sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

SEGUNDA DIVINO: ALHEIRAS COM QUINTA DA BACALHÔA - CULINÁRIA COM RELIGIÃO.


A alheira é um embutido defumado típico da culinária portuguesa cujos principais ingredientes são a carne e gordura de porco, carne de aves, pão, azeite, banha, colorau e bastante alho. Pode ser consumida grelhada ou assada; guarnecida de couve, ovos, legumes da estação e lógico muito azeite.
Reza a lenda que os judeus foram perseguidos e expulsos de Castela no norte Espanha pelos reis católicos inquisitores no final do século XV, encontrarando refúgio em Trás os Montes - Portugal levando consigo sua religião e costumes. Para fugir da Inquisição, viram obrigados a  se converter em cristãos novos; porém continuavam em segredo a guardar sua "renegada" religião judaica. De acorco com a Inquisição, um forte indício para que alguém fosse denunciado judeu; consistia no não consumo de carne suína em especial os embutidos preparados com ela como presunto, linguiças, salames e chouriços.  Para despistarem seus perseguidores e manterem vivos os princípios judaicos, criaram as primeiras alheiras que foram feitas alternativamente com as permitidas carnes de vitelo, coelho, frango ou peru  adicionadas de temperos fortes, massa de pão, corantes e depois defumadas para que se parecessem com os tradicionais embutidos de carne de porco. Assim como em toda casa cristã trasmontana que se prezasse penduravam á vista de todos fileiras de alheiras, fingindo que consumiam carne de porco  proibida pelo judaísmo e tradicional entre os cristãos.
- Ecco nascia a alheira e banana para a inquisição!!

Acabou se popularizando inclusive entre os cristãos, que por ironia foram os responsáveis pela introdução da carne de porco na receita. A mais famosa das alheiras é a oriunda de Mirandela, na região de Trás-os-Montes, frequentemente considerada a de melhor qualidade.

O vinho escolhido precisava ser lusitano e Gil não hesitou em abrir um Quinta da Bacalhôa Tinto 2002 da Península de Setúbal feito 90% de Cabernet sauvignon e apenas 10% de Merlot. Coloração rubi intensa querendo trazer um pouco de granada em corpo médio, não guentei e pulei logo pra boca mostrando uma bela acidez com taninos bem regulares e retrogosto agradável num final com chocolate e terra fresca. No nariz mostrou-se bem frutado com predominância de cereja e amarena. Final com bastante menta que associada á fruta e baunilha lembrava-me até bala tipo Halls. Adorei este vinho, pois por estar acostumado com os cabernets chilenos e argentinos, já imaginava uma lixa tânico-alcoólica e veio um veludo bem macio e sem sobra de álcool nos 13% do rótulo. Sua acidez bateu bem com a das alheiras equilibrando sua gordura, tostados e temperos fortes de alho.



Para saber mais:

 1- O bom Quinta da Bacalhôa, com seu rótulo dourado e branco difícil de ser fotografado!


As alheiras foram compradas pelo Gil no Mercadão de S.P. sei lá qual banca e grelhadas apenas. Por terem recheio gorduroso, as alheiras frequentemente explodem durante o preparo liberando seu conteúdo interno que se carameliza....Meu Deus!

Abbracci a tutti!

2 comentários:

Noémia disse...

Posso dar-lhe uma dica?
Antes de fritar ou grelhar as alheiras pique-as com um alfinete a toda a volta, assim elas vão libertando a gordura sem rebentar. Se precisar repita o processo.Mantenha o lume brando e vá-as virando diversas vezes.
Excelente escolha para acompanhar o prato! :)

ROBERTO (ANTICA OSTERIA MARINO) disse...

Olá Noémia, excelente sua dica porquê o que acontece com nossas alheiras algumas vezes: a parte rebentada se queima na grelha e o interior continua em algumas partes mal cozido até cru. Vou ser obrigado a fazer de novo!
Muito obrigado e vou mandar para o Gil(meu parceiro) seu comentário!
Um grande abraço e feliz 2010!

C=:)-