sexta-feira, 31 de julho de 2009

O PRIMEIRO BORGONHA A GENTE NÃO ESQUECE...CORTON - CHARLEMAGNE.

Nessa minha vida de enocurioso já tinha tomado até então mais ou menos um pouco de tudo. Havia uma grande lacuna em meu currículo que me atrapalhava na degustação de vinhos brancos; na verdade não tinha parâmetros de comparação principalmente para os de Chardonnay. Nada melhor começar com um grande Borgonha.




Degustamos Corton-Charlemagne Granc Cru 2006 - Domaine Comte Senard



O Corton-Charlemagne é um vinhedo Grand Cru localizado entre as aldeias de Aloxe -Corton, Pernand -Vergelesses e Ladoix- Serrigny, na Cotê de Beaune região vinícola de Borgonha. Esta apelação possue 1,98 hectares de vinhedos plantados na porção sudoeste de uma colina que produzem anualmente 300.000 garrafas de vinho branco. Possue combinação perfeita de solo argilo-calcário e clima continental com os vinhedos recebendo boa quantidade de sol pela manhã permitindo assim boa maturação. As uvas cultivadas na porção mais alta são a Chardonnay (Corton-Charlemagne) e uma pequena quantidade de Pinot blanc. O vinho tinto de denominação Le Corton cobre a parte inferior deste morro com a casta Pinot noir, transformando-se assim na única apelação que contém brancos e tintos na Borgonha.

A história deste vinhedo é recente, e em parte deve-se ao imperador francês Carlos Magno (corton=lugar alto e Charle Magne) que doou em 775 um lote de terras para os monges da Abadia de Saulieu tomarem conta. Reza a lenda que imperador gostava muito dos vinhos tintos provenientes desta região, mas com a idade sua farta e longa barba começou a ficar cada vez mais branca e tingia-se facilmente. Sua esposa Desidéria incomodada com o fato, começou a apurrinhar o nobre imperador para que ele parasse de tomar os vinhos de sua região predileta. Dito e feito: de tanto a dona patroa insistir, Carlão mandou cortar todos os vinhedos e replantá-los com uvas brancas satisfazendo assim os caprichos da imperatriz . Pôde então manter a barba alva e tomar seu vinho de bermudão e chinelo na varanda com sossego.

Portanto é graças a imperatriz, que pude tomar um dos vinhos brancos
(e não tintos) mais famosos do mundo. Em 1660 os monges de Saulieu venderam o vinhedo, mas em 22 de março de 1862 que estes vinhedos passaram a receber a denominação de Grand Cru .

Bom chega de papo:
Vinho de coloração amarela com reflexos verdeais , límpido e translúcido. No nariz não apresentou uma explosão de sabores, mas a cada momento apresentava uma faceta. Começou com aroma de frutas maduras como abacaxi, melão e maçã verde com toque herbáceo. Impressionante mineralidade e com o tempo apareceram sabor de mel, cera, baunilha e caramelo. Extremamente untuoso na boca mantendo a fruta madura e manteiga contrastando com o mineral e a boa acidez. Irretocável com retrogosto persistente até agora...


Para saber mais:
www.domainesenard.com/
www.drouhin.com/

Um comentário:

Suzi disse...

Estou fazendo um projeto da faculdade sobre embalagem e escolhi exatamente este Chardonnay . Pelo que percebi entende de vinhos. Gostária de saber se pode entrar em contato comigo para tirar algumas dúvidas e falar desta maravilhosa bebida.