo e persistência em relação aos franceses.


5 - Château Reynon 2007 - Denis Dubordieau Domaines - Bordeaux – França.

Coloração amarelo palha mostrando forte e agradável herbáceo como manjericão e mato cortado associado a frutas maduras como abacaxi, melão e pêssego. Xixi de gato mais característicos com boa mineralidade. Acidez no ponto. Muito equilibrado e complexo e persistente...

6 - Les Griottes Pouilly-Fumé 2006 – Pascal Jolivet - Loire – França.

Coloração amarelo palha com reflexos dourados com frutas em calda como abacaxi, laranja acompanhado de amêndoas e nozes. Mostrou-se um vinho bem complexo com belo corpo e acidez; com menos  herbáceo e mais mineral tipo isqueiro se comparado com o 5. Persistente...



Talvez essa tenha sido uma das melhores degustações que já participei pela qualidade e características individuais de cada vinho. Pode nos mostrar realmente o que é a sauvignon blanc e como se consegue produzir bons vinhos com métodos tradicionais sem a necessidade de uma intervenção muito grande do produtor como no caso dos franceses. Realmente pude comprovar que a França (Loire e Bordeaux) e Nova Zelândia apresentam os melhores resultados, apesar de distintos, com a sauvignon.

Para saber mais: