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terça-feira, 26 de julho de 2011

PASTA ALLA NORMA - ARROZ COM FEIJÃO SICILIANO!

Olá pessoal! Tudo bem?

Fazia tempo que eu queria postar sobre a "Pasta alla Norma", mas como tenho aquele preceito bobo de que só  é impossível se cozinhar um prato  tendo pelo menos visto um na vida; acabei esperando pelo melhor momento. Uma vez cheguei a ir até um restaurante italiano regido por sicilianos nos Jardins por indicação do meu amigo Kléber da W.Wine chamado Taormina, mas quando bati na porta estava fechado para reforma.
A minha grande dúvida em se fazer essa massa era a real forma ou correta de se trabalhar a beringela - melanzana e como que seria servida no prato. Bom estudei, internet á italiana, fui pro mercado, cozinha e fiz: ficou uma stronza! Hahahahah pensei comigo:
- Agora só indo para Sicília!
Mas minha sorte então começou a mudar quando estagiou comigo uma aluna de intercâmbio
e adivinhem de que nacionalidade era?
- Italiana! Sim, mas melhor ainda  siciliana de Catânia: a terra natal da Pasta alla Norma!
Trata-se de uma massa bem saborosa, fresca e muito fácil; cujo nome veio em homenagem á "Opera Norma" de  Vincenzo Bellini. Dizem que o batismo vem do seculo XIX quando Nino Martoglio (escritor, poeta e diretor teatral siciliano) ficou tão impressionado com o prato que ao elogiar a cozinheira, disse que era uma obra prima como  a Opera Norma exclamando:
- È uma Norma! Assim imortalizando-a.
Então vamos pras panelas, sob orientação da dottoressa Giulia, que nos presenteou com essa prato numa tarde de domingo.
Pasta alla Norma.
- 400 grs de macarrão penne, fusilli ou até espaguete.
- 2 beringelas descascadas fatiadas transversalmente 0,5 cm.
- 2 dentes de alho.
- 2 latas de tomates pelados italianos.
- 12 folhas de mangericão.
- 200 gramas de ricota não tão fresca.
- 4 colheres de sopa de óleo de oliva e.v..
- pimenta negra moída na hora. 
- sal. 
- óleo suficiente para se fritar as beringelas.
Primeiro de tudo fatie as beringelas, descascando-as ou não, e deixe descansar umas sobre as outras com sal sobre um escorredor de macarrão com um prato e um peso encima. Enquanto elas perdem sua água escura e amarga, aqueça  azeite e doure os alhos. Adicione os tomates pelados e deixe apurar  o molho com algumas folhas de manjericão. Agora podemos aquecer óleo numa frigideira e fritar as fatias de beringelas de ambos os lados mas sem deixar dourar muito e escorrer em papel toalha.Corrija a acidez do molho com açúcar, corrija de sal - pimenta e ponha o macarrão pra cozinhar em água salgada.
Pasta al dente, escorra e tempere com o molho de tomates. Distribua a pasta no centro dos pratos e decore por cima com as beringelas, folhas de manjericão e quantidade generosa de ricota ralada na hora. Agora é só mandar pra mesa!

Bom temos muita fruta nesse molho, toques herbáceos do manjericão cobertos com um queijo leve e harmonizaria com um vinho branco de corpo, média acidez e fruta madura porquê as "frutas tomate e beringels" regadas com azeite assim o pedem.Vinhos brancos sicilianos são a primeira escolha, tintos bem jovens e sem madeira (se for com ricota defumada pode ter carvalho leve) ou um sauvignom blanc do novo mundo que daria um toque herbáceo agradável.

Espero que tenham gostado e Grazie a Dra.Giulia per le ricette!

E aguardem a vera "Parmigiana de Melanzane" receita original da Catania!

Abbracci a Tutti!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

OSTERIA AL MARE: DADO E MIGUELUCCIO NA COZINHA DE UBATUBA.

Dado, Bobmarino e Migueluccio
Olá pessoal, tudo bom! Sentiram saudades? Pois é voltei depois de um longo inverno, porquê felizmente não tive mais tempo de escrever do jeito que eu gosto nossa revista semanal sobre vinho, comida e amizade. Dessa vez não teve como deixar de blogar e, aproveitei as duas horas de folga que tenho para mostrar um pouco do que foi o aniversário de duas pessoas maravilhosas que completaram aniversário no último fim de semana. Nada mais e nada menos que os queridos Dado e Migueluccio de Lorenzo, cidadãos araraquarenses, que por si só já fizeram por valer a pena minha mudança de lotação para Araraquara. Um fim de semana inesquecível, com a companhia de familiares e amigos que tranformaram a Pensione de Lorenzo em Ubatuba na nossa susursal gastronômica da confraria "Dos Malas Al Mare". Cheguei tarde na sexta feira e fui recebido com um belo robalo feito ao forno com batatas, um pqp de prato com um belo espumante porquê Anche io sono Figlio di Dio. Estavam presentes ainda alem as respectivas Helena e Sandra. Joel, Claudia e Sylvio com "Y" mesmo que fez questão de aparecer no blog hehehehehehehehe!

Spaghetti quase al vôngole
Dia seguinte começamos com os acepipes variados enquanto era preparado um belo quase spaghetti al vongole, pero il vongole era poco e nosso querido Dado (lê-se  Helena)  deu a sugestão de acrescentar um pouco de camarão ao molho que foi complementado com tomates cerejas e salsinha fresca. Ficou simplesmente maravilhoso e ao meu ponto de vista até melhor que o original.
Fomos tomar um café com apfelstrudel ao lado da casa, dar uma passeada pelo centro para comprar alguns doces e òbvio que todo mundo depois foi dormir.


Caldeirada do Migueluccio
Lá pelas 19:00 Don  Miguel assumiu o comando da nave gastronômica e começou a preparar uma bela caldeirada. Dava pra sentir de longe o cheiro dos legumes na panela saltitando e logo que colocaram os frutos do mar ficou realmente estonteante. Primeira vez que tinha comido uma caldeirada dessas, muito saborosa e o mais engraçado era o Dado depois de 3 pratos comendo o caldo puro, não "con pon". Foi harmonizada com um vinho Redoma Branco 2008 do Douro bem frutado fresco com frutas brancas e toques florais e herbáceos muito gostosos com final untuoso e um Sauvignon blanc Fumé 2005 grego das Domaines Gerovassiliou , um pouco mais envelhecido com frutas bem maduras e mineralidade. Foi uma noite perfeita que terminou com um bolo mousse de chocolate e nozes harmonizado com um Porto Grahan's Rubi.

IL Capo
O macarrão é tranquilo pega-se os vongoles e deixa de molho em água fria por 2 horas e depois lave-os em água corrente para retirar as impurezas. Pôe pra ferver num caldeirão com água salgada e um tico de vinho branco até que as conchas se abram; e as que não abrirem devem ser  desprezadas. Retire a maioria dos vôngoles das conchas mas deixe algumas para enfeitar e dar uma "crocância auditiva".  Macarrão na água e coloque os vôngoles para saltear com azeite extravirgem junto com os camarões limpos e por último acrescente os tomates cerejas cortados ao meio com um tico de acúcar. Corrija com sal e pimenta fresca moidas na hora, azeite extravirgem o quanto baste e coloque na pasta que já deve estar al dente. Coloque bastante salsinha fresca picada e deixa o queijo ralado bem longe da mesa porquê nessse prato não combina. agora é só comer! Outra sugestão de massa para esse molho seria um belo tagliarine de tinta  de lula.



Claudia e Sylvio. 


Parabéns aos nossos amigos Dado e Miguel pelo aniversário e que a partir de hoje fica definido essa data no nosso calendário de eventos.


Abracci a tutti.

domingo, 4 de abril de 2010

CONFRARIA DOS MALA - 31\03\2010.

Olá pessoal, tudo bem?

Deixa eu botar a ordem na casa porquê já faz uma semana que não escrevo um parágrafo e meus posts estão acumulando. Nossa confraria se reuniu para brindar o calor com dois brancos monovarietais; um de Vermentino e outro de Riesling. Então sem mais delongas vamos a eles, enquanto os aromas de um ragú alla bolognese no fogo para a lasagna verde de amanhã estão me instigando:

1 - Occhio a Vento 2008 - Vermentino Maremma Toscana Igt I.G.T. - Rocca delle Macie - Itália.

Primeira vez que degusto um vinho feito de 100% da uva Vermentino, que geralmente apenas complementa outros cortes ou produs vinhos típicos na Ligúria junto com as Bosco e Albarola; e sinceramente me agradou. Jovem, ácida e fresca mostrou aqueles aromas de frutas cítricas, mentolado, florais e pimenta branca, sendo bem leve e refrescante. Como apenas 10% passou em barrica, sente-se muito pouco sua influência


2 - Clos Mathis Riesling 2006 - Apellacion Alsace Controlée - Domaine Ostertag - França.

Bom Riesling típico oriundo de um único vinhedo  Clos Mathis, que a partir de 1998 passou a cultivo biodinâmico de seus vinhedos gerando a primeira amostra deste vinho em 2000. Aromas de frutas maduras como abacaxi com damasco e mel em boa acidez. Petróleo e querosene típico da casta que não me impressionaram; talvez por estar muito jovem ainda e pagando um preço alto por ser biodinâmico.






3 - Tributo Cabernet Sauvignon 2007 - Caliterra - Valle Colchágua - Chile.

Tudo o que se espera de um bom Cabernet chileno (91% de Cabernet, 6% de Carmenére e 3% de Petit verdot) o Tributo possue; bem estruturado com aromas intensos de ameixas, floral de violeta e licor de cacau. Herbáceo típico de pimentão verde e balsâmico final com retrogosto bem abradável e persistente com aromas terrosos bem discretos nos seus 14% de álcool. Taninos ainda jovens num vinho sem frescura.

Bom, deixa eu dar uma mexida no ragú!

Abbracci a Tutti!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

PÊRA MANCA BRANCO 2007 - CONFRARIA DOS MALAS 04 \02\2010

Olá pessoal! Nosso primeiro encontro da confraria do ano e o local escolhido foi o Clube Araraquarense devido ao calor para tomarmos vinhos mais leves. Foi muito bom  para podermos colocar os assuntos da confraria em dia; avaliar e julgar as pendencias administrativas da diretoria.

Bom, vamos aos vinhos!

1 - Começamos com um rosé francês Les Bateaux Vin de Pays D'oc 2006 A.O. Languedoc com 100% de Syrah da Domaines François Lurton . Vinho leve de coloração casca de cebola com nariz mostrando pouco fechado com frutas vermelhas delicadas e um bom toque herbáceo. Com toque leve de baunilha, pecou pela falta de acidez necessária a um rosé  francês.





2 - O italiano Alísia mostrou aromas florais delicados, frutas brancas como melão e algumas tropicais  com acidez mediana e 12,5 % de álcool gerando boa refrescância. Este Pinot Grigio delle Venezie 2008 IGT da vinícola Astoria, mostrou-se extremamente elegante para se apreciar com um antepasto leve, na beira da piscina ou com frutos do mar. 


 Bem o nosso Pêra-Manca diferente do que eu imaginava vendo o rótulo de uma donzela oferecendo vinho ao cavaleiro montado num cavalo e não numa mula manca; significa pedras móveis ou soltas  características da região portuguesa de Évora  capital do Alentejo. Sua produção é conhecida desde os idos de 1500; apreciado por Camões que chegou a citá-lo em obras suas; e inclusive viajava em pipas nas caravelas  portuguesas quando "em demanda de terras ultramarinas" chegando  no Brasil pelas mãos de Pedro Álvares Cabral durante o descobrimento e oferecido aos índios. Será que a primeira missa foi celebrada com  ele? Depois de passar por vários proprietários, marca e vinhedos estão agora em posse da Fundação Eugênio Almeida .

Tudo isso serve apenas para o tinto, pois o branco só começou a ser produzido em 1990 com as uvas nativas Antão vaz e Arinto com produção de 35 mil garrafas ano.  Uma parte do mosto fermenta em depósito de aço inox e a outra parte em barricas de carvalho francês, à temperatura controlada de 16ºC. Após a fermentação segue-se um estágio, sobre borras finas com batonnage periódica, durante 10 a 12 meses. Por fim, procede-se a filtrações, loteamentos, estabilização tartárica e proteica, filtração final e engarrafamento a que se segue um estágio final de 6 meses em garrafa. 

3 - Coloração amarelo palha com toques dourados bem discretos, límpido inclusive no aroma de frutas como maçã verde e cítricos como limão siciliano; associada a nozes e um toque abaunilhado muito gostoso que junto á sua acidez pungente transforma esse vinho numa beldade. Muito interessante este conjunto de jovialidade com madeira e mineralidade que mostrou-se muito equilibrado.

Abbracci a tutti!

Para saber mais:
 
1 - Domaines François Lurton.
2 - Astoria.
3 - Fundação Eugênio Almeida.
4 - Zahil para 1 e 2.
5 - Casa Flora para 3.
6 - Em Araraquara, Empório Basílico para 1  e 2.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

DEGUSTAÇÃO ESPECIAL FINAL DE ANO CONFRARIA DOS MALAS - 13\11\2009

Olá amigos! Como de costume, nossa confraria se reune a cada  seis meses para a degustação de vinhos especiais. Esse ano por motivos de agenda, caiu numa sexta feira treze diferente da nossa habitual quinta. Ao contrário da especial de inverno onde tomamos vinhos mais encorpados, escolhemos para aproveitar a estação mais quente dois brancos e um tinto que foram eles:


1 - Clos de Sainte Hune 2002 - Maison Trinbach - Alsácia - França.
 
Este riesling é o mais famoso vinho da familia alsaciana Trimbach, que produz na região desde 1626. Seus vinhos são fermentados em tanques de aço inoxidável sob temperatura controlada e não sofrem fermentação malo-lática, nem passam por amadurecimento em madeira. Vinho de coloração amarelo dourado, apresenta de cara no nariz um aroma mineral intenso como líquido de isqueiro ou querosene. Suas frutas eram maduras e mel, que  lembravam damasco ou pêssego. Bela corpo e acidez que denotava longa refrescância acompanhado do bálsamo eucalipto. Caráter frutado menos persistente que o mineral, que se manteve marcante por toda a degustação.
Segundo Jancis Robinson e Hugh Johnson trata-se do melhor Riesling do mundo, e necessita de pelo menos sete anos para atingir seu auge.

2 - Meursault Blagny 1er Cru  2002 - Domaine Le Roy - A. O. Mersault - Côte de Beaune - França.


Vinho produzido apenas de Chardonnay na Borgonha, Blagny se encontra na divisa entre Meursault e Puligny-Montrachet  que mistura um pouco os estilos das duas denominações, ambas do mais alto nível para vinhos brancos. Um amarelo palha que mostra primeiramente aromas de frutas secas no nariz como nozes e amêndoas abrindo progressivamente para frutas frescas tipo pêssego branco, maçã verde e abacaxi. Na boca mantém presença de fruta fresca e ácida, com mentolado que me confunde com  herbáceo de grama fresca ou manjericão. Peraí que tem baunilhado caramelo e manteiga  no final sem exageros, com pouca mineralidade frente á fruta. Complexo e excitante.

3 - Clos-Vougeot Grand Cru Vieilles Vignes 2006 - Château de La Tour - Bourgogne - Côte De Nuits - França.

Esta  cuvée Vieilles Vignes vem se  igualando, de acordo com a crítica francesa, aos melhores resultados do Domaine de la Romanée Conti, num estilo bastante semelhante. Bom, tudo indicava que esse era o vinho da noite. Estes 750 ml foram  decantados por 1 hora e servidos mililitricamente em sete taças =

107,14285714285714285714285 ml /taça

e...... vinho de coloração ruby granada intenso, que mostra primeiro de tudo fruta em geléia, mas muiiiita geléia como cassis, agroselhas e tudo mais. Aromas terrosos e de folhas em decomposição que, disseram que era bosque e concordo. Médio corpo com tangível  maciez e textura com bastante taninos bem envolventes e maduros de pimenta como especiaria principal e cravo. Aromas de trufas, couro novo com retrogosto de persistência longuíssima e agradável. Fiquei realmente muito impressionado com a qualidade dos taninos deste vinho; daí provavelmente venha sua longevidade. Engraçado que apesar de tudo; o que se sobressai ainda é a fruta. Chega, mais nada a declarar sobre este maravilhoso Pinot Noir.

4 - Vin Santo del Chianti Rufina 2001 - Fattoria di Basciano - Chianti Rufina - Toscana - Itália .


Nosso saboroso sobremesa; feito de uvas Trebbiano e Malvasia apassificadas, ficou meio perdido no meio de tantas estrelas . Porém, se encontrou quando ao lado de seu principal e tradicional companheiro: os cantucci. Ele realmente perde um pouco em relação aos Marsala, Reciotto e Pantelleria como vinho de sobremesa e meditação. Algumas más linguas dizem que serve só pra amolecer os imastigáveis biscoitinhos! Porca tróia! Característica cor dourada ao ambar, apresenta aromas de frutas em calda, passificadas com cravo e canela. Amêndoas e mel fazem parte e por si só já harmonizam com os biscoitos.

Na foto retirada da Animal Planet Italiana, podemos ver um exemplar rústico da Siracusa radicado em Araraquara mostrando como seus ancestrais primitivos degustavam "vinsanto con i cantucci". Note  o modo delicado como segura o biscoito entre os dedos e o "biquinho" característico tipo Fernado Soler.

Os vinhos...





 
e suas importadoras:

1 e 2  para Zahil.

3 e 4  para Decanter.

Em Araraquara no  Empório Basílico.

Biquinho característico Fernando Soler.

Abbracci a tutti e bebam seus vinhos!

domingo, 13 de setembro de 2009

MUSCADET SEVRE ET MAINE AOC - O LOIRE BRANCO "SUR LIE".


Dessa vez nossa confraria deu um pulinho até o vale do Loire para conhecer mais uma AOC branca e suas peculiaridades. Os vinhedos de Muscadet Sèvre et Maine se encontram numa área de 8800 hectares no sudoeste de Nantes; englobando 23 municípios recebendo seu nome de dois afluentes do Loire que atravessam  a região: Sèvre Nantaise et Petit Maine.  Sua produção anual é de 418000 hl , sendo responsável por 80 % da produção de Muscadet na França.

Curiosamente a estória dessa AOC deu-se início a partir de uma tragédia, o grande inverno de 1709, que abateu sobre  região de Nantes congelando e destruindo a maioria das videiras tintas e brancas. Sobreviveram as de Muscadet, que haviam sido plantadas por comerciantes holandeses para a produção do seu brandy. Como alternativa foi ampliado o seu plantio por ser  uma casta sabidamente mais resistente ao frio. Isso tudo sem falar na Phylloxera que também passou pra fazer uma visitinha.
    
A Melon de Bourgogne é também chamada de  Gamay de Bourgogne por ser a prima branca da Gammay; e assim como ela,  é conhecida por ser facilmente cultivada gerando vinhos jovens e frutados. 

A denominação  "Sur Lie" - sobre as borras pode aparecer junto á apelação de origem; desde que que o vinho descanse em contato com as suas  borras (cascas, caroços, leveduras) nos barris ou  inox ao menos um inverno após a primeira fermentação até o engarrafamento. Tal processo vem de uma tradição familiar do início do século passado, quando os camponeses guardavam assim os melhores barris de cada safra para serem consumidos nas grandes festas como casamento (barril da noiva). Conservado sem a trasfega, esse vinho adquiria maior frescor, estrutura e leve gazeificação natural;  além de se proteger de oxidação.  Daí surgiu o Muscadet Sevre et Maine "Sur Lie".

Características organolépticas:

Seus vinhos brancos secos são caracterizados por possuir caracteristicas cítricas  e de frutas brancas, pouca mineralidade com média  acidez e bolhas naturais geradas pelo "sur lie", tornando-se um vinho elegante e com  bom frescor típico do verão francês para ser consumido com seus pratos regionais de frutos do mar..

Nessa noite degustamos dois vinhos da Domaine La Haute Fevrie considerado um dos melhores produtores de Muscadet, vamos a eles:



1 - Muscadet Sevre et Maine Sur Lie 2007  Domaine de la Haute Fevrie.  

Vinho de coloração amarelo palha com toques verdeais, que no nariz mostrou limão siciliano, maçã verde e herbáceo. Bela acidez na boca com toque de menta e presença de picância pelas bolhas residuais da fermentação. Médio corpo com retrogosto bem refrescante e pouca ou nula mineralidade.Vinho feito de 100% Melon de vinhedos de 35 anos. Ótimo custo benefício.

2 - Muscadet Sevre et Maine Sur Lie Terroirs Les Gras Moutons 2006  Domaine de la Haute Fevrie.

Vinho amarelo palha com toques dourados, límpido e translúcido. Nariz mostrou-se mais complexo com aromas  floral e de frutas maduras e cítricas como melão, maçã verde e lichia. Presente pouca mineralidade e fundo tostado ou de fermento de pão. Bom paladar e médio corpo com boa estimulação de papilas, porém ao meu gosto faltou um pouco de acidez e álcool. Provém de vinhedo único devideiras de até 75 anos de idade e 100%  Melon que permeneceu durante 6 meses "sur lie".

São perfeitos para ostras, aperitivo, entradas com peixe e frutos do mar, peixes grelhados ou com molho beurre blanc  e que segundo Rodrigo caem muito bem com ceviche.

Só para terminar o Crémant do Loire existe sim!

 Para saber mais:

http://www.vinsdeloire.fr/   excelente site
http://www.vigneron-independant.com/  e diga oui!
http://www.vinhoszahil.com.br/
http://www.emporiobasilico.com.br/

ABBRACCI!!!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

MENU AMIGO: PAPPARDELLE AL RAGU DI CINGHIALE 29/08/2009.


Pois é, este foi mais um destes encontros incríveis da nossa confraria que deram certo! Fazia tempo que queríamos fazer este ragu de javali, mas sempre faltava alguma coisa: o javali. Como ele já estava fazendo aniversário do prazo de validade no freezer, Nelsão resolveu abrir mão do suíno; viu Miguel!? Dessa vez estava tudo no seu lugar cozinheiros, ingredientes, as receitas e aquela vontade de reunir os amigos. Poucos telefonemas e ás 09:00 a carne já estava na panela.  Como nos anteriores; este post tem apenas intuito ilustrativo dos vinhos devido ao caráter festivo com o qual foram degustados.

Um pouco de cultura gastronômica.

O pappardelle é uma massa de origem toscana , a irmã do meio do tagliatelle e da primitiva lazagna. Longa deve variar de 10 a 15 cm de comprimento por 2,5 a 3,5 cm de largura dependendo da "anima-spirito" de quem está cortando. Se for seca geralmente as bordas são lisas; e chamfreadas se  fresca. Por ser um prato típico camponês; seus principais acompanhamentos são os ragus encorpados de carne de caça sendo os mais famosos o de javali e o de coelho. O seu nome deriva do dialeto toscano "pappare"  que significa comer num sentido mais lúdico; e denota o modo como as crianças se divertem comendo "mangiare con gioia e piacere quasi infantili". Existe uma outra versão contada pelos Médicis (Catarina), mas não confio nessa princesinha mimada.
Como não poderia ser diferente, nosso prato de hoje  "pappardelle al ragu di cinghiale" é  oriundo da região toscana chamada de Maremma grossetana, planície costeira que é rica em animais selvagens para caça. Existem basicamente duas receitas de molho; uma com sugo de tomates  menos aromática como nosso ragú tradicional e outra mais forte baseada no caldo de carne e especiarias. Optamos por uma mescla das duas por ser mais democrática.
Vinhos regionalmente sugeridos Morellino di Scansano ou Rosso di Montalcino.
Vamos a receita!

Ingredientes para 6 pessoas com fome:

500 gr de pappardelle.
500 gr de carne de javali limpa e cortada em cubos de 2-3 cm.
2 cebolas picadas.
3 dentes de alho picados.
1 cenoura bem  picadinha.
1 talo de salsão picado como a cenoura.
80 ml azeite de oliva extravirgem.
500 ml molho de tomate.
2 colheres de sopa de extrato de tomate.
2 ramos de alecrim.
2 folhas de louro.
1 ramo de tomilho.
Sementes de zimbro 10 g.
2 cravos.
Sal.
Pimenta do reino preta moída na hora.
400 ml de vinho tinto.
2 colheres de sopa de leite.
Queijo parmesão ralado a poucos instantes.


Preparo:


Primeiramente tempere o javali com sal e pimenta. Numa panela grossa e funda sele bem os pedaços de carne no azeite, retire e reserve. Agora sem pensar refogue nessa mesma panela a cenoura, salsão, cebola e alho até amolecerem. Acrescente o vinho tinto e espere um pouco até estabilizar tudo. Retorne á panela os pedaços de javali, acrescente o molho de tomate, o leite, as ervas picadas, as sementes de zimbro intactas, os cravos e cozinhe em fogo baixo até ficar apurado do seu gosto. Corrija sal e pimenta.
Cozinhe o pappardelle fresco em bastante água fervente com sal por cerca de 2 minutos. Escorra-o e incorpore ao molho, misturando bem. Sirva em pratos fundos e decore com o alecrim e um fio de óleo extravirgem.


Esta receita foi livremente inspirada em experiências de viagens (Montalcino e Pienza) e na edição de outubro de 2008 da Revista Gula.
Se quiserem fazer com coelho, me chamem que eu ajudo e levo um vinho!
ABBRACCI!!!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

DE VOLTA DO RIO - DEGUSTAÇÃO CONFRARIA DOS MALAS - 29 DE JULHO DE 2009

Olá pessoal e que me desculpem os confrades mas estava meio atarefado em virtude do movimento de julho emendado com o 28 Congresso Carioca de Cirurgia Plástica. Apesar de ter ficado longe de vcs e degustar mais cerveja do que vinho, tive a oportunidade de fazer novos amigos e agrupar uma infindável quantidade de temas para novos posts..

Nessa minha viagem de cunho científico pude dar minhas escapadas e conhecer alguns lugares pitorescos da Barra ao Leblon, escoltado pelo mais novo amigo - ala Marcão. Pude ter realmente a idéia de como é ser um carioca e entender o "carioca way of life". Meus próximos posts terão sobre a viagem e seus dintornos.

E posso lhes garantir que o Rio de Janeiro continua lindo.......

Para não ficar em falta com os colegas da confraria, vai aí os nossos últimos vinhos degustados antes da viagem:


O primeiro vinho da noite foi o espumante rosé gaúcho de Flores da Cunha; Luiz Argenta feito assemblage pouco usual das uvas cabernet sauvignon, franc e merlot pelo método Charmat. Apresentou uma coloração rosa -cereja porém não pude perceber seu pérlage inicial pois cheguei bem atrasado. Os outros confrades me garantirem que apresentava-se intenso no início com boa espuma e bolhas finas para médias. Aromas um pouco fechados com predomínio de maçã e de fermento\pão. Infelizmente não posso avaliá-lo pois já não estava na temperatura ideal. Todos os demais aprovaram.

http://www.luizargenta.com.br/








A seguir veio mais um bom vinho desse criterioso enólogo Thierry Villard com o seu tinto L'assemblage Grand Vin 2005; cujo próprio nome já nos antevê uma mistura de cabernet sauvignon que deu corpo e toque herbáceo, syrah com fruta jovem e potência . Já a Petit verdot (cor) e merlot (arremate) que não consegui identificar sua real contribuição. De coloração rubi intensa com toques violáceos, apresentou aromas frutados de amora, cerejas e mirtilos com boa presença de pimenta e herbáceo mato cortado- menta bem acentuado. Bom corpo e estrutura equilibrada com taninos bem macios. Uma boa compra.


http://www.villard.cl/









Pra terminar a noite , foi escolhido um Pinot Noir Neozelandês Frammingham vintage 2006 da região de Malborough. Vinho de coloração rubi com grande intensiadade aromática com cerejas, morango e framboesa, médio corpo e taninos bem agradáveis . Fácil de beber e de se degustar em comparação com outros do genero que já provei. Achei pouca interferência da madeira com baunilha e especiarias terminando o bouquet. Tb aprovado.

http://www.framingham.co.nz/









Bom por hoje é só e esperem pelos novos posts


ABBRACCI!!!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O PRIMEIRO BORGONHA A GENTE NÃO ESQUECE...CORTON - CHARLEMAGNE.

Nessa minha vida de enocurioso já tinha tomado até então mais ou menos um pouco de tudo. Havia uma grande lacuna em meu currículo que me atrapalhava na degustação de vinhos brancos; na verdade não tinha parâmetros de comparação principalmente para os de Chardonnay. Nada melhor começar com um grande Borgonha.




Degustamos Corton-Charlemagne Granc Cru 2006 - Domaine Comte Senard



O Corton-Charlemagne é um vinhedo Grand Cru localizado entre as aldeias de Aloxe -Corton, Pernand -Vergelesses e Ladoix- Serrigny, na Cotê de Beaune região vinícola de Borgonha. Esta apelação possue 1,98 hectares de vinhedos plantados na porção sudoeste de uma colina que produzem anualmente 300.000 garrafas de vinho branco. Possue combinação perfeita de solo argilo-calcário e clima continental com os vinhedos recebendo boa quantidade de sol pela manhã permitindo assim boa maturação. As uvas cultivadas na porção mais alta são a Chardonnay (Corton-Charlemagne) e uma pequena quantidade de Pinot blanc. O vinho tinto de denominação Le Corton cobre a parte inferior deste morro com a casta Pinot noir, transformando-se assim na única apelação que contém brancos e tintos na Borgonha.

A história deste vinhedo é recente, e em parte deve-se ao imperador francês Carlos Magno (corton=lugar alto e Charle Magne) que doou em 775 um lote de terras para os monges da Abadia de Saulieu tomarem conta. Reza a lenda que imperador gostava muito dos vinhos tintos provenientes desta região, mas com a idade sua farta e longa barba começou a ficar cada vez mais branca e tingia-se facilmente. Sua esposa Desidéria incomodada com o fato, começou a apurrinhar o nobre imperador para que ele parasse de tomar os vinhos de sua região predileta. Dito e feito: de tanto a dona patroa insistir, Carlão mandou cortar todos os vinhedos e replantá-los com uvas brancas satisfazendo assim os caprichos da imperatriz . Pôde então manter a barba alva e tomar seu vinho de bermudão e chinelo na varanda com sossego.

Portanto é graças a imperatriz, que pude tomar um dos vinhos brancos
(e não tintos) mais famosos do mundo. Em 1660 os monges de Saulieu venderam o vinhedo, mas em 22 de março de 1862 que estes vinhedos passaram a receber a denominação de Grand Cru .

Bom chega de papo:
Vinho de coloração amarela com reflexos verdeais , límpido e translúcido. No nariz não apresentou uma explosão de sabores, mas a cada momento apresentava uma faceta. Começou com aroma de frutas maduras como abacaxi, melão e maçã verde com toque herbáceo. Impressionante mineralidade e com o tempo apareceram sabor de mel, cera, baunilha e caramelo. Extremamente untuoso na boca mantendo a fruta madura e manteiga contrastando com o mineral e a boa acidez. Irretocável com retrogosto persistente até agora...


Para saber mais:
www.domainesenard.com/
www.drouhin.com/

domingo, 5 de julho de 2009

Menu Amigo - Tagliatelle Paglia e Feno al Ragu di Braciola da Lelé - 04\07\2009



O primeiro "Menu Amigo" do blog; espaço onde nossos colegas podem colocar suas receitas, era para ser na verdade de um papardelle ao ragu de cinghiale ou melhor javali. Mas em virtude de vários compromissos individuais abortamos este ragu e mantivemos a idéia de se fazer a pasta caseira com um molho mais caseiro ainda: macarrão com molho de bracciola. Acho que poucos pratos de origem italiana carregam tanto nossa identidade genética como este. Lembro-me de minha avó com minhas "tias" preparando essas massas caseiras aos domingos; levando horas a fio num trabalho muito divertido. Feita originalmente com coxão duro ou patinho, este corte sobrevive a um grande tempo de cozimento e transfere ao molho seu sabor e corpo singulares tanto da carne como seu recheio. Miguleluccio ficou encarregado do preparo da massa "in loco" e já trouxe o molho apurado de casa. Já a bracciola ele fez questão de manter segredo quanto a sua duvidosa origem.


Estavam presentes Nelsom, Miguel e seu filho Rafael, Bob, Cecato, Silvio e Humberto.


Em muitas regiôes da Itália, principalmente de Roma em diante, se entende por “braciola” a bisteca da carne com osso, ou seja , um tipo de corte da carne muito semelhante ao da bistecca alla fiorentina. Já a braciola para os italianos do sul, é o "involtine" para os do norte: rolinho de carne que "envolve" um recheio teoricamente mais gostoso, que se pode preparar de múltiplos modos e com diversos tipos de carne e recheios. É uma receita tipica de inverno e das festas de "Il Carnevale" ou simplesmente para ser servido aos domingos. Te lembras de algo? O que confirma realmente ser uma receita sulina da Campagnia - Nápoli é a caracteristica típica de fazê-la cozida no molho de tomate (al sugo) em fogo baixíssimo por 4 a 6 horas. Massas que mais combinam são o orecchiette, qualquer massa longa (espaguete por ex.) ou um bom nhoque da batatas. Na verdade pode-se usar sua criatividade utilizando vários tipos de carne e recheios omitindo ou acrescentando ingredientes. Dependendo das região italiana pode ser feita de vitelo mais ao norte ou de porco/javali na toscana; com molho encorpado ou mais suave e delicado.



Miguel e Nelson conferindo a pasta.


Vamus lá.

ingredientes para a tradicional braciola napoletana.

  • 8 bifes de coxão duro (patinho)
  • 8 pedaços de bacon longos e finos
  • 8 filetes de cenoura cortadas no comprimento
  • 8 vagens
  • 8 fatias de mussarela
  • 8 fatias de pimentão
  • 8 cebolinhas

Modo de Preparo para 500 mg de massa.

Espalme um bife e preencha com os ingredientes acima lado a lado e enrole como se fosse um rocambole. Para que não se abram durante sua longa jornada no molho, fixe as estremidades com palito de dente e um no centro. Pode-se amarrar com barbante ao invés do palito; dá mais trabalho primeiro pra amarrar e depois desenrolar no prato. Avisa os trogloditas pra tirar os palitos com cuidado antes de comer e ponha um número fixo de 3 palitos inteiros por peça.

Ecco!!! la braciola ou involtino

E o ragu?

Primeiro doure as "braciolas" numa panela grande com azeite suficiente.

Acrescente cerca de 1 litro de molho de tomate al sugo de sua preferência e deixe cozinhar em fogo baixo até que as braciolas estejem realmente macias ao toque com um garfo e o molho apurado ao seu gosto. Se o molho secar demais antes da carne estar pronta pode-de acrescentar mais água ou caldo de carne. Cuidado para o molho não queimar no fundo da panela tb!!!! Tem gente que faz na pressão mas não aconselho.

Gosto de servi-las numa travessa de vidro grande, com bastante massa al dente e coloco o molho e as braciolas por cima. Tem mais cara de vó e de domingo. Polvilhe com bastante parmesão ralado na hora e abra um bom vinho tinto italiano de médio corpo que pode ser um rosso de montalcino, chianti ou aglianico .

Tintos que foram abertos :



1 - Le Monache 2006 - Monferrato Rosso - Piemonte - Michele Chiarlo .O Le Monache é um corte da uva Barbera 70%, típica da região, com as francesas Merlot 10% e Cabernet Sauvignon 20%, fermentado e afinado em aço a fim de preservar ao máximo a sensação de fruta fresca e a delicadeza.
http://www.chiarlo.it/italiano/vini/le_monache/scheda_vino.htm

2 - Mont Gras Quatro Reserva 2003 - Vale Conchággua - Chile. Foi o primeiro vinho que comprei depois do curso básico da A.B.S em 2005 . São quatro uvas entre elas cabernet sauvignon, syrah, carmenére e merlot. Na primeira garrafa que abri em 2005 estava muito jovem e tânico, diferente de hoje que estava redondo com frutas maduras e especiarias - creio que está no seu auge. Pena que já tomei todas....
http://www.montgras.cl/english/home.htm

3 - La Segreta 2005 - IGT Sicilia -Planeta . Mais um bom vinho dessa inovadora vinícola Planeta. Assemblage de 50% Nero D'Avola, 25% Merlot, 20% Syrah e 5% Cabernet Franc. Vinho com boa acidez e frutado em calda. Compatibilizou bem com o prato, mas achei um pouco cozido; não sei se foi o calor da Sicília.....
http://www.planeta.it/home.htm
Gostaria de agradecer tb ao Nelsom pela sua corriqueira cordialidade e carinho na arte de receber os amigos em sua propriedade; e pela sua máquina elétrica de fazer pasta caseira importada diretamente do free shop do Paraguay. Sem ela esse almoço não seria possível. Creio neste momento que Miguel com sua experiência acumulada na área; está transformando essa pasticcera numa boa máquina de fazer churros, fios de ovos ou caldo de cana.

Buon apetito!!!!!!!!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Confraria dos Malas - 19\06\2009

Nesta reunião persistentes Rodrigo, Dado, Joel, Mário, Nelsom (o da patinha ferida), Ariovaldo e Abelardo que nos presenteou com o Prelúdio trazido diretamente de sua expedição aos confins do Uruguay.



1 - Inomminabile 2005 - Villaggio Grando - Santa Catarina.


O nosso primeiro vinho da noite veio de Santa Catarina trazendo uma proposta de vinho de guarda. Assemblage das safras de 2005 e 2006 com Cabernet Sauvignon e Franc, Merlot, Pinot Noir e estágio de 6 meses em barrica de carvalho. Rubi vivo, complexo com aromas de ameixa madura, café, couro e especiarias. Ao nosso parecer sobrou um pouco no álcool e na acidez, mas com taninos redondos e bem estruturado. Para todos os confrades a impressão final foi muito boa, caracterizando-o com um vinho de identidade própria que tem muito a evoluir nas próximas safras . Obrigado Mario por mais este presente. R$ 69,00



2 - Preludio 2004 - Familia Deicas LOTE 77 - Uruguay.


De início garrafa e rótulo com uma partitura de fundo e já impressionam; e á nos dá uma idéia do que está por vir: elegância e harmonia . Por isso chama Prelúdio?

Trata-se de um vinho de guarda elegante este; feito com as uvas Tannat 40%, Cabernet Sauvignon 24%, Cabernet Franc 20%, Merlot 12%, Petit Verdot 2% e Marselán 2% . Teve passagem de 22 meses em barrica de carvalho francês somando um total de 44.229 garrafas.

Colheita é manual com seleção dos bagos e envelhecimento de 22 meses em barrica de carvalho francês em cavas subterrâneas construidas de pedra em 1830, aonde se obtem boas condicões de temperatura e umidade naturalmente constantes assegurando boa evolucão do vinho. A cada 6 meses selecionam as melhores barricas que apresentam maior capacidade de amadurecimento do vinho; e no final de 22 meses restam em média apenas 200 barricas com o melhor da safra. Segue-se para a assemblage ond são definidas as proporcões finais sobre uma base de Tannat generalmente dominante. Tradicionalmente este vinho se elabora com as variedades: Tannat, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot,Petit Verdot e Marselán. Posteriormente são engarrafadas e prosseguem seu envelhecimento por mais alguns meses nas mesmas cavas subterrâneas. E um vinho que segundo o produtor evolue muito bem com o tempo de 5 a 15 anos dependendo da colheita. Sua cor mostrou-se rubi com toques violáceos, médias lágrimas e sem halo de evolução. Aromas de baunilha, caramelo e chocolate completam-se com frutas vermelhas maduras .Taninos bem macios com retrogosto bem agradável. Aconselha-se decantar 30 minutos antes de servir-lo. Realmente me impressionou. R$115.00.

3 - Il Carbonaione 2002 - I.G.T. Alta Valle della Greve - Podere Poggio Scolette - Greve in Chianti - Toscana.


Pra encerrar entra em cena o nosso supertoscano, num varietal 100 % de sangiovese , provenientes de vinhedos antigos e raros lotados no coração de chianti clássico . Vinho intenso de coloração rubi com toques granada e aromas muito fechados no começo que só começaram a evoluir depois de 1 hora de decanter. Lembram ameixa preta, azeitona - pimentão, toque hérbáceo como menta , couro fino novo. Òtimo retrogosto, equilibrado com álcool e taninos que imploravam por uma bisteca fiorentina ou uma massa com um ragú consistente de molho vermelho. Estagiado por 14 meses em carvalho francês. R$ 300,00 .

Gambero Rosso: 3 bicchieri

Guia duemilla vini: 4 grappoli

http://www.poggioescalette.it/





Abbraccio e Salute!!!!!

sexta-feira, 29 de maio de 2009

CONFRARIA DOS MALAS

NESTA QUINTA FEIRA 28/05/2009 ,TIVEMOS NO EMPÓRIO BASÍLICO MAIS UMA DEGUSTAÇÃO DA NOSSA CONFRARIA, ONDE FORAM DEGUSTADOS DOIS VINHOS TINTOS E UM FORTIFICADO NACIONAL DE SANTA CATARINA PRESENTEADO PELO MARIO. ESTAVAM PRESENTES AINDA DADO, JOEL , SILVIO , HUMBERTO (MEIA FALTA), LEE FU FEN COM SUA ESPOSA , MAURÍCIO E NOSSOS ANFITRIÕES RODRIGO E ISABELA. OS 2 PRIMEIROS VINHOS TINTOS FORAM DECANTADOS POR CERCA DE 30 MINUTOS.


VAMOS AO VINHOS:






1 - ALTAS QUINTAS 2004 - PORTUGAL - ALENTEJO

CORTE DE TRINCADEIRA, ARAGONÉZ E ALICANTE BOUSCHET SEM A ESPECIFICAÇÃO DE PORCENTAGEM ,COM ESTÁGIO EM BARRICAS NOVAS DE CARVALHO FRANCÊS. TRATA-SE DE UM VINHO ELEGANTE DE COR RUBI, JOVEM COM AROMAS DE CEREJA E AMORAS, NOTAS HERBÁCEAS E CHOCOLATE. CORPO MÉDIO E BEM EQUILIBRADO

2- VIÑA ARDANZA RESERVA 2000 - ESPANHA - RIOJA

VINHO DE 80% TEMPRANILLO ORIUNDOS DE FUENMAYOR (RIOJA ALTA) E 20 % DE GARNACHA DE VINHEDOS PRÓPRIOS DE AUSEJO E TUDELLILA EM RIOJA BAIXA. PASSOU POR BARRICAS DE CARVALHO AMERICANO POR 36 MESES. VISUAL DE COR RUBI COM HALO DE MATURAÇÃO E COM BOA TRANPARÊNCIA E LIMPIDEZ . AO NARIZ MOSTROU-SE COMPLEXO COM NOTAS DE FRUTAS VERMELHAS MADURAS COMO CEREJA E AMEIXA, BAUNILHA ,CANELA E TABACO. BOA PERSISTENCIA E FINAL DE BOCA EQUILIBRADO. O QUE SE PODE VERIFICAR TB ERA UMA NOTÁVEL ACIDEZ QUE DENOTAVA FRESCOR.



3 - PORTENTO 2005 - QUINTA SANTA MARIA -SÃO JOAQUIM-SC .


ESTE VINHO DE SOBREMESA FAZ ALUSÃO AOS NOSSOS PATRÍCIOS PORTOS E, QUE POR MOTIVOS LEGAIS, FORAM IMPEDIDOS DE SEREM CHAMADOS DE PORTO OU 'TIPO PORTO' APESAR DE SEREM PRODUZIDOS DA MESMA FORMA. SÃO UTILIZADAS UVAS CABERNET SAUVIGNON E MERLOT E AS CASTAS PORTUGUESAS TOURIGA E ARAGONÉZ , COM ESTÁGIO DE 6 MESES EM CARVALHO FRANCÊS
ELE MOSTROU COLORAÇÃO RUBI COM TONS OCRES, BOA PRESENÇA DE FRUTA EM COMPOTA, AROMAS DE CHOCOLATE, CAFÉ, MENTA E ESPECIARIAS. TANINOS MACIOS.O QUE MAIS NOS IMPRESSIONOU FOI O EQUILÍBRIO ENTRE O ACÚÇAR E O ALCOOL 18%, TORNANDO-SE UM VINHO FÁCIL DE BEBER E BOA COMPATIBILIZAÇÃO COM O CHOCOLATE. PODE SER UMA BOA ALTERNATIVA AOS VINHOS DE SOBREMESA, PORÉM AINDA NÃO PODE SER COMPARADO A UM GRANDE PORTO. FOI DESTAQUE DA EDIÇÃO NÚMERO 29/2008 DA REVISTA ADEGA, FICANDO EM PRIMEIRO LUGAR NA DEGUSTAÇÃO COM OUTROS QUATRO VINHOS DE SOBREMESA NACIONAL.