quarta-feira, 19 de maio de 2010

ODE AO VINHO - PABLO NERUDA (1904-1973).

Olá pessoal, tudo bem?

Pra ser sincero com vocês nunca tive muita proximidade com a obra de Pablo Neruda, sendo que meu primeiro contato foi com o livro O carteiro e o poeta. Tive a oportunidade de conhecê-lo melhor hoje que visitei sua casa aqui em Santiago e me impressionou tudo o que eu vi. Trata-se  além de um grande poeta e ativista político; uma pessoa que amava muito seu país, seus amigos, suas mulheres e o mar.....
Na arquitetura de sua casa pode-se comprovar a alegria com que queria receber seus amigos e amantes, criando uma atmosfera propícia para criar e amar, o mar. Todo esse seu amor ás coisas que sua terra podia oferecer está encrustada nessa obra onde seus sentimentos se enebriam  de vida num só poema. Como estou preparando uma série de posts sobre minha viagem ao Chile, adoço a boca de vocês com ese poema nerudiano em homenagem ao vinho que sempre esteve presente na sua vida.

ODA AL VINO

Vino color de día,
vino color de noche,
vino con pies de púrpura o sangre de topacio,
vino,
estrellado hijo de la tierra,
vino,
liso como una espada de oro,
suave como un desordenado terciopelo,
vino encaracolado y suspendido,
amoroso,
Marino,
nunca has cabido en una copa,
en un canto, en un hombre,
coral, gregario eres,
y cuando menos, mutuo.

A veces
te nutres de recuerdos mortales,
en tu ola
vamos de tumba en tumba,
picapedrero de sepulcro helado,
y lloramos lágrimas transitorias,
pero tu hermoso traje de primavera
es diferente,
el corazón sube a las ramas,
el viento mueve el día,
nada queda
dentro de tu alma inmóvil.



El vino
mueve la primavera,
crece como una planta la alegría,
caen muros,
peñascos,
se cierran los abismos,
nace el canto.
Oh tú, jarra de vino, en el desierto
con la sabrosa que amo,
dijo el viejo poeta.
Que el cántaro de vino
al beso del amor sume su beso.

Amor mio,
de pronto tu cadera
es la curva colmada de la copa,
tu pecho es el racimo,
la luz del alcohol tu cabellera,
las uvas tus pezones,
tu ombligo sello puro
estampado en tu vientre de vasija,
y tu amor la cascada de vino inextinguible,
la claridad que cae en mis sentidos,
el esplendor terrestre de la vida.

Pero no sólo amor,
beso quemante o corazón quemado
eres, vino de vida,
sino amistad de los seres,
transparencia,
coro de disciplina,
abundancia de flores.
Amo sobre una mesa,
cuando se habla,
la luz de una botella
de inteligente vino.

Que lo beban,
que recuerden en cada
gota de oro
o copa de topacio
o cuchara de púrpura
que trabajó el otoño
hasta llenar de vino las vasijas
y aprenda el hombre oscuro,
en el ceremonial de su negocio,
a recordar la tierra y sus deberes,
a propagar el cántico del fruto.



1 -TODOS OS CRÉDITOS PARA AQUELES QUE LUTAM PELA PRESERVAÇÃO DA HISTÓRIA E E IMAGEM DESTE POETA Fundacíon Neruda.

Abbracci a tutti!

terça-feira, 11 de maio de 2010

TOP WINEMAKERS 2010 CHILE. CORRA ANTES QUE O SILVESTRE PUBLIQUE!!!!!

Olá pessoal tudo bem?

Nesta última Expovinis tive a oportunidade de conhecer uma pessoa muito agradável e simpática que é o Sylvestre Tavares do Vivendo a Vida. Estava no box da Viu Manent  tomando meu Viu 1 quando deparei com aquela figura singular e seu colega Dr W. Conversamos bem por uns 45 minutos sobre o Enoblogs, que ao meu ponto de vista é o maior divulgador independente do conhecimento do vinho do Brasil, e a as nossas peripécias enológicas. Nada passa Incógnito por ele com seus posts são dinâmicos, atualizados e mais jornalisticos que o meu; que se assemelha mais com um Globo Repórter do vinho.

As informações do vinho não tem dono nem maternidade, pois todos nós temos mais ou menos as mesmas fontes e por isso mesmo postamos continuamente quase que ao mesmo tempo. Detêm o furo jornalístico aquele que mora em Bordeaux ou Borgonha; e certamente não queremos ser os Papparazzi do Enoblogs pois levamos também informação.

Bom estava na loja "El Mundo del Vino" em Santiago quando o sommelier me mostrou uma coleção que foi lançada este ano. A idéia foi de Rafael Prieto do Guia del Vino del Chile em reunir para a comemoração do bicentenário do Chile seus dez melhores enólogos, entre eles o Pablo Morandé, para ser fazer diferentes  vinhos assemblages  a partir de um lote (terroir) único no Vale Maipo que não pertencesse a nenhum dos envolvidos. Cada enólogo recebeu a mesma quantidade de uvas Cabernet sauvignon (4000 kg) que poderiam ser adicionadas a no maximo  30 % de outras variedades  provenientes de seus próprios vinhedos. Foram relizados cortes com Carmenére, Petit verdot, Mouvedre, Syrah, Carignam, Merlot, Malbec e até Cabernets para darem assim o toque do autor. Foram os escolhidos: Ignácio Recabarren Concha y T., Aurélio Montes, Marcelo Retamal De Martino, Marcelo Papa, Adolfo Hurtado da Cono Sur, Cecília Torres da Santa Rita, Álvaro Espinoza do Don Melchor e  Andrés Ilabaca da Santa Rita.

Taí o resultado dez jóias tânicas  numa caixa de madeira de luxo que custam $ 400.000 pesos ou R$ 1200,00 com assinatura do enólogo responsável, e segundo o pessoal da loja não farão uma nova edição. Esse projeto foi chamado de TOP WINEMAKERS 2010 - CHILE. Vale a pena comprar em grupo e degustarem. 

Bem  achava que tinha furado os zóio do Silvestre, mas não deu certo pq ele já tinha postado.

 Um abraço pra vocês do Enoblogs e aguardem meus posts de aniversário de  1 ano  da Antica Osteria pois estou literalmente descorchando o Chile pra vocês.


Abbracci a tutti!

sábado, 1 de maio de 2010

MENU DEL GIORNO: STROZZAPRETE ALLA CALABRESE COM VINHO SICILIANO LA SEGRETA.

Olá pessoal! tudo bem?

Pois é, faz tempo né. Acabaram acumulando vários posts pela simples falta de tempo e por uma certa depressão digital que afeta todos os blogueiros num certo momento da vida. Entramos em conflitos do tipo meu blog não é lido por ninguém ou; cadê os comentários das pessoas e para onde foram meus seguidores. Na verdade essa ferramenta foi desenvolvida para ser um diário, onde todo mundo possa expressar suas idéias "on line" aos mais longinquos confins do planeta (que possua banda larga). Com o tempo o perfil da osteria mudou um pouco estando mais técnico;  preocupado com a qualidade das fotos e conteúdo que talvez estivesse mais antenado a assuntos que me dessem maior projeção. Perdi um pouco o prazer de escrever livremente as coisas que me faziam felizes de verdade; tirando-me a empolgação e aquela espontaneidade de bate  papo com vocês meu amigos; que era a minha característica principal. Quero voltar a ser "nonno" e poder divulgar a idéia da boa mesa com bons amigos!

Bom tinha que ser um prato forte e dominante que mostrasse todo o  meu entusiasmo pela culinária italiana. Lógico que o primeiro tipo de pasta que veio a minha cabeça foi o strozzaprete e o molho que remonta a 50% da minha árvore genealógica; alla calabrese. A primeira vez onde provei foi no restaurande La Pasta Gialla do Sérgio Arno e realmente foi amor a primeira vista sendo depois mangiado nas minhas peregrinações pela Bota.

O strozzaprette é uma pasta caseira aberta no rolo da Emilia- Romagna obtida a partir de elementos simples da culinária local que demandam um certo trabalho manual e necessitam de molhos fortes e condimentados. Sua tradução significa enforca-engasga padre e a lenda mais difundida conta que a massa deveria ser grossa o suficiente para se enforcar-engasgar um padre devido a avidez e velocidade com que os canônicos glutôes comiam; levando-os a morte por e asfixia. Historicamente se conta que um padre chamado Matteo Marino numa peregrinação á gruta de Monte Sant'Angelo parou para almoçar numa "antica osteria". O padre não gostando do atendimento e da frequência  local, entrou em conflito com os anfitriões e hóspedes; que pediram para a cozinheira que inventasse um prato que fosse delicioso, mas que pudesse levar o meu parente Marino ao fácil encontro de São Pedro por asfixia.

Irmão maior da cavatelle, geralmente é feito a partir de grano duro e água, aberta no rolo numa espessura grossa tipo número 4 ou 5 da máquina e cortada em tiras como o pappardele com 1,5 cm de largura por 5 cm de comprimento. Com um movimento rápido e seco entre as mãos é dada a forma aos strozzapretti que seria a mesma forma de "si strozzare un prete". O aspecto final é esse que vocês veem ao lado e lembra muito a fêmea do Ancilostoma duodenale.




Vamos á receita do strozzaprete con ragu alla Calabrese para 4 pessoas educadas:

- Massa fresca  de grano duro 300 gramas.
- 1 cebola pequena.
- 300 gr de linguiça calabresa picante em rodelas .
- Salsão e cenoura finamente picadas.
- Funghi seco 10 gr - 2 nacos.
- Azeite E.V. e manteiga.
- Salsinha picada, ramos de alecrim e tomilho.
- 1 pitada de três dedos de sementes de erva doce.
- 50 ml de vinho branco seco.
- 1 lata de tomates pelados italianos.
- Queijo parmesão ralado na hora.


Aqueço na frigideira óleo e manteiga e coloco as rodelas de linguiça para pegarem cor e aroma com 1 ramo de tomilho e outro de alecrim. Adiciono então cebolas, salsão e cenouras até murcharem, e esfrio os ânimos do pessoal com uma boa taça de vinho branco e os funghis com erva doce para incorporarem os aromas. Evaporado o álcool, coloco os tomates pelados e agora picados; e complemeto com a mesma medida de água ou caldo de carne e deixo apurar até o ponto desejado.

A massa já esta quase "aldente" na água salgada, escorro e termino o cozimento dela na própria panela do molho e acrescento a salsinha e o queijo ralado. Misturo tudo e mando pra mesa!

Harmonize com um belo vinho tinto encorpado e alcoólico sem exageros. Abri um vinho siciliano La Segreta Rosso Sicília IGT  da Vinícola Planeta colheita de 2005. Feito da autóctone 50% Nero D'Avola foi complementada pelas estrangeiras 25% Merlot, 20% Syrah, 5% Cabernet Franc. Mostrou-se bem frutado com ameixas e cerejas em compota, cacau e especiarias. Discreto amargor final mas com um belo corpo e taninos no ponto bebidos na hora certa.

Espero que tenham gostado e o vinho quem traz é a Interfood!

Vejam o vídeo de como se faz o verdadeiro strozzaprete no link ao lado que vale mais que mil palavras!

Abbracci a tutti!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

RIQUEZA E DIVERSIDADE DE VINHOS TINTOS PORTUGUESES A.B.S. SÃO CARLOS - 08/04/2010

Olá pessoal, tudo bom?

Quinta-feira realizamos uma degustação especial com vinhos tintos de Portugal. Foi a versão tinta da última com vinhos de diversas regiões, com variedades tradicionais porém de características diferentes, com destaque para o vinho alentejano.

 Vamos a eles:


1 - Vinha da Nora Reserva 2005 - Quinta do Monte d"Oiro - Vinho Regional de Lisboa - Alenquer.

Nosso primeiro vinho tem a as vinhas oriundas dos M. Chapoutiner feito com Syrah (95%) e Cinsault pelo enólogo José Bento dos Santos.  Mostrou fruta madura com um fundo de especiarias. Estão presentes sutilmente as notas de chocolate, pimentas e húmus características da casta Syrah com médio corpo e acidez estimulante.

2 - Termeão Pássaro Branco 2005 - DOC Bairrada - Campolargo - Anadia.

Manuel dos Santos planejou esse vinho com Touriga Nacional, Cabernet e Castelao Nacional macio de taninos e aromatico com frutas vermelhas maduras, balsâmico e  bala de caramelo. Especiarias presentes num vinho bem gastronômico.

3 - Quinta do Carmo Reserva 2004 - Vinho Regional Alentejano - Quinta do Carmo e  D. B. Rothschild - Alentejo.

Vinho mais aristocrático e elegante da noite com frutas em compota como ameixa e cereja com couro novo, terrosos e floral como violeta gerado pela mistura deAragonez, Cabernet sauvignon e Syrah. Muito macio na boca com retrogosto bem agradável que merecia mais tempo para ser compreendido melhor.


4 - Quinta de Ponte Pedrinha Reserva 2004 - DOC Dão - Quinta da Ponte Pedrinha - Serra da Estrela.

 Para mim a melhor surpresa da noite num vinho muito aromático e equilibrado com vinhas em Viseu próximo á Serra da Estrela. Coloração rubi bem intensa que no nariz mostrou um belo aroma balsâmico característico da região, que somado com as frutas como cereja em calda e mineralidade me deixou pasmo. Ótimo custo benefício num ótimo vinho que só um terroir como esse pode produzir

5 - Meandro do Vale Meão 2007 - DOC Douro - Quinta do Vale Meão - Vila Nova de Foz Coa.

Este vinho feito de Touriga N., Tinta roriz, Touriga francesa estagiou no segundo uso dos barris do principal  Vale Meão, cujas uvas eram vendidas para a produção do mítico Barca Velha. Começou em 1877 com Dona Antónia Adelaide Ferreira que comprou os terrenos  no Douro Superior e, com a ajuda dos galegos, construiu sua propriedade no Vale Meão pouco acima das vinhas do Barca Velha. Hoje seus descendentes, Família Olazabal, passaram a produzir seus próprios vinhos apelidados de Barca Nova.

Vinho rubi bem violáceo, jovem e frutado com cassis e cereja lotado de especiarias como canela e aniz. Encorpado sem passar no álcool apresenta retrogosto duradouro que completam toque de baunilha bem agradável com bala de caramelo.
O jantar foi acompanhado do vinho da Tapada 2005, um vinho da Herdade dos Coelheiros, com um
Lombo Assado com Calda de Laranja que estava divino!

Vinhos trazidos pela Mistral.

Abbracci a tutti!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

JANTAR HARMONIZADO COM VINHOS E CULINÁRIA DA ÚMBRIA.

Olá pessoal, tudo bem?

Terça passada fui convidado a esse que para mim foi o melhor encontro enogastronômico que já participei em Araraquara. Por iniciativa do Rodrigo do Empório Basílico, foram convidados um chef  italiano e um enólogo de uma grande importadora para dividirem suas idéias no mesmo espaço; o restaurante Vitório.  Adoro jantares harmonizados pois talvez seje um dos maiores desafios, tanto para o Chef como para o Somellier. Temos que compatibilizar aromas, texturas, sabores, acidez, cores e temperaturas do vinho com o do prato, e  principalmente com o comensal não somando suas caracteristicas mas sim extrapolando-as.  Do meu ponto de vista esse evento começou muito bem pois um dos melhores critérios para uma boa enocompatibilização é a regionalidade, ou seja pratos da mesma região combinando com seus vinhos conterrâneos. Tudo isso conduzido pelas mãos hábeis do Chef Sauro Scarabota do Restaurante Friccó que preparou receitas tradicionais da Umbria; harmonizadas pelo promissor enólogo da Decanter Igor Maia que nos apresentou os vinhos da Vini Cardeto.

Infelizmente cheguei um pouco atrasado, perdi o primeiro vinho da sequência e tive duas escolhas:
Esquecer o post perfeito para o blog e jantar tranquilamente, ou ficar estressado e anotar todos os detalhes com descrições dos vinhos e fotos elaboradas dos pratos...

Desculpem-me os blogueiros; mas resolvi curtir o jantar com os amigos.

1 - Recepção:

Orvieto Clássico Secco Pierleone 2008. Vinho branco jovem cítrico e fresco .

2 - Antipasto:

Fantasia de crostini da Úmbria com Rupestro I.G.T. 2008 - Sauro idealizou quatro crostinis com ingredientes que lembram sua terra natal e por isso diversificou com: linguiça, abobrinha e queijo; tomates frescos; fígado e o último de lentilha com cenoura que foi bem harmonizado com um vinho jovem bem frutado sem  passagem por barrica feito de Sangiovese, Montepulciano, e em menores percentuais Canaiolo e Ciliegiolo.


3 -  Primo Piatto :

Gnocchi de Batata com Funghi Trifolati levemente picante e Nero della Grecca Sangioves Úmbria I.G.T 2005. Para conseguir sustentar os 85% Sangiovese e 15% Merlot com 12 meses de barrica , este prato foi vitaminado com um leve ragú e ficou perfeita a adição do "pane grattugiato" bem crocante e temperado em lugar do queijo ralado para manter as características dos seus ingredientes e estalar os sentidos. A pimenta do molho era sustentada pelas especiarias do vinho.

 Harmonização perfeita! 


 Atenção aos menos habituados aos costumes italianos para não confundirem!

Funghi Trifolati não significa de jeito nenhum três fungos, mas na verdade é um acompanhamento (contorni) típico do Piemonte; simples e saboroso, caracterizado pelo modo como os funghis são preparados: fatiados e salteados na manteiga com vinho branco mais salsinha e que pode ser usado também no preparo do molho para massas ou  de risottos. Capisce?! Veja no link uma bela receita.

4 - Secondo piatto:

Para finalizar polenta com coelho na caçarola com azeitonas e chicória com Arciato Úmbria I.G.T. 2005. Adoro essa combinação de coelho com polenta pois a maciez, o sabor da carne e de seu molho lembram muito bem a simplicidade dos camponeses e a riqueza de aromas e sabores da culinária Umbra. Foi harmonizado com um vinho mais austero vinificado com alma  Bordalesa no corte de Merlot 55 % e Cabernet Sauvignon 45%  ao estilo mais moderno, que meu ponto de vista sobrou  para esse prato delicado. Pedi uma outra amostra do Nero, que ficou divino!





5 - Dolce:

Para todo mundo ir feliz para casa: crostata com geléia, amêndoas, nozes e um café por favor!


Bela noite onde pudemos degustar vinhos do Cardeto que apresentam grande vocacão para gastronomia, mostrando-se intensos, frutados, terrosos e com bela acidez que combinaram muito bem com o cardápio proposto.

Como foi discutido apresentam-se muito jovens mais voltados para a gastronomia do que degustações, tendo muito ainda a evoluir na garrafa com um belo potencial de guarda. Meu melhor vinho foi o Nero della Grecca e de prato coelho com polenta não menosprezando os gnocchi.

Para saber mais:

Entrem no site do Restaurante Fricco do chef Sauro Scarabota.

Abbracci a tutti e amanhã tem Segunda Divino!

terça-feira, 6 de abril de 2010

BELA PÁSCOA COM BACALHAU A ANÍZIO E VINHO MUROS DE MELGAÇO.

Olá pessoal, tudo bom? Pois é Páscoa pede bacalhau com vinho; e esse ano não foi diferente. A receita do bacalhau já era tradicional na família da minha nora, trazida pelo seu pai sr. Anízio que nos ajudou a fazer a bacalhoada lá de cima e dona Tereza aqui debaixo mesmo. Do meu ponto de vista é um dos modos mais simples e saborosos de se utilizar o bacalhau ressaltando seus sabores naturais; e dizem que é o verdadeiro bacalhau á portuguesa. Não vou dar a receita "ipsis litteri"  porquê  o segredo está no modo de se fazer e não nos ingredientes. 

É muito simples, vejam:

Primeiro numa panela grande que será a definitiva cozinhe em água salgada as batatas inteiras, peladas e reserve. Na mesma água faça um caldo de cebolas inteiras (pode por cravos), alhos inteiros sem cascas, grãos de pimenta e o que quiser mais de ervas e especiarias. Quando estiverem quase macias tanto as cebolas como os  alhos, coloquem os lombos de bacalhau já limpos, dessalgados e cubra com folhas de couve cortadas á metade e privadas de seus talos e devolva a batata  por cima de tudo para que cubram e abafem a panela como se fossem a  tampa. Depois que a couve murchar; confira o ponto do bacalhau e coloque tudo num prato como se fosse um cozido! Isso mesmo um cozido de bacalhau seria a minha definição mais que perfeita desse maravilhoso bacalhau, ornada com azeitonas pretas, ovos cozidos e bastante azeite extra virgem português .

O vinho  foi sugerido pelo meu amigo Rodrigo do Empório Basílico  em destaque no seu blog o Vinho Verde de Alvarinho Muros de Melgaço 2008, produzido e engarrafado pelo enólogo Álvaro Mendes. Em contradição com que muita gente falou nesses tempos pré-Páscoa  sobre a qualidade do vinho verde e sua pouca capacidade de harmonização do bacalhau, ele foi maravilhoso. Diferente dos tradicionais vinhos verdes que são caracterizados por baixo teor alcoólico, muito jovens (verdes) e ácidos; este se  mostrou bem elegante e moderno. Coloração amarelo palha com poucos reflexos verdeais com aromas cítricos bem evidentes de lima e limão siciliano e floral. Na boca ataque inicial com bela acidez sem deixar de mostrar sua passagem de 6 meses barrica de carvalho francês com sabores de mel e baunilha bem discreta. Nota-se boa mineralidade e refrescância final com untuosidade. 

Casou perfeito com o Bacalhau á Anizio, pois tinha corpo suficiente dado pela graduação de 12,5 % associado a barrica e "sur lie" durante sua fermentação inicial, sem interferir no sabor suave de nosso prato. Garanto que melhora em 5 anos de guarda, acreditem. Agradaram a todos ainda mais porquê nossa festa foi na Barão de Melgaço.

Concluindo: vinho verde não é brega com bacalhau.

Deixa eu me arrumar pois tenho que degustar meu próximo post com o chef Sauro do Friccó!

Abbracci a tutti!

domingo, 4 de abril de 2010

CONFRARIA DOS MALA - 31\03\2010.

Olá pessoal, tudo bem?

Deixa eu botar a ordem na casa porquê já faz uma semana que não escrevo um parágrafo e meus posts estão acumulando. Nossa confraria se reuniu para brindar o calor com dois brancos monovarietais; um de Vermentino e outro de Riesling. Então sem mais delongas vamos a eles, enquanto os aromas de um ragú alla bolognese no fogo para a lasagna verde de amanhã estão me instigando:

1 - Occhio a Vento 2008 - Vermentino Maremma Toscana Igt I.G.T. - Rocca delle Macie - Itália.

Primeira vez que degusto um vinho feito de 100% da uva Vermentino, que geralmente apenas complementa outros cortes ou produs vinhos típicos na Ligúria junto com as Bosco e Albarola; e sinceramente me agradou. Jovem, ácida e fresca mostrou aqueles aromas de frutas cítricas, mentolado, florais e pimenta branca, sendo bem leve e refrescante. Como apenas 10% passou em barrica, sente-se muito pouco sua influência


2 - Clos Mathis Riesling 2006 - Apellacion Alsace Controlée - Domaine Ostertag - França.

Bom Riesling típico oriundo de um único vinhedo  Clos Mathis, que a partir de 1998 passou a cultivo biodinâmico de seus vinhedos gerando a primeira amostra deste vinho em 2000. Aromas de frutas maduras como abacaxi com damasco e mel em boa acidez. Petróleo e querosene típico da casta que não me impressionaram; talvez por estar muito jovem ainda e pagando um preço alto por ser biodinâmico.






3 - Tributo Cabernet Sauvignon 2007 - Caliterra - Valle Colchágua - Chile.

Tudo o que se espera de um bom Cabernet chileno (91% de Cabernet, 6% de Carmenére e 3% de Petit verdot) o Tributo possue; bem estruturado com aromas intensos de ameixas, floral de violeta e licor de cacau. Herbáceo típico de pimentão verde e balsâmico final com retrogosto bem abradável e persistente com aromas terrosos bem discretos nos seus 14% de álcool. Taninos ainda jovens num vinho sem frescura.

Bom, deixa eu dar uma mexida no ragú!

Abbracci a Tutti!